segunda-feira, 26 de julho de 2021

De Livro para as Ilhas: Pedro Paulo Câmara

Estamos na reta final do desafio De Livro para as Ilhas, cuja 1ª edição termina a 31 de julho, e não podia deixar de trazer o autor Pedro Paulo Câmara que, depois de se aventurar na poesia, no romance e nos contos (inclusive publiquei opinião do seu livro Contos da Imprudência), publicou recentemente um trabalho de investigação sobre o poeta açoriano Armando Côrtes-Rodrigues. Conheçam um pouco mais sobre o Pedro Paulo Câmara, um autor da ilha de São Miguel (Açores). 


1. Defina-se em 3 palavras.

P: Tentando escapar a uma redução do meu ser, poderia definir-me como determinado, responsável e empático.

2. Escreve apenas quando está inspirado ou tem alguma rotina de escrita?

P: Não tenho qualquer tipo de rotina. No que diz respeito à produção de texto, sou profundamente indisciplinado. Não obrigo um texto a nascer, nem me forço a escrever 5, 10 ou 20 linhas por dia. Escrevo quando me apetece, quando se proporciona, quando a própria envolvência a isso me obriga. Permito que os estímulos do dia-a-dia me incentivem e me contaminem.

3. Escrever no papel ou no computador?

P: Sem hesitar, escrever no papel primeiro. Aprecio verificar, no papel, todo o processo de criação e metamorfose do texto.

4. Publicou recentemente "Violante De Cysneiros: O Outro Lado do Espelho de Côrtes-Rodrigues?", um livro que é resultado de um projeto académico sobre o poeta Armando Côrtes-Rodrigues e seu pseudónimo feminino Violante de Cysneiros. Fale-nos um pouco como surgiu esta curiosidade por este autor açoriano.

P: Ao frequentar a licenciatura, há cerca de 20 anos, e ao frequentar, mais recentemente, o Mestrado em Estudos Portugueses Multidisciplinares, no âmbito do qual surgiu este projeto de investigação, verifiquei que os conteúdos programáticos são, regra geral, muito rígidos e constatei, ainda, que é frequente existirem autores e trabalhos que são obliterados pelos críticos, pelo cânone, pelas Academias, pelos habituais fazedores de opinião. Estou, e serei sempre, consciente das minhas raízes. Portanto, quando surgiu a oportunidade de escolher uma temática que considerasse pertinente e válida, optei por trabalhar Armando Côrtes-Rodrigues e, em particular, Violante de Cysneiros. Na minha opinião, importava perceber quem era quem neste jogo de produção literária. Pela quantidade e diversidade da sua produção literária e pelo papel que este autor desempenhou no panorama cultural açoriano, considero que importava recuperá-lo. Assumo que, sendo um autor pouco estudado, existindo escassa bibliografia sobre o mesmo, e, por muitos, quase desconhecido no panorama nacional, foi uma decisão arriscada. O resultado faria valer a pena.

5. Se pudesse começar uma nova obra de investigação sobre outro escritor açoriano que mereça ser mais estudado, qual é o primeiro nome que lhe ocorre?

P: Esta é uma escolha difícil, porque há autores açorianos cuja obra é profundamente interessante e rica, sendo que urge trazer à ribalta aquilo que escreveram, num determinado tempo, num determinado espaço. Assim, teria de escolher, por exemplo, Roberto de Mesquita, possivelmente, na minha opinião, um dos maiores poetas simbolistas portugueses.

6. Enquanto leitor, qual o género que predomina na sua estante?

P: Poesia, seguramente.

7. Qual o seu sítio favorito para comprar livros?

P: Nos Açores, não posso esquivar-me a referir a livraria Letras Lavadas, onde me sinto em casa, mas sempre que tenho a possibilidade de viajar, adoro revolver as pilhas de livros dos alfarrabistas.

8. Que livro escrito por um(a) autor(a) açoriano(a) é, na sua opinião, de leitura obrigatória?

P: Mau Tempo no Canal.

9. Qual o seu lugar favorito da ilha de São Miguel? Esse sítio já o inspirou de alguma forma na sua escrita?

P: Sou natural da costa oeste da ilha, onde decidi continuar a viver. Considero a minha freguesia, os Ginetes, um espaço de riqueza inegável. Assim, não considero que seja difícil escolher um lugar favorito e terei de apontar a fajã lávica da Ferraria. Na verdade, a Ferraria, o Pico das Camarinhas, a freguesia e a ilha Sabrina já inspiraram uma das minhas obras, o romance histórico Cinzas de Sabrina, cuja parte da ação decorre, precisamente, nesta freguesia.

10. Dê-nos 3 motivos para visitar a ilha de São Miguel.

P: Temos a matéria líquida, o Atlântico-ponte; a matéria sólida, ilhas encantadas, nascidas das entranhas da terra; e a matéria humana, gente de sal e de lava. São os ingredientes essenciais para a criação de um espaço místico e singular.

11. Deixe umas últimas palavras a quem lê esta entrevista.

P: Escrever é um processo de descoberta do outro, do mundo e de mim próprio. Faço-o como quem precisa de alimento e com a mesma sede de quem deambula no deserto da existência há várias noites. Escrever é, verdadeiramente, uma necessidade. Não sou já o mesmo que publicou o Perfumes, no longínquo ano de 2011. Sou o acumular de experiências que me são oferecidas pelos livros que leio, pelas pessoas que abraço, pelas viagens que faço, e talvez seja por isso que os meus livros são tão distintos entre si, no conteúdo e na forma, da poesia à prosa. Escrever é ter uma voz. Essa voz amplifica-se com os leitores e esse percurso foi-se concretizando ao longo dos tempos com a publicação do Perfumes (poesia), do Saliências (poesia), do Cinzas de Sabrina (romance), do Na Casa do Homem sem Voz (poesia), do Contos da Imprudência (contos) e, agora mais recentemente, com o Violante de Cysneiros: o outro lado do espelho de Côrtes-Rodrigues? (investigação), bem como com a colaboração em inúmeras colectâneas nacionais e internacionais.

Espreitem o site do autor: https://pedropaulocamara.wordpress.com/


Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira para participar.

Com amor, Brenda

domingo, 18 de julho de 2021

De Livro para as Ilhas: The Atlantic Reads

@theatlanticreads é uma criadora de conteúdo natural da ilha da Terceira (Açores). Descubram mais sobre esta menina terceirense nesta pequena entrevista. 😉


1. Define-te em 3 palavras. 

Sou bastante teimosa, mas sou também uma pessoa empenhada nos seus objetivos e resiliente

2. Como surgiu a ideia de criar o "The Atlantic Reads"? 

Já há muito tempo que queria criar o meu espaço dentro desta comunidade incrível, partilhar leituras e gostos. O The Atlantic Reads surgiu daí. Como açoriana e bookaholic que vive no meio do atlântico, acho que o nome fez todo o sentido. Honestamente, nem me lembro bem como me surgiu 😅 mas foi muito de repente, gostei e ficou. 

3. Qual a tua leitura atual?

Estive meses sem ler nada, entrei numa ressaca literária depois de ler 50 páginas de Memorial do Convento (não me julguem, não consegui gostar daquilo). Atualmente estou a ler Kill Creek, de Scott Thomas. É terror e estou completamente fora da minha zona de conforto, mas a gostar

4. Qual o teu sítio favorito para comprar livros?

Sites online, como Wook e Almedina, e Continente. E recentemente aventurei-me na Amazon Espanha, perco a cabeça lá 😂

5. Escreves a opinião literária mal acabas de ler o livro?

Depende do livro. Alguns prefiro escrever logo, normalmente aqueles que não me deram um impacto assim tão grande. Outros preciso de refletir bem sobre eles antes de fazer a sua review ou lhes atribuir uma classificação.

6. Que livro recomendas sempre aos teus amigos?

O Código da Vinci, de Dan Brown. É o meu favorito ☺️

7. Qual foi o último livro escrito por um(a) autor(a) açoriano(a) que leste?

Shame on me, acho que nunca li nenhum 😱

8. Então, que livro de autor(a) açoriano (a) gostavas de ler até ao final do ano?


A: Meridiano 28 do Joel Neto

9. Qual o teu local favorito da ilha da Terceira?

Vários, mas talvez o Porto das Cinco. É uma zona balnear e passo lá os melhores momentos durante o verão. 

10. Dá 3 motivos para as pessoas visitarem a tua ilha!

Se querem boa comida, muita folia e diversão e uma experiência única de contacto com a Natureza, a ilha Terceira é o sítio certo para vocês. Por alguma razão se diz que “Os Açores são 8 ilhas e um parque de diversões”.


Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira para participar.
Com amor, Brenda

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Contos da Imprudência de Pedro Paulo Câmara

 

Comprem este livro: Letras Lavadas Livraria

Sinopse: “Medo e Mito. Morte e Amor. Solidão e Desesperança. Talvez Medo e Mito, informes e famintos, alicercem o Amor ou a Solidão. E talvez tanto um como outro tenham garras e forças suficientes para rasgar o ventre e a alma de cada ingénuo humano. Desfazemo-nos no vagar dos dias e compomo-nos de Imprudências que se amontoam ao entardecer.

Em Contos da Imprudência, forças titânicas assumem o controlo - e o destino- de cada personagem, reflexo de mil homens e mil mulheres sem opção, desarmados.”

Em primeiro lugar, agradeço ao autor Pedro Paulo Câmara a oferta do exemplar para opinião literária honesta. 

Contos da Imprudência é uma antologia de contos submetidos em concursos de escrita em que este autor micaelense participou e outros inéditos.  

Através dos contos que nos apresenta, Pedro Paulo Câmara desafia a nossa perceção dos limites entre o amor e a morte, entre o egoísmo e a solidão, entre o arrependimento e o destino, e de tantas outras coisas que muitas vezes a nossa alma luta para lidar, seja por imaturidade ou por dificuldade em conseguir entender ou suportar.

O meu conto favorito foi o "Sob Asas". É um conto que nos fala sobre sair da ilha e voltar, o que é ser ilhéu na distância e na proximidade, fala sobre abandonar quem somos para fugir à dor, sobre viver dormente e sem aproveitar a vida por conta do arrependimento que sentimos e é, acima de tudo, um conto sobre a necessidade de nos perdoarmos por aquilo que está fora do nosso controlo. É um conto sobre crescer e ser capaz de voltar ao lugar a que associamos essa dor.

Deixo-vos a minha citação favorita:
"Aqui, nestas ilhas, a essência de cada um é absorvida pela alma da terra, pelo espírito do mar, pelo sentir dos cumes e das crateras. Como sabe bem ser-se uno, viver-se em comunhão com este solo negro. Como sabe bem alimentar-me do cheiro a enxofre que inunda os sentidos sem permissão. Só na distância me apercebi da importância destas montanhas eretas no meio do Atlântico. Fui um ilhéu, na distância. Sou menos ilhéu na proximidade."
De um modo geral, e tentando não adiantar muito mais, porque o livro é pequeno e não vos quero revelar muito, achei a escrita muito versátil (por ter contos mais leves e outros mais "dark"), extremamente poética (revelando um pouco do background do autor) e adorei as subtis críticas sociais/ políticas! Todos estes aspetos fizeram esta leitura ser muito interessante 

Ficaram curiosos com este livro? Gostam de ler livros de contos? Qual o último que leram?

Classificação: ★★★★☆ (4/5)

Com amor, Brenda

sexta-feira, 9 de julho de 2021

De Livro para as Ilhas: Daniel Gonçalves

Sem querer descurar as outras pessoas que entrevistei neste projeto do "De Livro para as Ilhas", esta era a entrevista que mais queria trazer-vos. Daniel Gonçalves, natural da Suíça, poeta, professor de Português. Daniel encontrou na ilha de Santa Maria o seu cantinho e por cá vive há mais de 20 anos. Foi meu professor de Português no 12º ano e foi um grande impulsionador do meu gosto pela poesia e pela literatura no geral. Conheçam Daniel Gonçalves, o poeta que veio e ficou.

1. Daniel, porquê a ilha de Santa Maria?

Como escreveu Pessoa… “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Acredito que foi a ilha que me escolheu a mim: a terra, o mar, o céu e as pessoas. E depois a reacção que tudo isto faz em mim, todos os instantes.

2. Defina "poesia".

É como tentar definir morte, ou vida, ou amor. A poesia, se for além do que importa perceber, é um processo que se vive interiormente. É mais do que um género literário para mim. É cheirar as flores ausentes.

3. Escreve apenas quando as musas o inspiram ou tem alguma rotina de escrita?

É um trabalho. Uma escravidão voluntária. Uma necessidade e uma missão. Sou missionário do meu mundo, à procura da palavra que vale a pena fixar.

4. Escrever no papel ou no computador?

Por comodidade, no computador. Por necessidade, em qualquer suporte.

5. Há algum livro na gaveta de momento à espera de ser publicado?

O livro ELOGIO DA TRISTEZA que, na verdade, são os meus últimos seis livros inéditos, compostos entre 2016 e 2021.

6. Enquanto leitor, qual o género que predomina na sua estante?

Toda a literatura possível, mais poesia do que outra coisa qualquer. Alguma história e muitos livros sobre pintura.

7. Qual o seu sítio favorito para comprar livros?

Poesia na Poesia Incompleta, mas o meu coração pertence à Livraria Solmar.

8. Que livro recomenda sempre aos seus amigos?

Metamorfoses de Ovídio.

9. Qual o seu local favorito da ilha?

Malbusca. Foi lá que adormeci um dia sob um chão de poejo.

10. Dê-nos 3 motivos para visitar a ilha de Santa Maria.

Tranquilidade geral... a Biblioteca Municipal e São Lourenço.

11. Deixe umas últimas palavras a quem lê esta entrevista.

Cada vez mais tenho dificuldade em encontrar razões para publicar outro livro… e pode parecer estranho dizer isto depois de apresentar o meu mais recente projecto, mas a verdade é que ainda não sei se valerá a pena… a edição tornou-se banal e é cada vez mais difícil convencer o mundo de que a poesia faz falta para não nos deixarmos iludir com promessas de eternidade: a vida é breve e todo o instante é precioso.


Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira para participar.

Com amor, Brenda

quarta-feira, 7 de julho de 2021

A Cozinheira de Castamar (La cocinera de Castamar) de Fernando J. Múñez

Compra o livro: Wook | Bertrand

Sinopse: Espanha, 1720

Clara Belmonte é uma jovem de uma família abastada que, após a morte do patriarca, um dos mais prestigiados médicos de Madrid, se vê cair na mais completa pobreza.
Apesar da educação primorosa que recebeu, Clara precisa de uma forma de sustento e acaba por se candidatar a um trabalho nas cozinhas do palácio ducal de Castamar, que conquista graças ao talento para a culinária que herdou da mãe.
Clara não é bem recebida nos primeiros tempos. A sua eloquência, bem como o rigor na limpeza das cozinhas e a ousadia no requinte dos pratos, depressa a elevam na atenção dos habitantes da casa e no ciúme dos colegas de trabalho.
Mas é Dom Diego, o duque de Castamar, quem Clara mais impressiona. Arrancando-o à apatia absurda em que vive desde o estranho falecimento da mulher, a jovem cozinheira fá-lo derrubar todas as barreiras, despertando-lhe o palato, o intelecto e, por fim, o coração.

Em primeiro lugar, agradeço à Porto Editora a cedência do exemplar para opinião literária honesta.

A história de A Cozinheira de Castamar desenvolve-se no contexto da sociedade espanhola do século XVIII sob o reinado de Filipe V, onde conhecemos Clara Belmonte, uma cozinheira que sofre de agorafobia.

Clara sempre mostrou um talento especial para cozinhar e depois do seu pai, Doutor Belmonte, morrer na guerra, teve que transformar esta sua paixão em algo que a pudesse ajudar a sobreviver indo assim parar à casa de Diego, Duque de Castamar, viúvo há 10 anos e que se encanta com os cozinhados desta Belmonte.

Um aspeto interessante deste livro é que, apesar do seu nome, nem toda a história é focada na história da cozinheira. O autor dá espaço para conhecermos todas as personagens e as vermos evoluir ao longo da narrativa e isso é um dos aspetos que torna este livro tão enriquecedor.

Ao passarmos de narrador em narrador (penso que são cerca de 10 narradores) conseguimos ter uma visão geral da história como um todo. Dessa forma, conseguimos aceder a todos os cantos, recantos e, principalmente, aos pontos cegos de cada personagem e isso torna a história ainda mais incrível.

Mesmo com essa quantidade de narradores não ficamos absolutamente nada confusos com a história, muito pelo contrário. Sentimos que o enredo é-nos apresentado por completo e através dessas várias perspetivas aprendemos sobre o passado e motivações de cada indivíduo envolvido nesta trama. Aprendemos que todos têm os seus motivos para agir de determinada forma e, desse jeito, não os conseguimos julgar nas suas decisões e atitudes.

Além disso, o autor, ao mesmo tempo que nos apresenta cenas mais relaxadas com algum erotismo ao longo da narrativa, consegue ainda focar-se em temas extremamente sérios como o racismo, o machismo e a homossexualidade numa época em que era impensável aceitar um negro numa mesa de brancos, por exemplo, e não se limita a deixar estes temas à toa na história. Fernando J. Múñez cria paralelismos entre as personagens e as suas visões do mundo, cria debates e, acima de tudo, cria alguma desconstrução de preconceitos à medida do que seria possível desconstruir já naquela época.

Uma perceção que é muito interessante e desconstruída é a visão do que é o amor e do que é amar: o amor é o que nos faz viver ou o que nos mata? É a nossa salvação ou o nosso infortúnio? Eleva-nos o espírito ou mata-o aos poucos? É normal o amor entre duas pessoas de diferentes cores ou géneros iguais? 

O único ponto negativo que posso apontar neste livro é o tamanho dos capítulos, que, pelo menos para mim, não são amigos de quem tem uma vida um pouco mais corrida e não se pode sentar a ler um capítulo do início ao fim. Mas fora isso, adorei o livro e não o achei nem um pouco aborrecido.

E as receitas? Ai as receitas! Ficava a salivar só de pensar no que a Clara Belmonte descrevia! Senti que podia experimentar estas receitas e dar grandes jantaradas.

Posto isto, com tudo o que já vos descrevi, percebo perfeitamente o porquê de a 9 de julho estrear a série na Netflix, porque este livro super merece uma adaptação e espero que esteja à altura do livro.  Eu, seguramente, estarei colada ao ecrã nesse dia para ver a adaptação e, apesar de não ter visto a personagem "Gabriel" no trailer da série, espero honestamente que, pelo menos, nesse aspeto a série se tenha mantido fiel e não tenha cortado a personagem do elenco por algum motivo.

Classificação: ★★★★★ (4,5/5)

Com amor, Brenda

sábado, 3 de julho de 2021

De Livro para as Ilhas: entrevista Ana do "Tudo Sob Linhas"

Hoje trago-vos entrevista a uma menina da ilha Terceira que conheci recentemente: a Ana do "Tudo Sob Linhas". É uma querida e deixa transparecer nos seus vídeos uma personalidade tão caracteristicamente açoriana: sincera, humilde e extremamente dedicada. Nesta pequena entrevista no âmbito "De Livro para as Ilhas", um projeto organizado com a @angiexreads, fiquem a conhecer um pouco mais sobre esta booktuber.


1. Quais as três palavras que consideras que mais te definem?

Sou a pessoa mais bem disposta, distraída e esquecida que conheço.

2. Como surgiu a ideia de criar um canal no youtube?

A ideia de criar o canal já vem de algum tempo, antes da sua criação. Mas a necessidade de comunicar e socializar em altura de pandemia veio a "facilitar" o processo e, dar-me o último empurrão que faltava. Sempre achei a partilha de livros não só necessária como terapeutica para mim. Sempre encheu-me o coração nos momentos em que enviam-me mensagens ou assim a disserem que estavam a ler x livro por recomendação minha. E, então o projeto "ganhou" asas e renovou-se num modo mais dinâmico, mas também mais exigente e desafiante para mim.

3. Gravas a opinião literária mal acabas de ler o livro?

Gostaria muito que isso acontecesse sempre, porque ainda tenho a história e o que ela me proporcionou muito na mente, mas nem sempre é possível. Em cada 5 livros que leio, talvez um tenha a sorte de ser mais breve na partilha de opinião.

4. Qual a tua leitura atual?

Estou a começar "Desejo Concedido" de Megan Maxwell. Uma leitura conjunta que organizei para lermos os 5 volumes da série das Guerreiras em Portugal nos próximos meses.

5. Qual o teu sítio favorito para comprar livros?

Cá na ilha é muito relativo para compras de livros, porque temos 3 pontos de venda instantânea (secções de livraria do continente e uma pequena Note!). Com as novidades, as livrarias da ilha funcionam sempre em modo de encomendas. Então, opto muito por comprar online na Wook. Mas o tempo de espera é enorme!

6. Que livro recomendas sempre aos teus amigos?

A rapariga que roubava livros de Markus Zusak e, O pintor de almas de Ildefonso Falcones. Foram dois livros que me tocaram muito.

7. Que livro que um(a) autor(a) açoriano(a) ainda não tiveste a oportunidade de ler, mas tens muita curiosidade?

Já li o Arquipélago de Joel Neto e gostei imenso. Gostaria também de ler mais livros do autor, sendo que os cenários das suas histórias passam-se sempre cá na ilha. (Que tenha conhecimento!)

8. Qual o teu local favorito da ilha Terceira? 

Viveiros da Falca. É uma zona de lazer. Não tenho foto minha, mas segue aqui o link: Viveiros da Falca, ilha Terceira, Açores | Wonders of the world, Beautiful destinations, What a wonderful world (pinterest.pt)


9. Dá 3 motivos para as pessoas visitarem a tua ilha!

Tem 3 coisas na minha ilha que, na minha opinião não se compram que são: A natureza, a beleza e a tranquilidade.


Espero que tenhas gostado de saber mais um pouco sobre a Ana do "Tudo sob linhas". Visita as suas redes sociais: blogcanal instagram.

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira para participar.
Com amor, Brenda

sábado, 19 de junho de 2021

De Livro para as Ilhas: a booktuber e autora "A Croma dos Livros"

Cá estamos de volta com mais uma entrevista no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira para participar.

Hoje trago-vos a entrevista de uma booktuber e autora da Ilha Terceira (Açores). Conheçam um pouco mais sobre a Andreia Rosa, mais conhecida por "A Croma dos Livros".

1. Quais as três palavras que consideras que mais te definem?

Açoriana, sonhadora e compreensiva.

2. Como surgiu a ideia de criar um canal no youtube?

Comecei o canal em 2013, estava eu no secundário e tinha poucas pessoas com quem falar sobre livros. E sentia essa necessidade, de partilhar as minhas experiências com os livros que tinha acabado de ler.

Descobri o booktube internacional e não via ninguém em Portugal a fazer isso. Então decidi avançar e só aí é que percebi que já haviam algumas pessoas a fazê-lo mas muito poucas. Éramos no máximo, dos máximos, 10 pessoas a fazê-lo. Isso agora não é nada, em comparação com os dias de hoje.

3. Gravas a opinião literária mal acabas de ler o livro?

Nem por isso, deixo sempre passar algum tempo. Prefiro não o fazer de cabeça quente e escolho “digerir” a história no seu total para que se torne numa opinião mais racional e construtiva, digamos assim. Dou espaço a mim própria para analisar o livro, os prós e contras, a estrutura e o esqueleto da história, das personagens e só depois disso, é que gravo e publico.

4. Além de booktuber, és, ainda, autora do livro “A Sonhadora”, publicado pela chancela Edições Vieira da Silva. Fala-nos um pouco desta tua faceta de escritora. Continuas a investir na escrita criativa (e quem sabe tens na gaveta algum livro para ser publicado)?

Eu escrevia muito no secundário, tinha imensas histórias na minha cabeça e escrevia-as. Mas depois, chegava ao ponto em que já não sabia o que fazer e passava para a próxima história. O que significa que tenho muitas histórias na gaveta, apenas nunca as terminei.

Cheguei a um ponto em que disse “não, eu tenho que terminar pelo menos uma história” e foi assim que “A Sonhadora” nasceu.

Depois de entrar para a universidade, a minha escrita foi direccionada para o jornalismo e foi-se apagando o gosto pela escrita criativa porque, na altura, o jornalismo literário era muito pouco falado/tratado.

Anos mais tarde, voltei a escrever mas não sei se daí sairá um livro publicado.

Sobre ter na gaveta algum livro, julgo que todas as histórias que tenho guardadas dos meus tempos de secundário, eu voltaria a pegar numa trilogia de fantasia que me deu uma enorme alegria em escrever. Mas neste momento, o meu registo é outro. Mas quem sabe, talvez edite e reescreva essa trilogia num futuro próximo.

5. Tens uma rubrica no teu canal denominada #LerAçores. Fala-nos um pouco sobre este teu espaço dedicado aos autores açorianos.

O que me inspirou a criar este projecto foi o livro "Arquipélago" de Joel Neto. Nunca me senti tão bem representada enquanto açoriana, mais especificamente terceirense, num livro.

Com tantos desafios/maratonas para ler livros nacionais, todos eles necessários - ainda existe um longo caminho para valorizarmos os nossos autores. Mas sinto que se já é difícil apreciar autores nacionais, quanto mais é descobrir autores açorianos, que é um nicho ainda mais pequeno. E temos tanto talento nas ilhas que, simplesmente passam despercebidos, e é aí que entra o #LerAçores com o objectivo de divulgar a literatura açoriana. Pretendo com esta rubrica, criar um espaço em que os autores açorianos sejam divulgados, valorizados e apreciados.

6. Qual o último livro de um(a) autor(a) açoriano(a) que leste?

Ilha-América de Almeida Maia, ao qual dei 4 estrelas. O livro traz-nos a história de Mané, um passageiro clandestino que partiu rumo à América no vão da roda de um avião. Algo que adorei foi o facto de se tratar de uma história ficcionada baseada em relatos verídicos da emigração ilegal açoriana.

Foi o meu livro de estreia com o autor e recomendo completamente este livro. Pretendo ler mais obras do autor.

7. Qual o teu sítio favorito para comprar livros?

Por norma, faço apenas uma grande compra no início do ano e depois passo o resto do ano sem comprar livros. Isto com o objectivo de ter sob controlo o número de livros por ler na estante. Daí de ser difícil escolher um sítio porque não tenho o hábito de comprar.

Mas diria que, neste momento, a minha livraria favorita é a Letras Lavadas por ser o meu ponto de referência de onde arranjar livros de autores açorianos.

8. Qual o teu local favorito da ilha Terceira?

Um dos meus sítios favoritos na ilha é a Lagoa das Patas. Um local tão calmo e bonito, onde ouves o sussurro das árvores na companhia dos patos que lá habitam. Para mim, é um sítio que me inspira.

9. Dá 3 motivos para as pessoas visitarem a tua ilha!

Existe um ditado popular que os Açores são feitos de oito ilhas e um parque de diversões – que é nada mais, nada menos, que a minha querida ilha Terceira.

1. É a única ilha, se não estou em erro, que manteve todas as suas tradições, festas e costumes. Pelo que, em qualquer altura do ano, podem apanhar algum tipo de festividade (daí sermos considerados o parque de diversões dos Açores )

2. Algar do Carvão – um antigo vulcão e tubo de lava localizado no centro da ilha. Há pouquíssimos lugares onde se pode entrar num vulcão e este é um deles.

3. Paisagens e momentos relaxantes e únicos, só possíveis nos Açores.


Espero que tenhas gostado de saber mais um pouco sobre "A Croma dos Livros". Visita as suas redes sociais: canal e instagram.

Com amor, Brenda

quinta-feira, 3 de junho de 2021

#setediasde Livros que gostava que tivessem adaptação: Seca

 

Neste 3º post do #setediasde Livros que gostava que tivessem adaptação (organizado com a @miriamthemermaid) trago-vos o livro “Seca”, escrito por Neal Shusterman e Jarrod Shusterman.

Este livro apresenta-nos uma sociedade severamente afetada pela seca em que de um dia para o outro há um "fechar da torneira" e acaba-se a água no abastecimento público.

Imagina abrir a torneira e não sair água. Desesperante, não é?

Com o desaparecimento dos pais durante esta crise, Alyssa e o irmão, junto com o vizinho Kelton, tentam lidar com esta grave mudança da forma mais humana possível.


Achei este livro o perfeito exemplo do que irá acontecer quando um dos bens mais essenciais, a água (potável), acabar.

Acho que daria uma excelente adaptação cinematográfica porque seria uma forma de tentar sensibilizar pessoas que ainda não estão muito despertas para este assunto (ainda que seja uma questão que vem sendo falada há anos, mas bem sabemos que há sempre aqueles que vão evitando falar sobre isto até que os afete diretamente).

Neste livro as pessoas ignoraram todos os avisos: quando tudo indicava que a água potável iria acabar, quando eram implementadas medidas cada vez mais severas, quando eram feitos protestos, as pessoas faziam o quê? Ficavam em casa a ver da televisão acreditando que não iria acontecer com elas, mas aconteceu.

Um conselho de amiga, se fores ler este livro, mantém uma garrafa de água (ou outra bebida) por perto, porque, se fores como eu, vais ficar com uma sede danada.

Com amor, Brenda


In english:


In this 3rd post of #setediasde "Books I'd like to become a movie adaptation" I would love to see" I bring you a photo that was actualy inspired on @miriamthemermaid (the other organizer of this "seven days of") I bring you the book “Dry”, written by Neal Shusterman and Jarrod Shusterman.

This book introduces us to a society severely affected by drought in which the tap is turned off overnight and the public water supply runs out.

Imagine opening the water tap and no water coming out. Desperate, isn't it?

With her parents disappearing during this crisis, Alyssa and her brother, along with neighbor Kelton, try to deal with this serious change in the most human way possible.


I found this book the perfect example of what will happen when one of the most essential goods, (potable) water, runs out.

I think it would make an excellent film adaptation because it would be a way of trying to raise awareness in people who are not yet awake to this subject (although it is an issue that has been talked about for years, but we know that there are always those who avoid talking about it until it directly affects them).

In this book, people ignored all warnings: when everything indicated that drinking water would run out, when increasingly severe measures were implemented, when protests were held, what did people do? They stayed at home watching television, believing it wouldn't happen to them, but it did.

A friend's advice, if you're going to read this book, keep a bottle of water (or other drink) close by, because if you're like me, you're going to get really thirsty.

With love, Brenda

quarta-feira, 2 de junho de 2021

#setediasde Livros que gostava que tivessem adaptação: O Décimo Terceiro Poder


Vocês têm algum livro que leram há muitos anos, mas que a história ainda está bem presente na vossa memória (mesmo que sem todos os detalhes) e ainda conseguem sentir o que sentiram ao ler aquele livro? Como um eco do impacte que a história teve em vocês?

Penso que quando li “O Décimo Terceiro Poder” de Madalena Santos tinha uns 15/16 anos e a Nerferloen foi uma das primeiras heroínas literárias que me fez pensar pela primeira vez sobre a igualdade de direitos e sobre a facilidade com que muita gente questiona qualquer atitude, e até mesmo a autoridade, de uma mulher quando esta está numa posição de chefia. Por isso, foi um livro que me marcou bastante na altura em que o li e além de querer relê-lo, ia adorar ver esta história, de uma autora portuguesa, adaptada no grande ecrã!

Este livro faz parte da saga “Terras da Corza” que é composta por quatro romances históricos/fantásticos (mas os restantes ainda não li porque só descobri que existiam recentemente).

Compra este livro: Wook | Bertrand

⚔️ Este é o 2º post de junho do #setediasde “Livros que gostava que tivessem adaptação cinematográfica”, um projeto organizado com a @miriamthemermaid .

Para quem quiser, deixo abaixo a sinopse do livro:
Nerferloen, a protagonista deste romance é uma jovem donzela que, por ordem do rei seu pai, assume a difícil tarefa de lutar contra os inimigos de forma a estabelecer a paz entre os povos das Terras de Corza. Liderando a luta contra os cavaleiros Intrusos de Negro, atinge os seus objectivos. Não se trata de uma Joana D’Arc, mas de uma figura assumidamente mulher que demonstra a força da sua coragem e da sua inteligência em múltiplas situações até à vitória final. Apaixona-se, casa-se e garante a sua sucessão ao ser mãe de dois filhos.

Com amor, Brenda

terça-feira, 1 de junho de 2021

#setediasde Livros que gostava que tivessem adaptação: Ilha-América


Amanhã, dia 2 de junho, comemora-se o 75º aniversário da transferência do Aeroporto de Santa Maria, de americano e militar para português e civil.

O Aeroporto Internacional de Santa Maria deixou na ilha um legado e património que não podem deixar de ser valorizados.

"Ilha-América" de Almeida Maia teve um grande significado para mim exatamente porque relembra, valoriza e imortaliza em livro uma aventura de um tempo da história mariense que moldou a sociedade e a fez evoluir no que é hoje.

Por isso, no âmbito deste 1º post de junho do #setediasde com o tema "Livros que gostava que tivessem adaptação cinematográfica" (projeto organizado com a @miriamthemermaid) publico foto do livro "Ilha-América", que tem uma história que eu adorava ver na TV (ou quem sabe na Netflix 😉 fica a dica 😉) com a antiga Torre de Controle ao fundo, que, segundo consta, será transformada num museu.

✈️

Esta é também uma sugestão de leitura para quem quer participar no #delivroparaasilhas , um projeto organizado com a @angiexreads que incentiva à leitura de livros sobre e das ilhas dos Açores e Madeira.

Com amor, Brenda