segunda-feira, 4 de maio de 2026

Um Mês de Açores (2ª Edição) - Paula Santos


1. Se tivesses de resumir o teu bookstagram em 3 palavras, quais seriam?

Pessoal, acolhedor e intimista.

2. O impacto das redes sociais tem-se refletido nas leituras dos teus alunos? Já viste isso acontecer na prática?

Sim. Muitos dos meus alunos, e até ex-alunos, têm adquirido ou requisitado livros das bibliotecas escolares e públicas, após as minhas partilhas nas minhas redes sociais. Uma das minhas alunas tem frequentado Clubes de Leitura, entre os quais o meu, Clube de Leitura A Biblioteca da Paula em Vila Franca do Campo. Além disso, quatro alunos da minha direção de turma desafiaram-me a dedicar uma aula semanal à leitura, surgindo assim, juntamente com uma amiga que também lhes dá aulas, o Projeto Entre Páginas e Partilhas que foi aprovado em Conselho Pedagógico.

3. Entre livros físicos, e-books e audiolivros, o que achas que faz mais diferença para os jovens?

Entre livros físicos, e-books e audiolivros, o que faz mais diferença para os jovens depende muito do contexto e das preferências individuais. No entanto, por experiência e observação direta, muitos jovens que gostam de ler continuam a preferir livros físicos.

Na minha opinião e na dos jovens que conheço, os livros físicos são mais apelativos porque proporcionam uma experiência sensorial completa: o toque do papel, o cheiro, o virar das páginas. Estes elementos ajudam a criar uma ligação mais forte com a leitura. Além disso, ler em papel reduz as distrações associadas aos dispositivos digitais, como notificações ou acesso fácil a outras aplicações, permitindo maior concentração e imersão na história.

Há também evidências científicas de que a leitura em formato físico pode favorecer a compreensão e a retenção da informação, já que o leitor tende a ter uma noção mais clara da estrutura do texto (por exemplo, saber “onde” algo aconteceu no livro).

Embora os e-books e audiolivros sejam são mais práticos, acessíveis, permitam ler ou “ouvir” em qualquer lugar, e possam ser uma excelente porta de entrada para jovens com menos hábitos de leitura ou dificuldades de concentração, para muitos jovens, especialmente os que já têm gosto pela leitura, os livros físicos acabam por ser mais envolventes e eficazes, contribuindo para uma relação mais profunda e duradoura com os livros.

4. Se pudesses mudar uma coisa na forma como a leitura é trabalhada na escola, para aproximar mais os jovens dos livros, o que seria?

Mudaria a forma como a leitura é trabalhada na escola, dando mais liberdade de escolha aos alunos. Muitas vezes, os jovens afastam-se dos livros porque são obrigados a ler obras que não lhes despertam interesse ou com as quais não se identificam. Quando fiz parte da equipa da biblioteca escolar da minha escola prestava atenção ao que os meus alunos diziam gostar de ler. Na altura eram os Manga e as obras que eram adaptadas à Netflix, pelo que fiz de tudo para que no acervo da biblioteca passássemos a ter este tipo de livros e o facto é que resultou.

A afluência à biblioteca aumentou e começamos a ver os alunos a ler nos corredores e nos jardins. Ao permitir que escolham livros de acordo com os seus gostos — seja fantasia, romance, mistério ou até banda desenhada — aumentava-se a motivação e o prazer pela leitura.

Além disso, tornaria a leitura menos centrada na avaliação formal e mais na partilha de experiências. Em vez de testes rígidos sobre algumas obras, poderia haver debates, apresentações criativas ou discussões em grupo, onde os alunos pudessem expressar o que sentiram e pensaram ao ler. Isso ajudaria a criar uma relação mais pessoal e menos obrigatória com os livros.

No fundo, a mudança essencial seria passar de uma leitura vista como tarefa para uma leitura vivida como descoberta.

5. Qual foi o momento/experiência mais surreal que já viveste por causa do bookstagram?

Um dos momentos mais surreais que vivi por causa do bookstagram foi perceber que, através dele, consegui interagir com alguns dos meus escritores favoritos — algo que antes me parecia completamente fora de alcance. No entanto, o episódio mais marcante foi, sem dúvida, quando, em dezembro de 2025, criei o meu Clube de Leitura e a
escritora Ana Oliveira Cardoso partilhou essa iniciativa nos seus stories. Foi um reconhecimento inesperado e muito especial, que me fez sentir que todo o trabalho e dedicação estavam, de alguma forma, a chegar às pessoas certas.

6. Se tivesses de recomendar um autor açoriano a alguém que nunca leu nada dos Açores, quem seria e por onde começar?

Temos ótimos escritores açorianos, mas eu adoro a escrita de Pedro Almeida Maia, por isso recomendo-o sempre que tenho a oportunidade. Comecei a ler este escritor com A Escrava Açoriana, mas para começar de uma forma mais leve, sugeria Ilha-América.

7. Qual é o spot perfeito para ler um livro em São Miguel?

Eu leio em qualquer lugar, mas sempre que está bom tempo adoro ler numa zona especial do meu concelho, Vila Franca do Campo, com uma vista espetacular para o ilhéu. Geralmente levo uma manta ou sento-me na relva e leio ao som das ondas a bater no calhau do Poço Largo.

Gostaram desta entrevista? Não se esqueçam de espreitar o instagram da Paula (@a_biblioteca_da_paula).

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que promove a divulgação de livros sobre as ilhas do arquipélago dos Açores, que se encontra a decorrer todo o mês de junho.

Com amor, Brenda

Um Mês de Açores (2ª edição) - Lisete Cabral


Hoje trago-vos a entrevista à Lisete Cabral, uma das bibliotecárias da Biblioteca Municipal de Vila do Porto. A Lisete é uma das figuras da minha infância que associo a livros. A sua paixão por livros sempre me inspirou e deixou curiosa, por isso queria começar esta entrevista por agradecer o papel que teve na leitora que sou hoje.

Deixo-vos na sequência do post a entrevista que lhe fiz.

1. Como nasceu a tua paixão pelos livros?

Em criança, e talvez com 4 ou 5 anos, gostava de folhear os livros que a minha irmã mais velha, Gilda, tinha. Quando entrei para a escola e aos 6 anos (naquela época não havia o pré-escolar), a Gilda levou-me à biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian, conhecida como a carrinha do senhor Rosélio, responsável pela biblioteca itinerante da ilha.

E assim, com 6 anos, todas as semanas, ia requisitar livros. Posso dizer que foi aí que começou a paixão pelos livros.

2. Como descreverias a comunidade literária na ilha e, em geral, nos Açores? Sentes que há um interesse crescente pela leitura?

A leitura continua. E há jovens que gostam de ler, que gostam de ter a sua pequena biblioteca em casa. Podem não requisitar livros na biblioteca, mas leem. Há pessoas que preferem ler ebook, por ser mais prático, no mesmo aparelho podemos ter dezenas de livros. Acho que quem viaja é uma mais-valia.

Mas nada como sentir as folhas, bem como o cheirinho de um bom livro!

3. Fala-nos da importância de uma biblioteca municipal numa comunidade como a ilha de Santa Maria, onde o acesso físico aos livros pode ser um desafio.

A biblioteca itinerante foi muito importante para a ilha de Santa Maria. Foi através da “carrinha” que tínhamos o acesso aos livros. Em 1989, aquando da inauguração do edifício da biblioteca municipal, tivemos um espaço onde os leitores podiam estar. Não havia Internet, todos os trabalhos, todas as pesquisas eram feitas pelas enciclopédias, pelos livros técnicos. Em 2011, ano da abertura do atual edifício, os livros estão a par e passo com a Internet. Mas os leitores continuam a procurar a biblioteca. Para requisitar livros, para trabalharem, para pesquisarem. O importante é estarem no meio dos livros.

4. Como é que achas que a literatura pode ajudar a preservar ou divulgar a cultura açoriana?

É a literatura, com a sua escrita, que a etnografia, história, a arte de um povo não é esquecida. É preciso escrever, pois sabemos atualmente que já se perdeu muita informação, não a escreviam. Pensavam que não iria ficar esquecido, que haviam de passar a história oralmente de geração em geração.

5. Enquanto leitora, que obra açoriana recomendas?

As obras do Joel Neto e do Pedro Almeida Maia. Dois escritores que aprecio muito. Daniel Gonçalves, que considero já mariense, é um poeta maravilhoso. Foi com ele que descobri a poesia.

6. Qual era o livro açoriano que tinhas muita curiosidade em ler e que já leste?

O último livro do Pedro Almeida Maia “Condenação”, acabei de o ler. Interessantíssimo!! Aconselho a ler.

7. Qual é o teu local favorito da ilha?

O Poço da Pedreira. Pelo silêncio e a paz que me proporciona. Costumo ir para lá com uma manta e um livro e passar a tarde a ler.


8. Dá-nos três bons motivos para as pessoas visitarem a ilha de Santa Maria.

Paisagens maravilhosas. Praias fantásticas. Somos um povo acolhedor. Tudo clichés, mas que são verdades.

🌊

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que promove a divulgação de livros sobre as ilhas do arquipélago dos Açores, que se encontra a decorrer todo o mês de junho.

Com amor, Brenda

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Um Mês de Açores (2.ª Ed.) | Desafio Literário


A 1 de maio regressa o "Um Mês de Açores". 🌳🏝️🛫 

À semelhança do ano passado, e tendo em conta que em 2026 o Dia dos Açores se celebra a 25 de maio, durante esse mês decorrerá o desafio literário “Um Mês de Açores”. Convido-vos a ler e apoiar livros sobre os Açores e escritos por autores da região, sejam eles naturais, descendentes ou residentes (aka açorianos de coração), bem como obras cuja história decorra no arquipélago.

Ao longo de maio, partilharei sugestões e recomendações literárias, curiosidades e entrevistas com pessoas ligadas à literatura das ilhas.

🛫  Estão preparados para esta viagem pelos Açores? 🛫 

Com amor, Brenda

sábado, 25 de abril de 2026

Valentine's Day (Seekers #4) | Josie Jaffrey

 (opinião em português depois da opinião em inglês)

Synopsis: Fire isn't the only thing that can make a vampire burn.

Jack Valentine is no stranger to a manhunt, but usually she's the one doing the hunting. In retrospect, maybe her assassination attempt on the Primus – the most powerful Silver in existence – was a mistake. She probably shouldn’t have murdered her ex-girlfriend either, however necessary it seemed at the time. But if Jack could take back only one thing from that awful night, it would be telling Killian Drake that she... sort of likes him.

On the run from the Primus's guards and fearing retribution from at least three different directions, Jack has no option but to lie low. For a disaster-magnet like her, that's one hell of an ask, but she'd stay in hiding forever if it meant she could avoid Drake.

Unfortunately, she didn't walk away from her murderous endeavours unscathed. With poison in her veins, Jack is now very literally hot-blooded, and getting hotter all the time. She needs Drake's healing kisses to keep herself from going up in flames, which forces them into just the kind of proximity she's trying to avoid.

One way or another, someone's about to get burned.

Valentine's Day is the fourth book in Josie Jaffrey’s Seekers series, an urban fantasy series set in Oxford, England.
Buy the book: Amazon | Author's Website

Valentine’s Day is the fourth book in the Seekers series, an urban fantasy set in Oxford, and I swear… this series just keeps getting better with every book.

(Warning: if you haven’t read the previous books in the series, don’t continue reading this review, as it naturally contains spoilers from earlier events.)

So, after the (terrible) decisions Jack made in the previous book, she’s literally caught between life and death: either she dies at the hands of Primus… or from the poison running through her veins.

And the best part: do you know the one thing that keeps her alive (even if only temporarily)? Drake’s kiss 😭😂💀

Have I said that I ship these two? Yes! But in this book, even though I didn’t think it was possible, the ship intensifies even more.

But of course… nothing is easy. Since the cure isn’t permanent and has to be administered repeatedly, it only delays the inevitable, forcing Jack to confront Drake’s feelings for her and her refusal to admit her own.

I loved the slow burn, but in the middle of so much denial, I just wanted to shake Jack and say: “Admit you love him already!”

Aside from the romance, I love that there’s always an investigation case to solve, which helps us better understand how the world of the Silver works. Even with the Seekers extinct, the former members simply can’t stop investigating (and thankfully so, because it helps expand the Silver world).

As I mentioned in my review of the previous book, Winta’s Day is a story about decisions, which makes Valentine’s Day a story about the consequences that follow.

Disclaimer: This book was provided to me by the author in exchange for an honest review. This partnership does not influence my opinion of the work.

Rating: ★★★ (4,5/5)

With love, Brenda


Opinião em Português:

Compra o livro: Amazon Author's Website


Valentine’s Day é o quarto livro da série Seekers, uma fantasia urbana passada em Oxford, e eu juro… esta série só fica melhor a cada livro.

(Alerta: Caso não tenhas lido os livros anteriores da série, não avances na leitura desta opinião, pois, naturalmente, existem spoilers de acontecimentos anteriores.)

Então, depois das (péssimas) decisões que tomou no livro anterior, Jack está literalmente entre a vida e a morte: ou morre às mãos do Primus… ou do veneno que lhe corre nas veias.

E a melhor parte: sabem qual é a única coisa que a mantém viva (ainda que temporariamente)? O beijo do Drake 😭😂💀

Eu já disse que shipo destes dois? Já vos disse que faço ship da Jack com o Drake? Já! Mas, neste livro, ainda que achasse que isso não era possível, o ship intensifica-se ainda mais.

Mas claro… nada é fácil. Como a cura não é definitiva e ter que ser feita recorrentemente, apenas adia o desfecho final, e isso obriga Jack a lidar com o que Drake sente por ela e o que ela própria sente por ele e se recusa a admitir.

Adorei o slow burn, mas, no meio de tanta negação, apetecia dar uns abanões na Jack e dizer: “Admite que o amas!”

À parte do romance, adoro que exista sempre um caso policial para resolver, que nos permite perceber melhor como funciona o mundo dos Silver. Mesmo com os Seekers extintos, os antigos membros simplesmente não conseguem deixar de investigar e, ainda bem, nós agradecemos, pois isso ajuda a explorar o mundo dos Silver.

Como vos disse na minha opinião do livro anterior, Winta’s Day é um livro sobre decisões, o que faz com que Valentine’s Day seja um livro sobre as consequências que se seguem.

Disclaimer: Este livro foi-me cedido pela autora em troca de uma opinião honesta. A parceria não altera a minha opinião sobre a obra.

Classificação: ★★★ (4,5/5)

Com amor, Brenda

sábado, 18 de abril de 2026

Winta's Day (Seekers #3) | Josie Jaffrey

(opinião em português depois da opinião em inglês)


Synopsis: Vampires are hardwired to kill. Is it any wonder that some become experts?

Jack Valentine is in trouble. The Seekers are living on borrowed time, her ex-girlfriend has gone missing in suspicious circumstances, and someone's sent her a seriously twisted love letter attached to a hanged man. It’s not that she doesn’t appreciate the sentiment, and sure, the guy deserved everything he got, but even Jack knows that expressions of affection don't usually involve murder.

It’s not the first time Jack’s questionable romantic choices have caused problems. Her latest disaster ended with her nemesis, Drake, buggering off to Europe on an extended sexcation, leaving her to face the consequences of the worst walk-of-shame of her life alone. Dealing with that was bad enough, but now her fellow Seekers are poking their noses into Jack’s love life in a case that threatens to be their last.

Jack has two options: toe the line or go rogue. And with her team falling apart around her, rebellion's starting to sound pretty sweet.

Winta's Day  is the third book in Josie Jaffrey’s Seekers series, an urban fantasy series set in Oxford, England.


Buy the book: Amazon | Author's Website

Winta’s Day is an urban fantasy set in Oxford and the third book in the Seekers series (May Day opinion HERE; Judgment Day opinion HERE). Jack Valentine is a member of the Seekers, a kind of police force for the Silvers (vampires), responsible for keeping their existence a secret from humans.

As if keeping the vampires' existence a secret wasn’t already complicated enough, Jack finds herself in trouble when she’s left a love note pinned to a man who disintegrates right in front of her.

After the events of the previous book (Judgment Day), Jack is disappointed with everything and everyone: her (now) ex-girlfriend Tabitha betrayed her by working undercover for the Solis Invicti (a sort of “royal guard” to the Primus, the ruling Silver) and is now missing, her best friend Cam seems intent on joining them and her Seekers squad has seen better days. And as if that wasn’t enough to deal with… Winta returns.

Winta is the one who turned Jack into a vampire and then disappeared. Since then, despite searching for her, Jack never found her again, and Winta became that lingering “what if” love. So her return, at such a vulnerable moment, affects Jack even more deeply.

Winta first appears in the prequel Killian’s Dead. I’ll be honest: I never liked her and this book only reinforced that. Their relationship continues to feel toxic and frustrating. Jack loses her essence around her, and every interaction between them just annoyed me.

In contrast, I absolutely loved (as always) Jack’s friendship with Cam (the perfect friend 🫶 and when he messes up, we forgive him) and… of course, my ship: Jack and Drake (🥰🥵).

Apart from the policial investigation in this book, Winta’s Day is ultimately a story about the different relationships in Jack’s life: past, present, and future. It brings unexpected revelations, difficult and dangerous choices and promises of eternal love.

I’d like to thank the author for providing me with an eARC in exchange for an honest review (even though I ended up reading a physical copy - because I love these books so much that I always end up buying them to have them all looking pretty on my shelf 😀).

Rating: ★★★ (5/5)

With love, Brenda


Opinião em Português:

Compra o livro: Amazon Author's Website

Winta’s Day é uma fantasia urbana passada em Oxford e o 3.º livro da série Seekers (as reviews dos outros livros estão disponíveis aqui: May Day e Judgment Day). Jack Valentine é membro dos Seekers, uma espécie de polícia dos Silvers (vampiros), responsável por manter o segredo da sua existência para os humanos.

Como se manter o segredo dos vampiros não se esteja já a complicar, Jack vê-se em apuros quando lhe deixam um bilhete amoroso preso a um homem que se desintegra à sua frente.

Depois dos eventos do livro anterior (Judgment day), Jack está desiludida com tudo e todos: com a (agora) ex-namorada, Tabitha, que a traiu ao trabalhar infiltrada para os Solis Invicti (que são uma espécie de “guarda real” do Primus, o Silver que governa) e agora está desaparecida, o seu melhor amigo, Cam, parece querer juntar-se a eles e a sua equipa dos Seekers já teve melhores dias. E, como se já não tivesse tanto com que lidar… Winta regressa.

Winta foi quem transformou Jack em vampira e desapareceu depois disso. Desde então, apesar de procurá-la, Jack nunca a encontrou e Winta tornou-se naquele amor “e se?”. Por isso, o regresso de Winta, num momento tão frágil, mexe ainda mais com Jack.

A Winta aparece pela primeira vez na prequela “Killian’s Dead”. Confesso que nunca gostei dela e aqui isso só se intensificou. A relação entre elas continua a ser tóxica e frustrante. Jack perde a sua essência e cada interação entre as duas só me dava ranço.

Em contraste, adorei, como sempre, a amizade com Cam (que é só o amigo perfeito 🫶 e se ele erra nós passamos pano) e… claro, o meu ship Jack e Drake (🥰🥵).

Além da investigação policial que decorre neste livro, considero que Winta’s Day é, principalmente, um livro sobre as várias relações da vida de Jack: as do passado, as do presente e as do futuro. É um livro que traz revelações inesperadas, decisões difíceis e perigosas e promessas de amor eterno.

Agradeço à autora o envio de um eARC deste livro em troca de opinião honesta (ainda que o tenha lido em formato físico, pois gosto tanto dos seus livros que acabo sempre por comprar os exemplares para os ter todos bonitinhos na estante 😀).

Classificação: ★★★ (5/5)

Com amor, Brenda



sexta-feira, 3 de abril de 2026

Condenação | Pedro Almeida Maia


Publicado em junho de 2025, Condenação - A História de um Gangster Açoriano na América, de Pedro Almeida Maia, é a terceira obra de Pedro Almeida Maia que aborda a emigração açoriana.

A ação deste livro decorre nos anos 20 nos Estados Unidos da América durante a Lei Seca, onde conhecemos a história de Salvador Silver, um micaelense que, vindo de uma família em busca de uma vida desafogada e livre que só os EUA naquela altura podiam proporcionar, se tornou gangster, e que, naturalmente, tem um quotidiano tudo menos aborrecido.

Condenação é um livro de capítulos curtos, mas com uma dinâmica narrativa rica em informações históricas e pormenores significativos da época em que a história decorre.

Ao contrário dos restantes, esta leitura demorou um pouco mais a fluir. Não pela escrita, que considero sempre exímia e admiro o talento do PAM em se reinventar e adequar a narração ao tipo de história que quer contar, mas sim pelo protagonista e pela forma como o narrador o apresenta: um homem que não aprende com os seus erros e que culpa a ausência do pai pelas suas más decisões. E se o pai não tivesse falecido? E se a família nunca tivesse emigrado? Tudo parece servir de desculpa para não se ter tornado no homem que deveria ser. Não simpatizei com essa falta de autorresponsabilização.

Não obstante, consigo entender perfeitamente que a personagem foi construída assim com um propósito, pois à medida que avançamos na leitura e o tempo passa na narrativa, percebemos que Salvador, seja por força do destino ou pelas suas próprias ações, caminha inevitavelmente para a autodestruição. E, sendo o livro baseado em factos reais, o desfecho não foge muito daquilo que já aconteceu.

A leitura começou realmente a ganhar ritmo para mim quando Salvador tenta reparar as injustiças em que esteve (in)diretamente envolvido, e o livro revelou-se surpreendentemente atual: apontar o dedo ao emigrante é sempre mais fácil e aquele Estado prefere não dar o braço a torcer do que admitir que a justiça falhou, mesmo que isso implique sacrificar a vida de um ou dois imigrantes errados pelo caminho.

Qualquer opinião sobre este livro ficará sempre aquém daquilo que gostaria de expressar, pois trata-se, indubitavelmente, de uma leitura difícil, pela dureza da história que retrata e por um final que se adivinha. É uma obra riquíssima em pesquisa de um tempo e de uma história açoriana que eu desconhecia até ler "Condenação" .

Agradeço ao autor a cedência desta obra em troca de opinião honesta. A cedência do exemplar em nada afetou a minha opinião sobre o livro.

Classificação: ★★★★☆ (4/5)

Com amor, Brenda


quarta-feira, 25 de junho de 2025

Um Mês de Açores - Entrevista Inês Rodrigues e Melo

Com o #UmMêsdeAçores quase a terminar, não podia deixar de vos trazer uma entrevista da Inês Rodrigues e Melo (@bookish_dandelion_girl), natural da ilha de São Miguel.

A Inês publicou Brilho Tóxico no ano passado e ouvi dizer (👀) que se encontra altamente pressionada para terminar a continuação o quanto antes. 😂



1. Há cerca de 1 ano publicaste o teu primeiro livro, Brilho Tóxico. Como tem sido ver a tua obra nas mãos (e estantes!) dos leitores?

Honestamente é quase surreal. Parece um sonho, mesmo passado este tempo todo. Sinto assim um orgulho cada vez que consigo falar diretamente com um leitor que já vivenciou as emoções de “Brilho Tóxico”. E quando entro numa livraria procuro sempre por um cópia do meu menino. Se há, fico a gritar internamente como uma criança a pensar “É meu! Eu escrevi isto”, e com vontade de dizer a todos os que estiverem presentes. Mas ainda não tive a coragem para isso…


2. Qual foi o maior desafio que enfrentaste ao dar forma a esta história?

Ao dar forma foi sem dúvida encontrar a minha voz, porque maioritariamente até começar a experimentar com BT só tinha escrito fanfics, logo entrava na cabeça de personagens não minha. Por isso criar algo num universo novo, com personagens totalmente pensadas por mim, com um voz que era eu a dar-lhe foi o primeiro desafio. Não foi tão bem sucedido assim porque muita gente diz que me imagina como a Iris, sobretudo na forma de falar… Mas vamos melhorando! E, sem dúvida, escrever o meio da história quando queremos tanto chegar a um fim já imaginado!

3. Podemos já vislumbrar no horizonte a continuação de Brilho Tóxico?

Acho que já esteve mais longe! Vou ser sincera e dizer que a experiência de publicar BT, apesar de ser um sonho tornado realidade, foi um sonho um pouco envenenado. Não correu como esperava e, por isso, a minha escrita parou simplesmente. Mas agora estou energias literárias renovadas, com ideias e com vozes na minha cabeça (de um menino em especial). Ou seja, acho que o segundo se vai acabar de escrever muito mais rápido. E depois é convencermos todos a SDE que BT2 tem de sair. Temos de vender mais, vendemos! Eu não vou desistir! Quero que o leiam, acima de tudo. Não há nada pior que uma história inacabada…

4. Tens algum lugar preferido para escrever?

Honestamente 80% do que já escrevi até hoje foi no meu telemóvel, deitada na minha cama… Para limar arestas e editar já é trabalho de computador, e nesse caso tem de ser na secretária do meu quarto.

5. Qual é o teu autor e livro favoritos?

Ai as perguntas que não se fazem… É difícil escolher. Enquanto inspiração a Stephanie Garber está no topo. Adorava fazer sinestesias como ela, e um dia criar um vilão que adoramos amar, tal como o Jack. Em termos de livros, para além dos dela, sem dúvida a coleção ACOTAR tem o meu coração!

6. Há alguma paisagem da ilha de São Miguel que te inspire de forma especial?

Cada vez que vou a uma paisagem bonita, há qualquer coisa que se forma no fundo da minha cabeça… Descer até às Sete Cidades faz-me sentir em Forks e desperta logo a minha criatividade e leva-me para mundos fantásticos. No entanto, um dos sítios que sempre adorei desde criança foi a árvore de borracha do Jardim António Borges. Sempre me fez lembrar uma casa de fadas, ou algo mágico, acabando por ser a inspiração para a árvore da vida que aparece em Brilho Tóxico!

7. Que conselhos deixarias a escritores açorianos que sonham com o seu primeiro livro nas mãos?

Nunca pensem que sermos de uma ilha nos torna inferiores ou nos dá menos oportunidades! Obviamente não é fácil, mas com tanta paisagem bonita, tanta magia e inspiração até na nossa própria história, só pode sair das vossas mãos algo digno de chegar às estantes. Não desistam, “sagrados”! Os sonhos açorianos também se tornam realidade e têm um sabor extra especial! E estou sempre disponível para ajudar, ou tentar, no que precisarem.


Gostaram desta entrevista? Não se esqueçam de espreitar o instagram da Inês (@bookish_dandelion_girl).

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que promove a divulgação de livros sobre as ilhas do arquipélago dos Açores, que se encontra a decorrer todo o mês de junho.

Com amor, Brenda

domingo, 22 de junho de 2025

Um Mês de Açores - Entrevista Daniela Sampaio

Hoje no #UmMêsdeAçores trago-vos a entrevista que fiz à Daniela do ig @danielaslibrary, uma bookstagrammer natural da ilha de São Miguel e que reside atualmente na ilha das Flores.


1. O que te inspirou a criar uma conta de bookstagram?

Por acaso, o meu bookstagram atual não é a minha primeira conta literária. Tinha criado uma outra numa altura em que ainda era muito ativa no mundo dos blogues e as pessoas estavam ou a mudar para o bookstagram de vez, ou a experimentar algo novo, mas mantendo a sua presença mais baseada na escrita. Entretanto, essa tal primeira conta foi eliminada. Depois, ao sentir saudades de tirar fotografias e falar brevemente sobre livros, decidi voltar para o bookstagram, com o agora @danielaslibrary.


2. Qual foi o livro que mais te marcou até hoje e porquê?

Penso que, tal como muitos outros leitores, tenho mais do que um livro que pertença a esta categoria, mas destaco Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins. Foi o que me deu a certeza absoluta de que a leitura é mesmo a minha grande paixão a nível cultural e como hobby também.

3. Enquanto professora e bookstagrammer, como descreverias a comunidade literária em geral nos Açores? Sentes que há um interesse crescente pela leitura?

Como professora, tenho sido surpreendida pela positiva pelos alunos. Claro que encontro muitos que dizem que a leitura é uma seca e que afirmam não querer ler nada com muitas páginas, mas tenho outros que têm alguns livros em casa e falam comigo sobre as suas leituras ao verem que também gosto de ler. Quanto à comunidade literária em si, quanto a criadores açorianos, penso que ainda somos poucos e sofremos um pouco devido a questões geográficas relativamente a oportunidades de parceiras e a idas a eventos literários importantes e/ou interessantes.

4. O que tens a dizer sobre a importância de uma biblioteca escolar numa comunidade como a ilha das Flores, onde o acesso físico aos livros pode ser um desafio.

É de extrema importância. A biblioteca escolar faz todos os possíveis com os poucos recursos que tem, mas, infelizmente, os nossos governantes desvalorizam imenso a leitura e a literatura e não dão apoios suficientes a bibliotecas escolares, por exemplo. Quase não há investimento. Há um certo sentimento de abandono e de necessidade de correr mundos e fundos para, principalmente em locais mais recônditos, os jovens conseguirem ter algum acesso a livros.

5. Já tiveste alguma interação especial com um autor ou seguidor que te tenha marcado?

Gostei muito de conhecer a Chloe Gong, que achou piada quando lhe ofereci um postal de uma paisagem micaelense! Também gostei de falar com a Teolinda Gersão sobre um conto que ela escreveu sobre a menina que inspirou Alice no País da Maravilhas, que é algo que muita gente desconhece.

6. Que livro açoriano tens muita curiosidade em ler?

Quero ler a continuação de Brilho Tóxico, de Inês Rodrigues e Melo. Inês, força nessa escrita!

7. Tens algum local favorito da ilha das Flores? E na ilha de São Miguel?

Quanto às Flores, gosto muito da Fajã Grande! Quanto a São Miguel, adoro as Furnas!


Gostaram desta entrevista? Não se esqueçam de espreitar o instagram da Daniela (@danielaslibrary).

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que promove a divulgação de livros sobre as ilhas do arquipélago dos Açores, que se encontra a decorrer todo o mês de junho.

Com amor, Brenda

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Um Mês de Açores - Entrevista Lucy Angel

Hoje no "Um Mês de Açores" é dia de conhecerem a Lucy Angel, a autora da série Oceânia, que escreveu o segundo livro da série, Terrium, durante a sua residência nos Açores.

1. Escreveste uma parte de Terrium durante a tua residência nos Açores. Achas que viver numa ilha te ajudou a dar forma a esta história?

Muito! A minha história é ambientada no mar, então viver numa ilha, rodeada daquele maravilhoso mar por todo o lado, foi muito inspirador.

2. Como foi a experiência de viver numa ilha?

Foi incrível e desafiadora! Tem muita coisa boa, como dar dois passos e estar no mar, paisagens lindas, o ar puro, o facto de ser uma comunidade pequena e acolhedora... mas também pode ser sufocante. Temos muitos dias de chuva, o que faz uma pessoa sentir falta do Sol e o verão é bastante abafado! Porém, para mim, foi uma experiência incrível e um pedaço do meu coração ficará permanentemente nos Açores.

3. O que é que os leitores podem esperar de Terrium?

Uma viagem intensa, com as emoções à flor da pele, adrenalina, tensão, reviravoltas inesperadas e migalhas de um romance inevitável.

4. Há algum livro açoriano que tens muita curiosidade em ler?

Não é propriamente açoriano mas passa-se nos Açores: as Crónicas da Terra e do Mar da Sandra Carvalho. É uma fantasia ambientada nas ilhas, o que me parece incrível!

5. Tens algum lugar preferido para escrever?

Quando estava a viver no Pico, tinha um terraço incrível na casa onde morava onde adorava escrever. Mas, no geral, não tenho nenhum sítio especial.

6. Há alguma paisagem da ilha do Pico que te inspire de forma especial?

A montanha do Pico, sem dúvida. Serviu de inspiração para o cenário principal de Terrium e conquistou o meu coração.


7. Dá-nos três bons motivos para as pessoas visitarem a ilha do Pico.

É um dos melhores sítios do mundo para ver baleias e golfinhos; a montanha do Pico, seja para a subir ou só para apreciar a paisagem; as pessoas e as suas tradições, nomeadamente as festas das terrinhas e os bailes de chamarritas (dança tradicional do Pico).


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Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que promove a divulgação de livros sobre as ilhas do arquipélago dos Açores, que se encontra a decorrer todo o mês de junho de 2025.

Com amor, Brenda