quarta-feira, 25 de junho de 2025
Um Mês de Açores - Entrevista Inês Rodrigues e Melo
Com o #UmMêsdeAçores quase a terminar, não podia deixar de vos trazer uma entrevista da Inês Rodrigues e Melo (@bookish_dandelion_girl), natural da ilha de São Miguel.
A Inês publicou Brilho Tóxico no ano passado e ouvi dizer (👀) que se encontra altamente pressionada para terminar a continuação o quanto antes. 😂
Honestamente é quase surreal. Parece um sonho, mesmo passado este tempo todo. Sinto assim um orgulho cada vez que consigo falar diretamente com um leitor que já vivenciou as emoções de “Brilho Tóxico”. E quando entro numa livraria procuro sempre por um cópia do meu menino. Se há, fico a gritar internamente como uma criança a pensar “É meu! Eu escrevi isto”, e com vontade de dizer a todos os que estiverem presentes. Mas ainda não tive a coragem para isso…
Ao dar forma foi sem dúvida encontrar a minha voz, porque maioritariamente até começar a experimentar com BT só tinha escrito fanfics, logo entrava na cabeça de personagens não minha. Por isso criar algo num universo novo, com personagens totalmente pensadas por mim, com um voz que era eu a dar-lhe foi o primeiro desafio. Não foi tão bem sucedido assim porque muita gente diz que me imagina como a Iris, sobretudo na forma de falar… Mas vamos melhorando! E, sem dúvida, escrever o meio da história quando queremos tanto chegar a um fim já imaginado!
Acho que já esteve mais longe! Vou ser sincera e dizer que a experiência de publicar BT, apesar de ser um sonho tornado realidade, foi um sonho um pouco envenenado. Não correu como esperava e, por isso, a minha escrita parou simplesmente. Mas agora estou energias literárias renovadas, com ideias e com vozes na minha cabeça (de um menino em especial). Ou seja, acho que o segundo se vai acabar de escrever muito mais rápido. E depois é convencermos todos a SDE que BT2 tem de sair. Temos de vender mais, vendemos! Eu não vou desistir! Quero que o leiam, acima de tudo. Não há nada pior que uma história inacabada…
Honestamente 80% do que já escrevi até hoje foi no meu telemóvel, deitada na minha cama… Para limar arestas e editar já é trabalho de computador, e nesse caso tem de ser na secretária do meu quarto.
Ai as perguntas que não se fazem… É difícil escolher. Enquanto inspiração a Stephanie Garber está no topo. Adorava fazer sinestesias como ela, e um dia criar um vilão que adoramos amar, tal como o Jack. Em termos de livros, para além dos dela, sem dúvida a coleção ACOTAR tem o meu coração!
Cada vez que vou a uma paisagem bonita, há qualquer coisa que se forma no fundo da minha cabeça… Descer até às Sete Cidades faz-me sentir em Forks e desperta logo a minha criatividade e leva-me para mundos fantásticos. No entanto, um dos sítios que sempre adorei desde criança foi a árvore de borracha do Jardim António Borges. Sempre me fez lembrar uma casa de fadas, ou algo mágico, acabando por ser a inspiração para a árvore da vida que aparece em Brilho Tóxico!
Nunca pensem que sermos de uma ilha nos torna inferiores ou nos dá menos oportunidades! Obviamente não é fácil, mas com tanta paisagem bonita, tanta magia e inspiração até na nossa própria história, só pode sair das vossas mãos algo digno de chegar às estantes. Não desistam, “sagrados”! Os sonhos açorianos também se tornam realidade e têm um sabor extra especial! E estou sempre disponível para ajudar, ou tentar, no que precisarem.
Gostaram desta entrevista? Não se esqueçam de espreitar o instagram da Inês (@bookish_dandelion_girl).
Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que promove a divulgação de livros sobre as ilhas do arquipélago dos Açores, que se encontra a decorrer todo o mês de junho.
domingo, 22 de junho de 2025
Um Mês de Açores - Entrevista Daniela Sampaio
Hoje no #UmMêsdeAçores trago-vos a entrevista que fiz à Daniela do ig @danielaslibrary, uma bookstagrammer natural da ilha de São Miguel e que reside atualmente na ilha das Flores.
1. O que te inspirou a criar uma conta de bookstagram?
Por acaso, o meu bookstagram atual não é a minha primeira conta literária. Tinha criado uma outra numa altura em que ainda era muito ativa no mundo dos blogues e as pessoas estavam ou a mudar para o bookstagram de vez, ou a experimentar algo novo, mas mantendo a sua presença mais baseada na escrita. Entretanto, essa tal primeira conta foi eliminada. Depois, ao sentir saudades de tirar fotografias e falar brevemente sobre livros, decidi voltar para o bookstagram, com o agora @danielaslibrary.
2. Qual foi o livro que mais te marcou até hoje e porquê?
Penso que, tal como muitos outros leitores, tenho mais do que um livro que pertença a esta categoria, mas destaco Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins. Foi o que me deu a certeza absoluta de que a leitura é mesmo a minha grande paixão a nível cultural e como hobby também.
3. Enquanto professora e bookstagrammer, como descreverias a comunidade literária em geral nos Açores? Sentes que há um interesse crescente pela leitura?
Como professora, tenho sido surpreendida pela positiva pelos alunos. Claro que encontro muitos que dizem que a leitura é uma seca e que afirmam não querer ler nada com muitas páginas, mas tenho outros que têm alguns livros em casa e falam comigo sobre as suas leituras ao verem que também gosto de ler. Quanto à comunidade literária em si, quanto a criadores açorianos, penso que ainda somos poucos e sofremos um pouco devido a questões geográficas relativamente a oportunidades de parceiras e a idas a eventos literários importantes e/ou interessantes.
4. O que tens a dizer sobre a importância de uma biblioteca escolar numa comunidade como a ilha das Flores, onde o acesso físico aos livros pode ser um desafio.
É de extrema importância. A biblioteca escolar faz todos os possíveis com os poucos recursos que tem, mas, infelizmente, os nossos governantes desvalorizam imenso a leitura e a literatura e não dão apoios suficientes a bibliotecas escolares, por exemplo. Quase não há investimento. Há um certo sentimento de abandono e de necessidade de correr mundos e fundos para, principalmente em locais mais recônditos, os jovens conseguirem ter algum acesso a livros.
5. Já tiveste alguma interação especial com um autor ou seguidor que te tenha marcado?
Gostei muito de conhecer a Chloe Gong, que achou piada quando lhe ofereci um postal de uma paisagem micaelense! Também gostei de falar com a Teolinda Gersão sobre um conto que ela escreveu sobre a menina que inspirou Alice no País da Maravilhas, que é algo que muita gente desconhece.
6. Que livro açoriano tens muita curiosidade em ler?
Quero ler a continuação de Brilho Tóxico, de Inês Rodrigues e Melo. Inês, força nessa escrita!
7. Tens algum local favorito da ilha das Flores? E na ilha de São Miguel?
Quanto às Flores, gosto muito da Fajã Grande! Quanto a São Miguel, adoro as Furnas!
Gostaram desta entrevista? Não se esqueçam de espreitar o instagram da Daniela (@danielaslibrary).
quinta-feira, 19 de junho de 2025
Um Mês de Açores - Entrevista Lucy Angel
Hoje no "Um Mês de Açores" é dia de conhecerem a Lucy Angel, a autora da série Oceânia, que escreveu o segundo livro da série, Terrium, durante a sua residência nos Açores.
1. Escreveste uma parte de Terrium durante a tua residência nos Açores. Achas que viver numa ilha te ajudou a dar forma a esta história?
Muito! A minha história é ambientada no mar, então viver numa ilha, rodeada daquele maravilhoso mar por todo o lado, foi muito inspirador.
2. Como foi a experiência de viver numa ilha?
Foi incrível e desafiadora! Tem muita coisa boa, como dar dois passos e estar no mar, paisagens lindas, o ar puro, o facto de ser uma comunidade pequena e acolhedora... mas também pode ser sufocante. Temos muitos dias de chuva, o que faz uma pessoa sentir falta do Sol e o verão é bastante abafado! Porém, para mim, foi uma experiência incrível e um pedaço do meu coração ficará permanentemente nos Açores.
3. O que é que os leitores podem esperar de Terrium?
Uma viagem intensa, com as emoções à flor da pele, adrenalina, tensão, reviravoltas inesperadas e migalhas de um romance inevitável.
4. Há algum livro açoriano que tens muita curiosidade em ler?
Não é propriamente açoriano mas passa-se nos Açores: as Crónicas da Terra e do Mar da Sandra Carvalho. É uma fantasia ambientada nas ilhas, o que me parece incrível!
5. Tens algum lugar preferido para escrever?
Quando estava a viver no Pico, tinha um terraço incrível na casa onde morava onde adorava escrever. Mas, no geral, não tenho nenhum sítio especial.
6. Há alguma paisagem da ilha do Pico que te inspire de forma especial?
A montanha do Pico, sem dúvida. Serviu de inspiração para o cenário principal de Terrium e conquistou o meu coração.
7. Dá-nos três bons motivos para as pessoas visitarem a ilha do Pico.
É um dos melhores sítios do mundo para ver baleias e golfinhos; a montanha do Pico, seja para a subir ou só para apreciar a paisagem; as pessoas e as suas tradições, nomeadamente as festas das terrinhas e os bailes de chamarritas (dança tradicional do Pico).
sexta-feira, 13 de junho de 2025
Um Mês de Açores - Entrevista Marlene (Pausa para Voar)
Conheçam a Marlene, criadora de conteúdos no instagram @pausa.para.voar, nesta pequena entrevista feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que se encontra a decorrer todo o mês de junho.
A Marlene é natural da ilha do Pico. ☺️
A Marlene é natural da ilha do Pico. ☺️
1. O que te inspirou a criar uma conta de bookstagram?
Descobri o que era o bookstagram em 2021 por acaso. A primeira conta que conheci foi @marcador.inquieto da Nicole Silveira, uma picarota como eu e chamou-me a atenção as fotos espectaculares que ela tinha com livros. Até essa altura não fazia ideia que existia todo este mundo virtual sobre livros. A partir daí comecei a explorar e a pesquisar mais informações sobre o significado e identifiquei-me muito com o que encontrava porque sempre gostei muito de ler. Costumava ler muito até ir para a faculdade, depois ganhei o hábito de ler apenas artigos científicos e livros relacionados com a psicologia e deixei a parte prazerosa da leitura para trás. Até que chegou a pandemia e voltei a ler mais ficção e géneros literários que gostava apenas para me distrair e não para trabalho. Foi mais ou menos no tempo certo que descobri esta partilha sobre leituras e o gosto pelas mesmas e decidi criar o @pausa.para.voar, porque sentia que precisava de arranjar pausas para desfrutar de um bom livro e pensar noutras coisas que não o trabalho.
2. Qual a tua leitura atual?
Neste momento a minha leitura atual é "A qualquer momento" de Liane Moriarty.
3. Que livro açoriano recomendas?
O primeiro livro açoriano que fala sobre os Açores que me vem à cabeça é o "Escrava Açoriana" do Pedro Almeida Maia. O livro inicia-se no ano da Graça de 1873 e acompanhamos a vida de Rosário, uma açoriana adolescente que ambiciona uma vida melhor.
Num tempo em que as mulheres não podiam fazer quase nada sem olhares discriminatórios e tinham de andar de capote, ela acaba por realizar uma viagem de navio rumo ao Rio de Janeiro, com a promessa de melhores condições.
Gostei muito desta história, dos pormenores que o autor escreveu e das reviravoltas da vida sofrida de Rosário.
Como açoriana senti um gosto especial porque tal como Rosário, já ouvi de familiares outras histórias sofridas da procura de melhores vidas e condições.
Deixo-vos uma das passagens que adorei:
"Sensação de pequenez. Se há algo que se tenha mantido imutável com o passar dos milénios, é a sensação de pequenez perante a grandeza do mar. Com os pés descalços na areia molhada à beira de um penhasco ou a bordo de um navio, o oceano sempre fascinou a humanidade. Continuará a fazê-lo sem nenhum esforço. Sem nenhum esforço."
4. Que livro açoriano tens muita curiosidade em ler?
"O segredo dos Açores" de Pedro M. Duarte.
5. Qual o teu autor e livro favorito?
É difícil escolher um autor favorito porque há muitos que gosto e sinto que escolho mais por géneros literários e pelo mood do que me apetece ler. Em relação a autores portugueses gosto muito dos livros do José Rodrigues dos Santos, e um autor estrangeiro que também gosto muito é o Robert Bryndza.
6. Já tiveste alguma interação especial com um autor ou seguidor que te tenha marcado?
Desde que tenho bookstagram já tive interações com alguns autores portugueses que respeito e gosto muito do seu trabalho, mas a interação mais especial para mim foi com a autora de "Amor que nos Corrói", Iara Andrade. Conhecia a Iara dos tempos de escola mas não partilhávamos os mesmos círculos de amigos e, no ano passado, ficámos amigas através de um clube de leitura que existe na nossa biblioteca municipal. Com esta aproximação a Iara pediu-me para ler o seu manuscrito, o qual fiz com muito gosto e ainda tive o privilégio de fazer a apresentação do mesmo na nossa biblioteca. Para mim foi um momento muito especial porque partilhei a felicidade dela de lançar o seu primeiro livro.
7. Qual o teu local favorito da ilha?
Neste momento o meu lugar preferido na ilha é na barca, na madalena. Há uma zona em que nos podemos sentar à beira mar em que do lado do mar vemos os ilhéus e a ilha do Faial e do lado da terra ficamos com uma vista espetacular para a montanha do pico.
8. Dá-nos três bons motivos para as pessoas visitarem a ilha do Pico
Há mais do que três razões para visitar o Pico, as minhas preferidas são a calma e tranquilidade de uma ilha, a gastronomia que é deliciosa e toda a beleza do verde da natureza contrastante com o preto da rocha vulcânica.
Gostaram desta entrevista? Não se esqueçam de espreitar o instagram da Marlene (@pausa.para.voar).
domingo, 8 de junho de 2025
Um Mês de Açores - Entrevista Miguel Leite (A Estante do Miguel)
Hoje é dia de conhecerem o Miguel Leite, criador de conteúdos no instagram @estante_do_miguel97. O Miguel é natural da ilha de São Miguel.
1. Como surgiu a ideia de criar um bookstagram?
A ideia de criar um bookstagram surgiu através de um amigo meu que já tinha um. Como sempre gostei muito de ler, ele disse-me que tinha perfil para isso e decidi experimentar.
2. Qual a tua leitura atual?
Neste momento estou a ler o primeiro livro da saga O Colégio do Templo, do autor Nuno Bernardo.
3. Qual o teu sítio favorito para comprar livros?
O meu sítio preferido para comprar livros é a Bertrand do Parque Atlântico.
4. Que livro açoriano recomendas?
Recomendo Todo Este Silêncio, do Paulo Ramalho — um livro de um autor que mora na ilha de Santa Maria que gostei de ler.
5. Que livro açoriano tens muita curiosidade em ler?
Tenho muita curiosidade em ler A Escrava Açoriana, de Pedro Almeida Maia.
6. Qual o teu autor e livro favorito?
O meu autor preferido é o Adam Silvera e o meu livro de eleição é No Final Morrem os Dois.
7. Já tiveste alguma interação especial com um autor ou seguidor que te tenha marcado?
Sim, já tive algumas interações especiais que me marcaram, tanto com autores como com seguidores. Uma das mais memoráveis foi no ano passado, na Feira do Livro de Lisboa, quando tive a oportunidade de conhecer o autor Joel Dicker. Falei um pouco com ele sobre o seu livro “A Verdade sobre o Caso Harry Quebert”, que continua a ser um dos melhores livros que já li até hoje. Foi um momento muito especial, tanto por conhecer o autor como por poder partilhar com ele o impacto que a sua obra teve em mim. Também já recebi mensagens muito queridas de seguidores da minha página, a dizerem que gostam muito do meu conteúdo e que, graças a ele, conseguiram melhorar os seus hábitos de leitura. Saber que, de alguma forma, estou a inspirar outras pessoas a ler mais é algo que me deixa verdadeiramente feliz e motivado a continuar.
8. Qual o teu local favorito da ilha?
O meu local preferido na ilha é a Lagoa das Furnas — adoro ir para lá relaxar, ler e meditar.
9. Dá-nos três bons motivos para as pessoas visitarem a ilha de São Miguel.
Três bons motivos para visitar a ilha de São Miguel? É uma ilha lindíssima, com pessoas muito simpáticas e uma gastronomia deliciosa!
Gostaram desta entrevista? Não se esqueçam de espreitar o instagram do Miguel (@estante_do_miguel97).
terça-feira, 3 de junho de 2025
Um Mês de Açores - Entrevista à bookstagrammer Vera Neves (Sinfonia dos Livros)
Hoje é dia de vos apresentar a Vera Neves, a bookstagrammer do Sinfonia dos Livros e dinamizadora do clube de leitura "Leitura Puxa Leitura".
Fiquem a conhecer um pouco mais sobre a Vera:
1. O que te inspirou a criar uma conta de bookstagram?
A ideia de criar o bookstagram foi apenas uma tentativa de estender o projeto que já tinha no blogspot. Sabes que hoje em dia, temos de nos adaptar às tendências e, depois da pandemia em que o Sinfonia ficou um pouco mais "esquecido" como blog, senti a necessidade de dar uma nova vida ao Sinfonia, que já muita gente conhecia e adaptar-me às tendências. Admito que, depois de criar o bookstagram para o Sinfonia, o blog por si só, acabou por ficar desatualizado porque, se já é difícil ter tempo sozinha para manter o Sinfonia activo nas redes sociais, é ainda mais complicado manter os dois sítios activos e sempre em dia. Por isso, opto por manter o Instagram do Sinfonia o mais em dia possível, pois é o que acaba por ir de encontro ao que os leitores procuram.
2. Tens um clube do livro, o Leitura Puxa Leitura. Como surgiu a ideia de criares um clube de leitura?
No início de 2024, resolvi criar um grupo de leitura associado ao Sinfonia porque fazia-me sentido. Juntar pessoas que gostam de ler em conjunto e partilhar as ideias ao longo da leitura, pareceu-me ser algo que fazia todo o sentido. Ao longo do ano passado tive a liberdade de pensar em várias iniciativas dentro do grupo para podermos juntar mais pessoas com o mesmo propósito: ler livros e socializar. É um grupo que, como sabes, tem algumas trocas temáticas ao longo do ano, várias leituras conjuntas mensais, e a opção de que se formem subgrupos de membros que querem ler, em conjunto, determinado livro, à parte do livro escolhido para ler naquele mês. Todas as leituras são escolhidas democraticamente e toda a gente pode sugerir algum livro que queira ler com o grupo, o mais votado é aquele que é seleccionado.
A ideia original era fazermos tudo pelo Discord, mas ao longo do ano fui vendo que a maioria não se sentia confortável a usar essa plataforma e mudamos para o Whatsapp visto que era a forma mais usada e mais confortável para todos os membros. Acabou por ser mais fácil e, ao mesmo tempo, mais privado porque conseguimos criar um grupo coeso e unido, onde toda a gente se sente à vontade para falar, não só de livros, mas também de assuntos que sentem que precisam de falar. É uma espécie de "sítio seguro" para muitos dos membros. Tenho muito orgulho no Clube e na família que conseguimos criar ao longo dos meses.
3. Qual a tua leitura atual?
Atualmente estou a ler o "Powerful" da Lauren Roberts.
4. Já tiveste alguma interação especial com um autor ou seguidor que te tenha marcado?
Desde que tenho o blog e o bookstagram já tive o privilégio de falar, virtualmente, com muita gente. Alguns autores nacionais e até alguns internacionais. A Penelope Ward foi uma das que consegui que me mandasse mensagem privada depois de alguns stories em que a tinha mencionado. É uma pessoa super simpática e acessível. Também já tenho alguma amizade com uma autora que gostaria muito que fosse publicada em Portugal, Vera Hollins. A Andreia Ramos, a Andreia Ferreira, a Célia Correia Loureiro e a Sandra Carvalho também são algumas das nossas autoras nacionais que muito me orgulho de conhecer e de conversar de vez em quando e não consigo dizer qual delas é a mais especial.
Em relação aos seguidores, como sabes, viver nas ilhas acaba por nos distanciar muito do resto do país que é onde estão praticamente todos os bookstagrammers e onde todas as iniciativas são feitas a nível de lançamentos de livros. Mas, lá está, com a ajuda do Clube Leitura Puxa Leitura, acabei por conhecer pessoas incríveis que agora fazem parte do meu dia a dia e que conto conhecer pessoalmente. Não posso esquecer do breve encontro que tive, em Julho passado, com a minha querida amiga Né das Algodão Doce, as quais já conhecia há muitos anos, (criámos os nossos blogues praticamente ao mesmo tempo), e fiquei de coração cheio. Espero ainda conhecer muitas mais de vocês.
5. Qual o teu autor e livro favorito?
Há alguns meses atrás diria que Colleen Hoover é a minha autora preferida, mas já tenho conhecido tantos bons autores que é difícil escolher apenas um. Como o meu género preferido é o tão recente Romantasy, posso dizer que Sarah J. Maas e Rebecca Yarros constam do top 3 de autores.
Livro preferido é que é muito mais complicado... Desde há muitos anos que sempre digo que "A Praia do Destino" da Anita Shréve é o livro da minha vida, no entanto, actualmente o meu livro preferido tem mesmo de ser Quarta Asa em conjunto com o Chama de Ferro (ainda não li o Tempestade de Onyx).
6. Qual o teu local favorito da ilha?
Temos sítios maravilhosos na nossa ilha, mas tenho mesmo de escolher o sítio onde moro como o meu sítio preferido. Moro a 50 metros do mar e a marginal que acompanha todos os dias o meu trajecto a casa é simplesmente fenomenal. Todos os dias, faça chuva ou faça sol, acordo com o cheirinho a mar e isso é maravilhoso.
7. Dá-nos três bons motivos para as pessoas visitarem a ilha de São Miguel
Isso é extremamente fácil.
As pessoas. São hospitaleiras e acessíveis (às vezes até demais). Os açorianos adoram receber e oferecer a quem nos visita histórias e curiosidades que ficam na memória de quem nos visita.
Os lugares maravilhosos e inesquecíveis que temos. Furnas, Sete Cidades, Lagoa do Fogo, Caldeira Velha e tantos outros que já fazem parte do itinerário de quem quer ter contacto directo com a nossa linda ilha. O próprio mar é diferente do mar de qualquer outro ponto do país.
A comida. Temos pratos tradicionais deliciosos que todos deveriam comer, pelo menos, uma vez na vida.
segunda-feira, 2 de junho de 2025
Um Mês de Açores - Entrevista à autora Iara Andrade
Olá, olá!
Chegou a primeira entrevista do desafio “Um Mês de Açores”! Hoje dou-vos a conhecer a obra de uma autora açoriana que acabou de lançar o seu primeiro livro: a Iara Andrade.
A Iara é da ilha do Pico e escreveu Amor que nos Corrói, um thriller publicado em novembro pela Nova Geração.
Já tive a oportunidade de ler o seu livro e posso dizer que fiquei muito surpreendida com a história que, apesar de ter os seus clichés, me fez ter ranço de algumas personagens e adorar outras (que nem dava nada por elas no início!).
Desejo muito sucesso à autora e estou ansiosa para acompanhar os seus próximos trabalhos.
A Iara estará na Feira do Livro de Lisboa no dia 22 de junho.
Mas por agora, fiquem a conhecer um pouco mais da autora:
1. Como te sentes agora que o teu livro está nas mãos (e estantes!) dos leitores?
É um misto de felicidade e ansiedade. Por um lado foi o concretizar de um sonho, mas por outro, estou constantemente preocupada com a opinião que os leitores vão ter acerca do livro. Já existe tanta coisa no mercado, existem tantos autores, os leitores já têm os seus autores favoritos e já têm bem explícito o que gostam e o que odeiam, e isso mexe com a minha parte nervosa, porque mesmo que saiba que não vou agradar a todos, a verdade é que o ser humano quer sempre agradar. Porém, estou orgulhosa e muito grata.
2. Como surgiu a ideia para este livro? Houve algum evento ou inspiração específica que desencadeou o processo criativo?
Se disser que me inspirei em traições conjugais que existiam à minha volta, vais acreditar? Porque inicialmente foi isso mesmo que inspirou o plot principal do livro. Um casal de amantes que acaba por sofrer na pele as consequências dos seus atos duvidosos. Era poético, poder castigar as pessoas que têm atitudes com as quais não me identifico, nas páginas de um livro. Mas confesso que isso durou cerca de uns meses. Depois visitei a ilha de São Jorge, e numa das fajãs, tive uma ideia bem clara do que queria que fosse a relação da Mallory e do William. E que acima de qualquer preconceito que tenho contra quem trai, queria, essencialmente, compreender todos os lados de uma história. Porque nem tudo na vida é preto no branco. Existem camadas, e eram essas mesmas que queria entender e explorar, ao colocar-me no lugar de todas as minhas personagens.
3. O que é que os leitores podem esperar de Amor que nos Corrói?
Acho que inicialmente vão achar que é um livro convencional, com algumas coisas óbvias ao longo do plot, mas depois, vão chegar ao final e perceber que afinal nada era como estavam a pensar. Portanto, esperem o inesperado.
4. Qual foi o maior desafio que enfrentaste durante o processo de escrita?
Vontade de escrever e respeitar prazos. A maioria das pessoas acha que escrever um livro é fácil. Eu achava isso. Agora que passei pelo processo, posso afirmar que de fácil não tem nada. No meu caso, sofro de ansiedade, tenho défice de atenção, e sou muito negativa. Haviam dias em que não me apetecia escrever; outros em que a inspiração não me batia à porta. Aliado a isso, sou péssima a lidar com deadlines. Quanto mais pensava nisso, menos escrevia. E em cima de tudo isso, estava o facto de ser extremamente exigente comigo mesma. Escrevi imenso e de repente, passei-me e apaguei metade dos capítulos. Além disso, escolhi escrever uma história com algum peso emocional, onde as personagens têm todas ligações complexas e marcadas pela fragilidade. Quando acabei de escrever, estava drenada psicologicamente.
5. Qual o teu autor e livro favorito?
Escolha difícil, mas entre Colleen Hoover , Tillie Cole e Alice Kellen. E os livros favoritos...bem, isso é ainda mais complexo, mas dou uma lista de 5 que estão para sempre no meu coração: Amor Cruel (CH), Isto Acaba Aqui (CH), Verity (CH), Mil Beijos (TC) e O Rapaz que Desenhava Constelações (AK).
6. Qual o teu sítio favorito para escrever?
Em casa, sem dúvida. É o sítio que mais conforto me trás, principalmente na cama. Mas confesso que a biblioteca municipal também revelou ser um sítio bastante cozy e tranquilo.
7. Tens alguma paisagem da ilha do Pico que te inspire particularmente?
Para ser sincera? Não. Isto pode parecer ingrato, e atenção que não é essa a minha mensagem, mas desde sempre que achei que não pertencia ao sítio onde tinha nascido, o Pico. Sempre senti que era uma "outsider", por isso talvez acabe por encontrar inspiração noutras paisagens e noutros sítios. Porém, e não me interpretem mal, mas só há pouco tempo aprendi a adorar a minha ilha e a minha "casa", e confesso que num dos próximos projetos, vou efetivamente, escrever sobre o trajeto de uma jovem adolescente da ilha do Pico. E, big disclaimer, existe um projeto, um pouco mais longínquo que passa pelo Pico e pelo impacto que teve e tem em mim, e na gratidão que tenho, por ter nascido e ter sido criada num sítio tão calmo e rico.
8. Para finalizar, que conselhos daria para outros escritores (açorianos) iniciantes que sonham em publicar seu primeiro livro?
Na minha opinião,que pode ser controversa, o mercado está cheio de autores e pseudo autores; isto é, há muita gente com talento que já lançou livros e existem outros tantos que também lançaram, mas não o deveriam ter feito. Hoje em dia, para lançar um livro, basta ter seguidores, uma ideia básica e dinheiro. As vanity permitem a muita gente o prazer de ver o seu nome numa estante da livraria, porém, nem todos o merecem. Existem muitos bons autores que ainda não viram o seu livro lançado, porque não lhes foi dada a oportunidade, porque não são "comerciais". E isto deixa-me bastante revoltada.
Portanto o meu conselho é: mantenham-se fiéis aos vossos valores, mantenham o vosso foco, e não desistam. Construam uma carapaça de ferro para vos blindar de comentários e experiências negativas. Escrevam com alma e construam uma história que vocês, enquanto leitores, gostariam de ler. Tirem tempo para mergulhar e aperfeiçoar os vossos manuscritos. Rodeiem-se de pessoas com capacidade crítica, e que sejam honestos quando confrontados com o vosso manuscrito e não se vendam por ideias pré-concebidas daquilo que é o mundo editorial. Agora, em específico para os autores açorianos, não se deixem abater pela ideia de que por estarem numa ilha não conseguem ir mais longe ou ter as mesmas oportunidades. Vincar no mundo editorial em Portugal é difícil. Giram as expectativas e o quão alto os vossos objetivos estão, aceitem as pequenas conquistas, porque elas vão vos ajudar a encontrar o vosso rumo. E nunca é tarde demais, acreditem.
Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que promove a divulgação de livros sobre as ilhas do arquipélago dos Açores, que se encontra a decorrer até dia 30 de junho.
Com amor, Brenda
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