segunda-feira, 13 de abril de 2020

A Casa na Floresta (In a Cottage, In a Wood) | Cass Green

Sinopse: Um estranho encontro,
Um presente inesperado,
Um segredo perverso…
Numa noite gelada, ao regressar a casa, Neve Carey é abordada por uma mulher estranha e perturbada, na ponte sobre o rio Tamisa, que lhe entrega um envelope, lançando-se de seguida para as águas do rio.
Duas semanas mais tarde, numa altura em que a sua vida está cada vez mais caótica, Neve descobre que a mulher que se suicidou à sua frente lhe deixou de herança uma casa na Cornualha, o que parece ser a solução perfeita para os seus problemas.
Neve decide então mudar-se sozinha para a casa, mas, assim que lá chega, arrepende-se. Fica no meio de uma floresta sombria, tem um aspeto sinistro, com grades nas janelas, e coisas bizarras começam a acontecer. Em pouco tempo, a casa dos seus sonhos transforma-se no seu pior pesadelo. E a verdade é que esta esconde um segredo perverso… que mudará para sempre a vida de Neve.

Neve Carey é uma moça que se gosta de divertir, mas a sua vida está longe de ser divertida. Neve perdeu os pais, encontra-se num trabalho que tolera e, depois do seu namorado acabar com ela, teve que ir viver para casa da irmã por favor.

A vida que Neve leva não podia ser mais diferente da casa onde agora vive: uma casa de família onde a irmã se desdobra para cuidar das duas filhas e onde Neve planta a discórdia, mesmo sem ter essa intenção. Por isso, o choque entre as realidades não podia ser maior e após um evento traumático, em que uma mulher se suicidou à sua frente e lhe deixa uma casa em testamento, Neve decide que vai utilizar esta oferta para dar a volta à sua vida, ter um sítio onde viver e recomeçar.

Mas quando Neve parte para a Cornualha não esperava encontrar uma casa de campo sombria em vez da casa que idealizou. Para começar, fica no meio da floresta, a aldeia mais próxima não fica propriamente perto e as janelas têm grades. Porque precisaria a última proprietária de grades nas janelas, bem como de tantas fechaduras na porta?

Assim, com o tempo, Neve começa a descobrir coisas sobre a casa e sobre a sua última habitante que a fazem temer pela sua vida.


🌻

O livro começa explicando a vida de Neve, dando a conhecer, gradualmente, informações que vamos precisando de saber, situando-nos perfeitamente bem no passado de Neve e deixando algumas pontas soltas a bem do suspense. Isto tudo sem parecer demasiado forçado, sem descrições muito extensas, dando-nos assim o suficiente para querermos avançar na leitura para descobrir o que acontece com Neve.

Quando comprei o livro não era nada disto que estava à espera! O livro surpreendeu-me e se me agarrou na primeira metade, já não posso dizer o mesmo sobre a segunda. Gostei imenso das descrições sobre a cabana, deram-lhe o ar sombrio e cheio de mistério que tornou o livro interessante na primeira parte. Já na segunda parte senti em vários momentos que estava a ler mais por querer confirmar a minha teoria do que por propriamente me importar realmente com o destino de Neve. 

A minha teoria sobre o final saiu pela porta dos fundos e não sei como não suspeitei deste final... Mas estava à espera de outra coisa... Algo mais emocionante e com mais páginas. Sim, porque quando houve a grande revelação e se resolveu o mistério achei que foi tudo muito rápido (pareceu que a autora queria despachar). Achei que a premissa podia ter sido muito melhor aproveitada.

Resumindo, A Casa na Floresta tem aquela história ideal para filme da Fox Life. Seria um bom filme para ver num sábado à noite (e para depois ter medo até da própria sombra e de todos os barulhos que se ouve)!

Classificação: ★★★★☆ (3,5/5)


Li este livro para os desafios #lemosjuntos e #thrillernocoelho da Cláudia do blog A Mulher que Ama Livros, sendo o último em parceria com a Angie da The Little Angie.


Compra o livro: Wook, Bertrand

Com amor, Brenda

domingo, 12 de abril de 2020

Ao Fechar a Porta (Behind Closed Doors) | B. A. Paris

Sinopse: Quem não conhece um casal como Jack e Grace? Ele é atraente e rico. Ela é encantadora e elegante. Ele é um hábil advogado que nunca perdeu um caso. Ela orienta de forma esmerada a casa onde vivem, e é muito dedicada à irmã com deficiência. Jack e Grace têm tudo para serem um casal feliz. Por mais que alguém resista, é impossível não se sentir atraído por eles. a paz e o conforto que a sua casa proporciona e os jantares requintados que oferecem encantam os amigos. Mas não é fácil estabelecer uma relação próxima com Grace... Ela e Jack são inseparáveis.
Para uns, o amor entre eles é verdadeiro. Outros estranham Grace. Por que razão não atende o telefone e não sai à rua sozinha? Como pode ser tão magra, sendo tão talentosa na cozinha? Por que motivo as janelas dos quartos têm grades? Será aquele um casamento perfeito, ou tudo não passará de uma perfeita mentira?
Um thriller brilhante e perturbador, profundamente arrebatador, que se tornou num autêntico fenómeno literário internacional com publicação em mais de 35 países. A não perder.
Qualquer pessoa que observe Grace, esposa do advogado Jack Angel, consegue ver a perfeição que reina na sua vida: cozinha bem, pinta, faz jardinagem, tem o marido perfeito, a casa perfeita e a vida perfeita.

Mas nós nunca sabemos o que se passa dentro de uma casa quando a porta se fecha ao mundo, certo?

O livro começa com Grace a mostrar-nos o que está a acontecer no jantar que ela e o seu marido estão a organizar para o grupo de amigos, ao qual Esther e o seu marido se juntaram recentemente. Logo nas primeiras páginas julguei a Grace (acho que todos os que lêem este livro julgam... "Porque raio ela não sai desta relação? Porque raio ela deixa que ele escolha a sua roupa? Ela não viu todos os sinais?") e penso que esse era mesmo o objetivo da autora: fazer-nos perceber a situação impossível em que a nossa personagem principal se encontra, onde aparentemente tudo é perfeito havendo, ainda assim, algo que não bate certo naquele casal.

O livro vai alternando entre um "Passado" e um "Presente", na perspetiva de Grace, enquanto avançamos, de forma a percebermos a evolução dos acontecimentos desde o dia em que se conheceram até ao momento presente.

Engana-se quem acha que este livro é mais um que romantiza o relacionamento abusivo!

Num dos posts para o Bookstagram por 30 dias da Celly do @melivrando , realizado em dezembro, o desafio era enumerarmos 5 personagens que amamos e 5 personagens que odiamos e eu não lhe sabia responder às personagens mais odiadas... ou melhor, não sabia até ler este livro.

Penso que o ódio é um sentimento muito forte para ser sentido por qualquer vilão. Geralmente não gosto de uma personagem ou outra, acho até aborrecidas, considero mau ou má da fita, mas, por fim, não me envolvo muito e simplesmente desgosto da personagem. Até hoje não tinha odiado de morte nenhuma personagem de um livro (talvez um pouquinho o Snow nos Jogos da Fome, mas nada de extraordinário), mas meus queridos(as) leitores(as) neste livro encontrei uma das minhas personagens mais odiadas. Jack estreou o TOP de personagens odiadas. O sangue até fervia cada vez que este "gajo" entrava em cena!

Achei a personagem do Jack super bem construída. A última vez que li um livro que me deixou assim desesperada por uma personagem foi "O quarto de Jack" (olhem só a ironia!).

Behind Closed Doors é um livro revoltante que nos agarra do início ao fim, A SÉRIO, LEIAM! Leiam porque vale muito a pena!

Classificação: ★★★★★ (5/5)

Li este livro para os desafios #lemosjuntos e #thrillernocoelho da Cláudia do blog A Mulher que Ama Livros, sendo o último em parceria com a Angie da The Little Angie.

Com amor, Brenda

quarta-feira, 11 de março de 2020

O avô tem uma borracha na cabeça | Rui Zink

Sou fã de livros para crianças, não sei se porque ainda permaneço uma, se porque outrora tive o sonho de escrever livros infantis (quem ainda se lembra que publiquei um conto ilustrado com a Sofia Magalhães na iniciativa "Jovens Autores de Histórias Ilustradas" da Leya/Nissan?). Por isso, quando a Porto Editora concordou enviar-me uma cópia deste livro, a criança em mim pulou de alegria.


Este livro conta a história de um neto criativo que tenta lidar da melhor forma com a descoberta de que o seu avô tem Alzheimer.

O que fazer quando alguém que amamos se esquece de nós? Como devemos lidar com isso? Será que contamos às crianças?


Este livro, sendo sobre uma doença que cada vez mais tem vindo a atingir as famílias portuguesas, tem uma forma delicada de abordar o tema, mostrando que é, sim, necessário falar sobre doenças, como o Alzheimer, às crianças.

Este é um livro que nos lembra, tal como diz o autor, que a pessoa pode já não ser ela, mas nós continuamos a ser os mesmos, e eu acredito que isto serve não só para esta doença como para tudo na vida. Não importa o que o outro faz, a forma como respondemos a isso só depende de nós. Não é porque a pessoa não se lembra que vamos deixar de a amar, de demonstrar carinho e de a tratar com respeito e com a decência que merece.

Um livro com uma história tão simples, mas uma mensagem gigante! Um livro que toda a gente deve ler, pequenos e graúdos, para relembrarem que quando o outro esquece, a tarefa de recordar com alegria as aventuras vividas cabe-nos a nós que não temos a borracha na cabeça.

As ilustrações do livro são feitas sob a forma de colagem e são das melhores coisas que vi nos últimos tempos, ora vejam:

Não há forma simples de lidar com esta doença, nem uma forma clara de a explicar às crianças, mas este livro faz um bom trabalho a sintetizar o fundamental:

"O amor é mais forte que o esquecimento."

Classificação: ★★★★☆ (4/5)

Aviso Legal: Este livro foi-me enviado pela editora em troca de uma opinião honesta. Todas as opiniões expressas nesta resenha são verdadeiras e completamente minhas.

Com amor, Brenda

domingo, 8 de março de 2020

As aves não têm céu | Ricardo Fonseca Mota


As aves não têm céu conta-nos a história de um pai que perde uma filha num acidente e luta desesperadamente para a manter viva na sua memória.
"Agarra-se desesperadamente à memória com a mesma força com que luta para se esquecer do que aconteceu. Como pode deixar a filha morrer novamente, agora dentro de si? Não pode. Leto morre de medo de a esquecer. Por isso não consegue adormecer. Tem medo de não se lembrar da voz dela quando acordar. Tem medo de sonhar com ela deitada no caixão branco. Tem medo."
Achei a personagem do Leto bem construída, como que se ele deixasse de existir como pessoa, não havendo descrições profundas de quem ele é exatamente, existindo apenas e só sofrimento. É tanto o sofrimento descrito que inunda tudo o que nos vai sendo contado sobre a vida de Leto antes e após o acidente.

A escrita é completamente diferente de tudo o que já li, com um misto de uma narração do que está a acontecer, ou aconteceu, com frases pelo meio do que a personagem ou o narrador estão a pensar. Como quando estamos a formular um discurso na nossa cabeça e aparecem uns pensamentos aleatórios que não pertencem à sequência do que estamos a pensar naquele momento, mas que mostram o que verdadeiramente se está a passar no nosso inconsciente naquele momento.

E o que se atravessa no raciocínio do Leto são as últimas palavras da sua filha "-Pai! -Pai!"

Mas não só da história de Leto se compõem este livro. Também conhecemos as histórias da Outra, do Cid, de Raúl e de um taxista que é Eduardo que é Falcão, ou Falcão que é Eduardo. E com todas estas outras personagens percebemos que nunca vamos saber o que realmente se passa na vida das pessoas com quem convivemos.

"A memória é uma ficção como outra qualquer."

Apesar de ter sido uma boa leitura, senti que com este livro ficou a faltar algo. Apesar de a escrita ser original, de ter gostado da história, de ter imensas citações incríveis e coisas com que me relaciono (não perdi um filho humano, mas perdi um filho gato), penso que por a história andar sempre num para arranca entre personagens e aos círculos (e sim, eu sei que é assim quando estamos de luto) não consegui gostar tanto dela como esperava. Senti que faltou qualquer coisa a este livro que o fizesse ser excecional. Mas também pode ser a iludida humana em mim a querer um final feliz, uma luz ao fundo deste túnel que é o luto... e talvez não haja...

Classificação: ★★★★☆ (4/5)

Este livro foi-me recomendado pela Míriam do blog Míriam The Mermaid e li-o para o desafio #newyearwithbooks2019 .

Compra o livro: Wook | Bertrand

Aviso Legal: Este livro foi-me enviado pela editora em troca de uma opinião honesta. Todas as opiniões expressas nesta resenha são verdadeiras e completamente minhas.

Com amor, Brenda

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Conta-me o teu segredo | Dorothy Koomson


Koomson

Em primeiro lugar queria agradecer à Porto Editora pela cedência do exemplar para opinião literária.

Em Conta-me o teu segredo Dorothy Koomson conta-nos as histórias de Pieta Rawlings e Jody Foster. 

Há 10 anos, Pieta foi raptada pelo "Assassino da Venda" que prometeu não a matar caso permanecesse de olhos fechados durante 48 horas. Desde esse fim de semana Pieta não confia nos que a rodeiam e agarra-se ao seu maior tesouro para se manter sã: o seu filho Kobi.

A Inspetora-Detetive Jody Foster cometeu um terrível erro que lhe atormenta os sonhos há pelo menos uma década e tem agora a sua oportunidade de apanhar o Assassino da Venda. Será que a sua determinação e capacidade de perceber detalhes a ajudarão a resolver este caso?

Se quiserem comprar o livro: Porto Editora | Wook | Bertrand

Em todos os seus livros Dorothy mostra-nos que nem sempre conhecemos totalmente as pessoas que fazem parte das nossas vidas, mas com este livro senti que os segredos que os outros podem guardar de nós podem ser esmagadores. Pieta sobreviveu a uma situação horrorosa e ainda assim conseguiu prosseguir minimamente com a sua vida. Já Jody errou no passado e isso é algo que a mobiliza para tentar ser uma melhor detetive todos os dias.

O livro teve um início lento, mas quando desenvolveu eu não conseguia parar de ler. Li 200 páginas em 3 horas e pouco, por isso podem perceber que fiquei totalmente presa à história e só queria saber o que ia acontecer.

Adorei tudo no livro, especialmente que a história tivesse sido contada das perspetivas de duas mulheres com uma força que muitas vezes desconhecem. 

Apesar disso, confesso que fiquei um pouco desiludida com a revelação da identidade do "suspeito". Colmatou uma ponta solta, sim, mas estava à espera que fosse outra pessoa. Ainda assim, entendo a escolha, porque, como sempre, a autora deu-lhe uma grande volta que não deixou dúvidas de que tem um talento nato para nos ensinar que é ela quem sabe quem dará o melhor culpado e que as suas escolhas nunca são em vão.

Resumindo, como sempre Dorothy Koomson não desilude! Conta-me o teu segredo é uma história cheia de detalhes incríveis, com revelações horripilantes sobre a capacidade dos seres humanos fazerem mal uns aos outros, que não deixam o leitor pousar o livro um segundo que seja e que nos dá vontade de querer ler mais e mais livros escritos por esta autora.

Caso tenham visto o meu post no instagram sabem que o primeiro livro que li desta autora, e o meu favorito, é "Erro Inocente" e sinto que é muito difícil qualquer livro superar esse, mas olhem que... Conta-me o teu segredo ficou bem lá perto!

Classificação: ★★★★☆

Aviso Legal: Este livro foi-me enviado pela editora em troca de uma opinião honesta. Todas as opiniões expressas nesta resenha são verdadeiras e completamente minhas.

Com amor, Brenda

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Desafio literário: Ano Novo com Livros 2019

Tal como no ano passado, voltamos com a Maratona New Year with Books! :D De forma geral, as categorias permaneceram iguais, mas estejam atentos às mudanças e à surpresa no final deste post!

Categorias:
1. Ano velho: Um dos primeiros livros que compraste em 2019 e ainda não leste OU um dos livros mais antigos da tua TBR;

2. Festas: Um livro que se passe no natal ou nas festividades do ano novo;

3. Família: Um livro cujo tema principal seja a família;

4. Amizade: Livro indicado por alguém;

5. Luzes e decoração: Livro com uma capa da cor que associas ao natal;

6. Frio: Livro com capa que te transmita a sensação de frio;

7. Ano novo, vida nova: Termina pelo menos um livro que começaste a ler e não terminaste OU lê pelo menos uma continuação de uma série;

8. Vida "l0ka": Lê o que te apetecer.

O objetivo do desafio é lerem o máximo de livros que têm parados nas estantes e divertirem-se muito! Este ano o desafio irá decorrer de 1 de Dezembro de 2019 a 31 de Janeiro de 2020.

O desafio está, portanto, um pouco diferente do ano passado, mas em caso de qualquer dúvida podem ver o seguinte post: Desafio Literário: Ano Novo com Livros , que contém a maior parte das categorias explicadas, ou podem falar diretamente comigo.

Regras:

1. São permitidos todos os formatos de livro (livro "longo", conto, BD/manga, e-book, audiobook).

2. Cada livro lido só poderá contar para uma categoria.

3. Para se habilitarem a ganhar o prémio têm que participar em, pelo menos, 2 categorias.

4. Ao completarem o mínimo de duas categorias isso equivale a apenas uma entrada no sorteio. À medida que forem completando mais categorias vão recebendo mais uma entrada por cada categoria completa, isto é: Se leram três livros (para quaisquer 3 categorias), têm duas entradas no sorteio e assim sucessivamente.

5. Depois de completadas TODAS as categorias recebem uma entrada extra por cada livro que lerem para a categoria 8 ("lê o que te apetecer").

6. Muito importante: só serão aceites as vossas participações caso, pelo menos, um dos sites  Wook, Bertrand, Bookdepository ou Amazon) envie para a vossa morada.


Mas será que ouvi falar em prémio? YEEES! O(A) feliz contemplado(a) poderá escolher um livro ou vários até um máximo total de 30 euros nos referidos sites da Wook, Bertrand, Book depository ou Amazon, ou seja, o vencedor poderá escolher os livros que quiser, desde que a conta total se mantenha igual ou inferior a 30 euros (sendo que o valor dos portes estará incluído no valor do prémio do sorteio).

Só serão aceites os participantes que preencherem ESTE FORMULÁRIO até ao dia 04 de fevereiro, para poder validar as vossas leituras. O resultado do sorteio será anunciado no dia 15 de Fevereiro.

Posto isto, convido-vos a se juntares ao grupo: New Year with Books e a utilizarem a tag #newyearwithbooks2019 nas vossas publicações.

Desafio

Espero que tenham gostado desta proposta e que participem no desafio! Espero pela vossa opinião nos comentários.

Boas leituras!

Com amor, Brenda

domingo, 17 de novembro de 2019

Seca | Um alerta para mudanças urgentes

Seca

O livro Seca, escrito por Neal Shusterman e Jarrod Shusterman, apresenta-nos uma sociedade severamente afetada pela seca em que um dia ocorre um "fechar da torneira", isto é, acaba-se a água no abastecimento público.

Com o desaparecimento dos pais durante esta crise, Alyssa e o irmão, junto com o vizinho Kelton, tentam lidar com esta grave mudança da forma mais humana possível.

Este livro é o perfeito exemplo do que irá acontecer quando um dos bens mais essenciais, a água, acabar.

Imagina abrir a torneira e não sair água. Desesperante, não é?

Na recente onda de consciencialização e ativismo pelas alterações climáticas é urgente perceber as implicações de tudo o que poderá acontecer caso a situação se torne (ainda) mais crítica.

Já imaginaste o que pode acontecer caso não haja água? Não podes saciar a tua sede, não podes utilizar a casa de banho, mal podes cozinhar. E se uma mãe não bebe água como poderá amamentar um bebé, como é que um bebé poderá beber leite em pó se não há água para lhe juntar?

Abres a torneira e não sai água. Vais ao supermercado e não há nada que possas comprar para matar a tua sede. Nunca te aconteceu estares com sede, mas estás num local do qual não podes sair e não levaste garrafa de água contigo? Não te dá ainda mais sede o facto de saberes que não tens como a saciar?

Imagina agora que a água potável efetivamente acaba e esta situação pode ser a tua realidade um dia...?

Ao leres este livro vais dar por ti numa agonia constante do "e se for eu a ter que passar por isso?" e "e se um dia isto realmente acontecer". Aqui a chave parece ser o "e se acontecer enquanto eu viver", porque para muita gente, despreocupada com tudo o que tem sido dito sobre as alterações climáticas, é isso que interessa: o seu tempo de vida.

Quem vive sem se preocupar com as consequências das nossas atitudes menos amigas do ambiente está das duas uma: olhando apenas para o seu umbigo e desde que haja fartura para si tudo bem, ou então está claramente em negação. Não falei na desinformação porque com o tanto que se tem falado no assunto quem não sabe é porque não quer e isso cai nestes dois pontos acima mencionados.

Muitas vezes a nossa ligação ao lugar e/ou à comunidade faz-nos desvalorizar ou negar o risco, porque se há segurança e as necessidades estão saciadas que mais se pode querer, não é?

Neste livro as pessoas ignoraram todos os avisos. Quando tudo indicava que a água potável iria acabar, quando eram implementadas medidas cada vez mais severas, quando eram feitos protestos, as pessoas faziam o quê? Ficavam em casa a ver da televisão acreditando que não iria acontecer com elas. 

Na realidade está a Greta a dar uma palestra nas Nações Unidas sobre as alterações climáticas e está muita gente a fazer o quê? A falar da síndrome da moça, a falar que ela foi paga para dizer aquilo, a falar que está a ser usada pelos pais para fazer dinheiro, que está a ser falsa no seu discurso, a dizer que as grandes organizações ambientais querem é assustar as pessoas para fazerem mais dinheiro, entre tantas outras coisas.

Há pessoas que falam de tudo do que está à volta do assunto, mas ninguém quer efetivamente tocar "na ferida", e porquê? Faz tudo parte da desvalorização e negação do risco. Porque se nós o ignorarmos significa que ele não está realmente ali, certo? ERRADO!

Eu sei que é mais fácil negar o risco, desvalorizar, mas ele não deixa de lá estar. E não é melhor tentar mitigar as consequências antes que a situação seja irreversível?

Mas lá está, por vezes as pessoas não têm capacidade de sair da ideia daquilo que sempre imaginaram que seria o mundo e o seu futuro, ou não conseguem sair da sua bolha e ver que realmente é preciso ser feito algo, nem que seja para assegurar a sua sobrevivência num futuro não tão breve.

E este livro mostra um pouco esta separação entre os que não se importam e não se preparam e com os que se preparam ao extremo.

Li este livro pouco antes de entregar a dissertação de mestrado e não poderia ter lido este livro em melhor altura porque me deu outra visão, embora ficcional (ainda que eu considere que, infelizmente, será uma realidade pouco distante), do que poderia acontecer no caso de um evento deste tipo ocorrer e de como por vezes a teoria sobre as comunidades unidas nem sempre é tão linear assim. Nós nunca conseguiremos prever como se comportarão membros de uma comunidade unida perante uma situação de completo desespero.

Aconselho que leias este livro com uma garrafa de água (ou outra bebida) por perto, porque vais ficar com uma sede danada.

Classificação: ★★★★★

Com amor, Brenda

domingo, 22 de setembro de 2019

O coração vive de sorrisos | Carolina Cruz

Carolina

O coração vive de sorrisos é um tesouro cheio de diversidade, várias formas e gestos de amor e histórias que podem ser ficção, mas que não duvido que ocorram por aí no vasto mundo em que vivemos.

Este livro é um conjunto de 5 histórias: a de Cláudio com paralisia cerebral, a de Alice com síndrome de Down, a do Samuel que tem esquizofrenia, a de Madalena com síndrome de Tourette e a de Maria Inês com síndrome de Aspenger.

Como diz a Carolina:
"O amor não tem forma, o coração não tem rosto. O amor não nasce nem se mede pelo corpo, sexo, eficiência ou defeito. O amor é tudo aquilo que nos faz sentir bem sem sabermos porquê, sem sabermos porque se ama alguém ou sabermos totalmente porque sentimos aquele friozinho na barriga."
Esta citação aparece logo na primeira página e ficou-me imediatamente gravada na memória. Quando terminei o livro voltei a relê-la e vi como este parágrafo reflecte tão bem cada história!

A Carolina conseguiu mostrar que estas condições se ultrapassam com a ajuda, carinho, paciência e muito amor dos que nos rodeiam.

De pequenos a graúdos conseguimos ver a forma como cada um lida com a sua condição e cada um deles mostra-nos uma forma diferente de olhar a vida e de sorrir.

Tentei escolher uma história favorita mas não me consigo só dividir por uma... Mas sem dúvida que a primeira, sobre o Cláudio, me impactou e fiquei logo cheia de vontade de ler todas as outras. Também gostei bastante da história da Madalena. Cada história é diferente e enche-nos o coração de diferentes formas.

E os plot twists? Jesuuus, quero livros completos desta autora, se ela me troca as voltas em histórias pequenas, imagino num livro completo!

A Carolina escreve com muita inteligência e fluidez. Acho que a sua escrita se adequa a todas as idades. Gostava mesmo muito de ler mais livros dela, é tão bom ler algo assim fantástico criado por alguém do nosso país. Bate cá um orgulho..!

Aviso Legal: Este livro foi-me enviado pela autora (a quem agradeço imenso) em troca de uma resenha honesta. Todas as opiniões expressas nesta resenha são verdadeiras e completamente minhas.

Classificação: ★★★★☆

Com amor, Brenda