segunda-feira, 4 de maio de 2026

Um Mês de Açores (2ª edição) - Lisete Cabral


Hoje trago-vos a entrevista à Lisete Cabral, uma das bibliotecárias da Biblioteca Municipal de Vila do Porto. A Lisete é uma das figuras da minha infância que associo a livros. A sua paixão por livros sempre me inspirou e deixou curiosa, por isso queria começar esta entrevista por agradecer o papel que teve na leitora que sou hoje.

Deixo-vos na sequência do post a entrevista que lhe fiz.

1. Como nasceu a tua paixão pelos livros?

Em criança, e talvez com 4 ou 5 anos, gostava de folhear os livros que a minha irmã mais velha, Gilda, tinha. Quando entrei para a escola e aos 6 anos (naquela época não havia o pré-escolar), a Gilda levou-me à biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian, conhecida como a carrinha do senhor Rosélio, responsável pela biblioteca itinerante da ilha.

E assim, com 6 anos, todas as semanas, ia requisitar livros. Posso dizer que foi aí que começou a paixão pelos livros.

2. Como descreverias a comunidade literária na ilha e, em geral, nos Açores? Sentes que há um interesse crescente pela leitura?

A leitura continua. E há jovens que gostam de ler, que gostam de ter a sua pequena biblioteca em casa. Podem não requisitar livros na biblioteca, mas leem. Há pessoas que preferem ler ebook, por ser mais prático, no mesmo aparelho podemos ter dezenas de livros. Acho que quem viaja é uma mais-valia.

Mas nada como sentir as folhas, bem como o cheirinho de um bom livro!

3. Fala-nos da importância de uma biblioteca municipal numa comunidade como a ilha de Santa Maria, onde o acesso físico aos livros pode ser um desafio.

A biblioteca itinerante foi muito importante para a ilha de Santa Maria. Foi através da “carrinha” que tínhamos o acesso aos livros. Em 1989, aquando da inauguração do edifício da biblioteca municipal, tivemos um espaço onde os leitores podiam estar. Não havia Internet, todos os trabalhos, todas as pesquisas eram feitas pelas enciclopédias, pelos livros técnicos. Em 2011, ano da abertura do atual edifício, os livros estão a par e passo com a Internet. Mas os leitores continuam a procurar a biblioteca. Para requisitar livros, para trabalharem, para pesquisarem. O importante é estarem no meio dos livros.

4. Como é que achas que a literatura pode ajudar a preservar ou divulgar a cultura açoriana?

É a literatura, com a sua escrita, que a etnografia, história, a arte de um povo não é esquecida. É preciso escrever, pois sabemos atualmente que já se perdeu muita informação, não a escreviam. Pensavam que não iria ficar esquecido, que haviam de passar a história oralmente de geração em geração.

5. Enquanto leitora, que obra açoriana recomendas?

As obras do Joel Neto e do Pedro Almeida Maia. Dois escritores que aprecio muito. Daniel Gonçalves, que considero já mariense, é um poeta maravilhoso. Foi com ele que descobri a poesia.

6. Qual era o livro açoriano que tinhas muita curiosidade em ler e que já leste?

O último livro do Pedro Almeida Maia “Condenação”, acabei de o ler. Interessantíssimo!! Aconselho a ler.

7. Qual é o teu local favorito da ilha?

O Poço da Pedreira. Pelo silêncio e a paz que me proporciona. Costumo ir para lá com uma manta e um livro e passar a tarde a ler.


8. Dá-nos três bons motivos para as pessoas visitarem a ilha de Santa Maria.

Paisagens maravilhosas. Praias fantásticas. Somos um povo acolhedor. Tudo clichés, mas que são verdades.

🌊

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "Um Mês de Açores", um desafio que promove a divulgação de livros sobre as ilhas do arquipélago dos Açores, que se encontra a decorrer todo o mês de junho.

Com amor, Brenda

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