Ontem é um livro cuja história decorre na freguesia das Capelas, na ilha de São Miguel.
Nesta obra conhecemos Madalena, cujo fim, aquele que é inevitável para todos nós, descobrimos logo na primeira frase do livro: “Ela morreu. Paz à sua alma.”
Madalena era filha e neta de baleeiros e a sua família sempre conheceu este ofício. Nasceu, cresceu, teve sonhos e iluminou a vida das pessoas com quem se cruzou até ao fim dos seus dias.
A autora escreve com palavras que sabem a mar, a saudade e uma vida de memórias que ficam connosco.
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“Silêncio e fragilidade. Silêncio e dor. Silêncio e cansaço. Silêncio e vida. Silêncio e morte. Silêncio e perdão.
Silêncio: que se aproxima o fim."
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Li este livro todo num dia. Não conseguia parar de ler e ansiava descobrir o que ia acontecer a esta mulher que não existiu, mas que foi a soma de muitas mulheres nascidas ao som dos cagarros, do bater das ondas na rocha e do tremor desta terra.
Infelizmente, entristeceu-me muito o fim (o que é uma benção para os leitores que não sabem do que falo)… A baleação eu já sabia qual o seu destino, tal como o desfecho do sonho de Madalena que hoje jaz em ruínas.
Ontem é um livro que mostra como não são precisas muitas páginas para contar uma história rica, que nos faz sentir que acompanhamos de perto a vida de Madalena. Espero ler mais da autora muito em breve.
Agradeço à Ana Oliveira Cardoso e à editora Letras Lavadas pela cedência deste exemplar. Esta oferta em nada alterou a minha opinião sobre a obra.






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