segunda-feira, 16 de julho de 2018

O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris



Auschwitz


Sinopse: Esta é a história assombrosa do Tatuador de Auschwitz e da mulher que conquistou o seu coração - um dos episódios mais extraordinários e inesquecíveis do Holocausto.

Em 1942, Lale Sokolov chega a Auschwitz-Birkenau. Ali é incumbido da tarefa de tatuar os prisioneiros marcados para sobreviver - gravando uma sequência de números no braço de outras vítimas como ele - com uma tinta indelével. Era assim o processo de criação daquele que veio a tornar-se um dos símbolos mais poderosos do Holocausto.

À espera na fila pela sua vez de ser tatuada, aterrorizada e a tremer, encontra-se Gita. Para Lale, um sedutor, foi amor à primeira vista. Ele está determinado não só a lutar pela sua própria sobrevivência mas também pela desta jovem.

Um romance baseado em entrevistas que Heather Morris fez ao longo de diversos anos a Lale Sokolov, vítima do Holocausto e tatuador em Auschwitz-Birkenau. Uma história de amor e sobrevivência no meio dos horrores de um campo de concentração, que agradará a um vasto universo de leitores, em especial aos que leram A Lista de Schindler e O Rapaz do Pijama às Riscas, e que nos mostra de forma pungente e emocionante como o melhor da natureza humana se revela por vezes nas mais terríveis circunstâncias.

Que. Livro. In.crí.vel!

Escrevo isto uns segundos depois de acabar o livro. Sinto que preciso de colocar no papel o que sinto sobre este livro, sobre esta história.

Escrevo isto ainda de lágrimas nos olhos.

Este é um livro que estava/está fora da minha zona de conforto (Maratona Momentos de Ataraxia), porque nunca tinha ouvido falar na autora e, acima de tudo, porque nunca tinha lido nenhum livro sobre guerras etc (sim, nem mesmo O Diário de Anne Frank), mas agora posso dizer que já percebi porque nunca antes tinha lido um livro assim: Medo. Medo de ler uma história contada por alguém real que descreva a crueldade que tantas vezes me foi transmitida nas aulas de História mas que nunca compreendi. Como poderia compreender se nunca a vivi? Se nunca tive que lutar pela liberdade que hoje tenho?

Inconscientemente nunca li nada sobre guerras porque sabia que assim que lê-se a minha fé na humanidade ia ficar no chão. E ficou...

Fico tão revoltada por ter havido um tempo em que havia humanos que tratavam tão desumanamente outros... Só porque eram de outra religião, de outra nacionalidade, diferentes em qualquer outra coisa. Fico tão revoltada por esses eventos terem ocorrido há menos de 100 anos! Como é que é possível?? COMO?

Prender pessoas, submetê-las a trabalho forçado, deixá-las com medo, desnutridas, presas, ...

E como é que é possível que isso ainda aconteça caramba? Como é que é possível ainda haver guerras e tanta crueldade num mundo tecnologicamente tão avançado mas emocionalmente retardado?

Sei que por todo este ambiente de pesadelos, falta de liberdade, morte iminente e tudo o que é descrito não devia ser permitido achar a história bonita, mas caramba, que história...

Este livro conta a história de um judeu que conseguiu sobreviver a 3 anos num campo de concentração. Foram 3 anos de muito sofrimento, insegurança e, acima de tudo, esperança que um dia conseguiria sair dali.

A Lale, como se chama o nosso protagonista, foi incumbido o serviço de tatuar todos os recém-chegados ao campo. Sendo o tetrovier, isto é, o tatuador, tinha direito a uma ração extra e a uma maior liberdade de circulação. Assim Lale conseguiu contrabandear e tentar ser uma faísca de esperança num local que precisava desesperadamente de uma luz.

No meio deste terror, Lale conheceu Gita, a rapariga que lhe roubou o coração para sempre.

Impressionante como num ambiente destes ainda houve espaço para amar, o que me faz crer que o amor é tudo na vida. O amor é aquilo que os sustentou e lhes deu esperança de que um dia iriam sair dali e viver o seu amor ao máximo, sem restrições, sem discriminações e em segurança.

Ainda me escorrem mais lágrimas (de alívio) quando penso que houve quem sobrevivesse para contar a história, que houve quem conseguisse sair e voltar a provar a liberdade que lhe foi retirada.

Esta história é um conto de pequenos atos de liberdade num campo de concentração . Esta história é sobre uma faísca de esperança numa altura em que a humanidade se envergonhou a si própria submetendo pessoas às situações mais desumanas que existem. E o ciclo perdura sem prazo para terminar...

Classificação: ★★★★★

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O Casal do Lado de Shari Lapena



Casal

Sinopse: Cynthia disse a Anne que não levasse a filha Cora, a bebé de seis meses, para sua casa na noite do jantar para que ela e o marido Marco tinham sido convidados. Não era nada de pessoal. Ela simplesmente não suportava o choro de crianças. Marco não se opõe. Afinal, eles vivem no apartamento do lado. Têm consigo o intercomunicador e irão alternadamente, de meia em meia hora, ver como está a filha. Cora dormia da última vez que Anne a tinha ido ver. Mas, ao subir as escadas da casa em silêncio, ela depara-se com a imagem que sempre a aterrorizou. A menina desapareceu. Anne nunca tivera de chamar a polícia, antes disso. Mas agora eles estão lá, e quem sabe o que irão descobrir...

Do que seremos capazes, quando levados além dos nossos limites? O Casal do Lado é um thriller que nos leva de reviravolta em reviravolta até à última página.

Confesso que no início este livro lembrou-me muito o caso da Maddie que foi raptada no Algarve há 11 anos. Pareceu-me o thriller cliché em que culpam os pais por terem deixado a bebé (recém-nascida) sozinha em casa.

Mas nada é o que parece neste livro!

No começo é logo apresentada uma mãe com depressão pós-parto, da qual o detetive tem como principal suspeita. E logo aí as coisas descambam... Relativamente à depressão dela, a autora, descreveu um tanto de conceitos errados que eu presumo que apenas se devem verificar por uma fonte pouco fidedigna. Nunca vi tanto exagero de sintomas em volta de um assunto tão sério e delicado.

Ter um bebé mudou-a não só fisicamente e psicologicamente como também a mudou em termos sociais. Não sai de casa, não convive com mais ninguém a não ser a família e tornou-se uma pessoa extremamente insegura em relação ao seu corpo e à aceitação do marido.

Então quando surge a oportunidade de irem jantar com os amigos e principalmente com Cynthia, que era amiga de Anne antes desta engravidar, todos pensam que esta é uma oportunidade de Anne sair de casa e desanuviar a cabeça.

O problema é quando a baby sitter cancela à última da hora e Marco, o marido de Anne, sugere que deixem a bebé em casa a dormir, levem o intercomunicador e se revezem a ir ver a menina de meia em meia hora.

Tudo parece dar certo, até que quando chegam a casa a bebé não está no seu berço e a porta da frente está aberta.

O que me deu mais agonias foi não haver pistas! Dava por mim a pensar: Ai meu Deus, como vão encontrar a miúda se não há pistas?

Por um lado temos o detective a querer fazer da mãe a principal suspeita e de outro vemos o sofrimento de uma mãe que apesar de ter depressão pós-parto ama a filha como nunca amou ninguém e que se esforça diariamente por ser a melhor mãe possível, apesar do seu transtorno.

Apesar de ter partilhado no stories do meu instagram que achava que a história tinha ido pelo cano abaixo, por volta da página 100, quando revelaram quem tinha raptado a menina, penso que a autora conseguiu dar ao livro uma reviravolta fenomenal. Expectável, mas ainda assim muito boa!

Esta é daquelas histórias que dão muito que falar: pais que deixam uma filha em casa a dormir enquanto vão jantar à casa dos vizinhos do lado... Algo que acaba por ser muito falado na comunidade e ao longo da história vamos aprendendo a olhar para está história de todos os ângulos.

E é óbvio que vamos desconfiar de toda a gente! Cada vez que se descobriam novas pistas eu arranjava mais um suspeito para a minha lista.

Penso que com este livro fica bem claro que apesar de conhecermos uma pessoa toda a nossa vida nunca sabemos o que lhe vai verdadeiramente na alma, não sabemos o que a move, e isso é algo que a pode tornar extremamente perigosa.

É um livro bem rápido de ler, ótimo para quem quer uma leitura fluida.

Classificação: ★★★★☆

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A História de uma Serva de Margaret Atwood



The Handmaid's Tale


Sinopse: 

Uma visão marcante da nossa sociedade radicalmente transformada por uma revolução teocrática. A História de Uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo. 

Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril. 

Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.


Neste livro é contada a história de Defred, uma mulher fértil escolhida para fins reprodutivos, e, indiretamente, a história das Servas pois todas passam pelo mesmo.

Acompanhamos então o seu percurso na 3ª casa em que é colocada. Defred reza para que o Comandante a engravide durante "A Cerimónia", em que a sua mulher também está presente, de uma maneira extremamente creepy, para cumprir o seu dever enquanto objeto do Estado.

Defred em inglês chama-se Offred. A mudança no nome deve-se ao facto de ela ser "De Fred" e em inglês "Of Fred", ou seja , pertence a um homem chamado Fred.

As Servas não podem usar o seu "nome verdadeiro", isto é, o nome que tinham antes de tudo isto acontecer ao país. As Servas são um mero instrumento de reprodução. 

As personagens são apresentadas aos bocadinhos, isto é, ela fala nas Marthas (as mulheres responsáveis pela culinária e limpeza da casa), nas Esposas (mulheres casadas com comandantes, a.k.a, alguém da Elite), etc etc por fases e no início há coisas que passam despercebidas, como o facto de, por exemplo, a cor das roupas delas importar! As Martas vestem-se de verde, as Esposas de azul, as Servas de Vermelho e por aí fora.

Além disso desde o início que falam nas "Tias" e admito que de início pensava "Mas quem raio é esta Tia?". Também dava por mim a pensar: "Mas ela está a contar o que se passou na sua vida antes de tudo, na tal escola ou já está na casa do Comandante?"

Mas depois de lhe apanhar o jeito, já conseguia perceber a que momento da "sua" vida ela se referia.

É bem claro que as pessoas não sabem nem de metade do que se está a passar no país, tanto que não é explícito quem põe abaixo o governo e a constituição. Mostra o regime em que vivem e como vão sendo arrastadas sem poder fazer nada, sem poder saber exatamente o que acontece.

Vivem no medo e na memória de dias de liberdade.

Os direitos das mulheres são completamente retirados. Não podem ler, não podem andar sozinhas, pelo que as Servas quando vão ao mercado vão sempre acompanhadas por outra Serva, não podem gerir as finanças da casa, não se podem maquilhar etc.

Já não bastaria toda esta pressão, mas para piorar tudo existem os "Olhos", pessoas entre a comunidade que tentam descobrir traidores ao regime.

Ou seja, uma Serva nem pode dizer como se sente, ou o que pensa, ou até mesmo algo além do discurso estipulado porque não sabe se a outra não é um Olho.

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Eu ia ler este livro em inglês, mas graças a Deus que não li. Se a leitura já foi densa em Português imagine-se em inglês!

À parte disso a escrita é incrível! A autora faz distinção entre os diálogos que aconteceram no passado, em que Defred conta aquilo de que se lembra do passado, e os diálogos do presente, o que nos ajuda a situar bem na história.

Gostava que tivessem explorado mais o final, se bem que deixa bem clara a sua mensagem de esperança, ou que tivessem pelo menos feito uma sequela em que se descobre o que aconteceu ao Luke e à filha dela.

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Acredito que cada livro tem o seu tempo e o que pode passar despercebido em 1985 pode ter um sucesso desmedido em 2016 ou 2017. É o caso deste livro que neste momento tem grande importância para a luta maior que se enfrentou , mas que agora é que começam a conseguir ouvir-se: os direitos das mulheres.

Porém confesso que acho a série muito melhor trabalhada. Tem o livro como base e criou o enredo consistente à volta disso.

O livro podia ter sido trabalhado tal como a série e é por isso que sinto que ficou áquem das expectativas.
(e atenção, eu vi a série depois de ler o livro, por isso para te achado a série melhor conseguida é porque é mesmo...)

Gostei? Gostei, mas acabei o livro com aquele pensamento que o livro foi morno, muito meeeeeeh, podia ser melhor..

Na realidade esperava outra coisa, outra escrita e esperava que tivesse aprofundado mais.
 
Classificação: ★★★☆☆


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Coleção The Giver: Leituras perfeitas para adolescentes



Giver

Esta coleção é um conjunto de histórias de povoados distópicos. Cada um desses povoados possui leis e formas de vida diferentes, de modo que cada um pensa que vive de forma a evitar conflitos e guerras. O que vamos percebendo é que nestes mundos, onde a tentativa é manter todos uniformes, o livre arbítrio deixa de existir.


Giver

No primeiro livro temos a história de Jonas que vive num povoado onde as pessoas estão satisfeitas com a sua vida e vivem sem conflitos. Jonas é um Doze (tem doze anos) e, por isso, está ansioso pela sua cerimónia de atribuição de uma Missão, a forma como cada habitante contribui para a sociedade.

Essas missões são escolhidas por um Conselho que observa cada jovem e, de entre as suas características, escolhe aquela que melhor se adequa a cada um.

Esta sociedade parece um tanto ideal, onde até os parceiros são escolhidos pelo Conselho, os filhos são gerados por Mães Biológicas, e depois atribuídos aos casais, e são tomados comprimidos "anti-sentimentos" pois acredita-se que estes estejam no núcleo de toda a desordem humana. Nenhum sentimento é permitido, nem mesmo o amor ou a compaixão.

Este rapaz especial recebe a missão de ser o recetor de memórias. E desta missão advém o título "The Giver", porque Jonas vai ser aluno do Dador, a única pessoa do povoado que contém em si as memórias do que o mundo foi: da guerra, da fome, da miséria, das cores, do amor. A primeira tarefa de Jonas é deixar de tomar os comprimidos e com isso ele começa a ver as coisas de outra perspetiva.

Começa a sentir, começa a questionar e apercebe-se de que o mundo ideal que criaram, e no qual ele vive, é o oposto de perfeito.

Basta uma pessoa não se adaptar e é dispensada, como um mero produto defeituoso.


Giver


No segundo livro, temos a história de Kira. Aparentemente a história parece completamente independente da primeira, mas não desistam desta coleção. Kira vive num povoado que não admite imperfeições, o que para ela é difícil, visto que tem um defeito numa perna que a faz coxear. Para piorar tudo, a mãe de Kira e sua única família morre deixando-a à sua sorte.

Fica sozinha, é menor e não tem idade nem um possível parceiro para casar, Kira tem que arranjar uma maneira de viver. O único que a ajuda é o seu pequeno amigo Matty.

Kira é órfã, coxa, amável, lutadora e tem umas mãos mágicas! E é graças à sua capacidade de bordar que é escolhida para reparar o Manto do Cantor, aquele que canta tudo o que aconteceu no mundo desde que este existiu.

Usando o seu dom, e fazendo amizades pelo caminho, Kira começa a descobrir os segredos desta comunidade e, enquanto eles se vão revelando, a sua principal missão é acabar o Manto do Cantor, saldando assim as suas dívidas. Para isso precisa de ir em busca do azul.


Giver


No terceiro livro, é contada a história de Matty, amigo de Kira, que viaja entre povoados pela Floresta. Ele ambiciona receber o seu Nome e até já sabe qual quer: "O Mensageiro". Matty tem, principalmente, a função de percorrer a aldeia distribuindo as mensagens do Líder e levar as mensagens pela Floresta entre os povoados.

A Floresta decide quem pode atravessá-la e dá avisos a quem não é bem-vindo e quando os aldeãos votam para encerrar as fronteiras do povoado, Matty tem a tarefa de ir buscar a filha do Visionário, um idoso cego, e trazê-la em segurança até à aldeia.

Mas a Floresta está cada vez mais densa e os jovens vão deparar-se com muitas dificuldades pelo caminho.


Giver


O quarto e último livro, junta todos os povoados. Começa com a história de Claire, que tem a Missão de Mãe Biológica. Ela pertence ao povoado de Jonas (do primeiro livro). Este livro está dividido em três partes: o antes, o durante e o depois.

O Antes conta a história de Claire, que tem um filho, e devido a complicações no parto é considerada inapta para continuar a ser Mãe Biológica. Assim é-lhe atribuída uma nova função na comunidade, como funcionária no Viveiro de Peixes. Como era uma Recipiente nunca chegou a tomar os comprimidos, por isso quando decide visitar o berçário e vê o seu filho, ou Produto como é denominado nesta comunidade, há algo que a faz nunca se esquecer desta criança.

Assim nasce o amor dentro dela.

Mas o amor não é simples e Claire vê-se diante de muitos obstáculos. E quando entra num barco movida pelo desespero acaba naufragando noutra comunidade.

Claire tem então uma tarefa muito difícil para sair da comunidade. Mas será que o amor é capaz de combater todos os obstáculos?

🌳

Esta é uma coleção que aborda várias coisas que acontecem, inconscientemente e até conscientemente, no mundo e ensina-nos a ver além, olhar para o futuro de forma mais consciente. Nestes livros mostram-nos que não existem limitações desde que estejamos dispostos a curar o mundo com a nossa alma bondosa e altruísta.

Este livro ensina-nos que apesar de por vezes nos vermos emaranhados numa floresta cheia de lutas pelo poder, ganância, egoísmo etc., nunca nos devemos deixar engolir por esse mundo e tentar sempre fazer tudo o que está ao nosso alcance para corrigir isso.

Gostei MUUITO do primeiro livro, li em 2009 e foi o meu primeiro contacto com distopias. Hoje, 9 anos depois, consegui completar a leitura desta série, o que me dá aquela sensação de missão cumprida!

Nota: Só achei que no último livro faltou explicar o que aconteceu no barco e quem eram aquelas pessoas, a que comunidade pertenciam? Achei que podia ter sido explicado o destino das pessoas que ficaram para trás na vida de Jonas, de Kira, Claire, etc.

Uma das lições mais importantes que retirei desta coleção é que as pessoas só têm o poder que lhes damos. Se reconhecermos a sua falta de poder e lhes negarmos a violência, essa criatura mesquinha que vive nelas e as domina acabará por ficar em cinzas. Se oferecermos amizade e bondade, talvez a pessoa volte a ser quem era antes de se deixar dominar por esta teia de coisas menos boas.

Para quem procura distopias incríveis e livros jovem-adulto esta coleção é a ideal. Podíamos considerar estes livros infanto-juvenis também, mas penso que para se entender o significado de algumas coisas é preciso ter-se mais alguma maturidade.

A leitura é bem leve, ótima para curar ressacas literárias. Estes livros deviam ser leitura obrigatória porque são simplesmente incríveis e educativos.


terça-feira, 19 de junho de 2018

A Melodia do Amor de Lesley Pearse





Sinopse:  Liverpool, 1893. Os sonhos de Beth são desfeitos quando ela, o irmão Sam e a irmã mais nova, Molly, ficam órfãos. As suas vidas, até então tranquilas e seguras, sofrem uma dramática reviravolta. Para escapar a um futuro de miséria e servidão, Sam e Beth decidem arriscar tudo, atravessar o Atlântico e partir à conquista do sonho americano. Mas Molly é demasiado pequena para os acompanhar e os irmãos vêem-se obrigados a tomar uma decisão que os marcará para sempre: deixá-la em Inglaterra, a cargo de uma família adoptiva. 
A bordo do navio para Nova Iorque não faltam vigaristas e trapaceiros, mas o talento de Beth com o violino conquista-lhe a alcunha de Cigana, a amizade de Theo, um carismático jogador de cartas, e do perspicaz Jack. Juntos, os jovens vão começar de novo num país onde todos os sonhos são possíveis. 
Para a romântica Beth, esta será a maior aventura da sua vida. Conseguirá a Cigana voltar a encontrar um verdadeiro lar? 

Uma história de amor incondicional e coragem sem limites. Um livro irresistível, da autora de Nunca me EsqueçasProcuro-te e Segue o Coração.

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"A Melodia do Amor" é o primeiro livro que leio da Lesley Pearse e tenho a dizer que gostei MUUUITO deste livro!

Neste livro é contada a história de Beth e do seu irmão, Sam, quando estes se vêem subitamente em dificuldades e decidem partir para a América, a terra onde os sonhos são realizados e fortunas amealhadas.

É notável o crescimento dos personagens ao longo do livro, o que consideravam certo e errado no início foi completamente alterado pelas experiências e vivências pelas quais passaram.

Incrível como as dificuldades os tornaram mais duros e como a escritora conseguiu criar ficção baseada em eventos que realmente aconteceram.

As descrições dos locais estão muito bem feitas, o que nos ajuda a entender todo o ambiente envolvente. Senti-me nos saloons com Beth, senti-me na perspectiva de Sam atrás do bar, com Theo nos jogos e com Jack ao leme na jangada.

Acredito que a leitura nos faz isto: faz-nos experimentar mil coisas que de outra forma não conseguiríamos experimentar. 

É uma história muito rica, sem palha! Nas primeiras 100 páginas senti que já tinham acontecido tantas coisas que o livro parecia já ir a meio, mas houve muitas mais aventuras (e ainda bem!).

Houve muitos momentos de ficar sem fôlego, muita emoção e muitas vezes dei por mim de coração partido com o sofrimento de Beth.

As únicas coisas que ficaram a desejar foram: 1) Algumas descrições relativamente às personagens e roupas da época; e 2) o nome do livro, cujo título original é "Gypsy" (Cigana) e em Português o título ficou "A Melodia do Amor", como se o livro fosse apenas "mais um" romance e não sobre a jornada desta pacata rapariga inglesa com garra, um dom para a música e que ficou conhecida como Rainha Cigana nas cidades por que passou.

Não obstante, este livro merece 4 estrelas.

Classificação: ★★★★☆ (4/5)


quinta-feira, 14 de junho de 2018

Maratona Literária Verão 2018 | Momentos de Ataraxia

Com o início do Verão pensei desafiar-me e fazer uma maratona literária e porque não convidar-vos a fazê-la comigo?

Reuni então uma lista de temas para esta maratona, cuja ordem de leituras pode ser aleatória.


1. Um livro para ler um 1 dia

Porque por vezes basta ler um livro curto para nos agarrar ao mundo da leitura e nunca mais querermos sair.

2. Um livro que te intimida

Lê aquele livro que por algum motivo de intimida. Enfrenta esse "medo" e toca a ler!

3. Um livro fora da tua zona de conforto

Um livro de um autor que não conheces, um género diferente. Vale tudo nesta categoria, desde que saias da tua zona de conforto!

4. Lê o livro que está estacionado na tua estante há mais tempo

Sim, aquele que é sempre ultrapassado pelos livros que compraste mais recentemente. Lê esse coitado!

5. Um livro com capa branca

Este tema deve-se simplesmente ao facto de eu deixar colocar os livros com capa branca sempre no fundo da estante dos livros a ler... Não sei bem porquê, mas acho que é porque tenho medo de manchar aquela capa imaculada e por isso deixo-os sempre de lado. Este é outro tema que me irá desafiar bastante e espero que a vocês também.

6. Um livro que abandonaste

Este vai ser um desafio porque se abandono um livro é porque não gostei mesmo nada dele! Mas pronto, se o desafio fosse para ser fácil nem o fazia!

7. Relê o teu livro favorito

O pior é que não tenho só um livro favorito, pelo que vou ter que escolher um dos meus favoritos!

8. Um livro que ganhou um prémio literário

O prémio não tem que ser obrigatoriamente do teu país, apenas tem que ter ganho um prémio literário.

9. Um livro indicado por alguém

Conversa com alguém que leia e pergunta-lhes um livro que te recomendam. Depois mete mãos à obra e dá a tua opinião.

10. Um livro que foi adaptado para filme/série

Este será relativamente fácil de encontrar, mas para quem ainda tem dúvidas eu irei fazer um post sobre livros que quero ler antes de ver o filme/série. Por isso fiquem atentos! ;)

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Gostaram dos temas? Pensam acompanhar-me nesta maratona? Caso me acompanhem nesta maratona usem a hashtag #maratonamomentosdeataraxia nas redes sociais! :) A maratona irá decorrer do dia 21 de Junho até ao dia 22 de Setembro.

Maratona