sábado, 19 de junho de 2021

De Livro para as Ilhas: a booktuber e autora "A Croma dos Livros"

Cá estamos de volta com mais uma entrevista no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira para participar.

Hoje trago-vos a entrevista de uma booktuber e autora da Ilha Terceira (Açores). Conheçam um pouco mais sobre a Andreia Rosa, mais conhecida por "A Croma dos Livros".

1. Quais as três palavras que consideras que mais te definem?

Açoriana, sonhadora e compreensiva.

2. Como surgiu a ideia de criar um canal no youtube?

Comecei o canal em 2013, estava eu no secundário e tinha poucas pessoas com quem falar sobre livros. E sentia essa necessidade, de partilhar as minhas experiências com os livros que tinha acabado de ler.

Descobri o booktube internacional e não via ninguém em Portugal a fazer isso. Então decidi avançar e só aí é que percebi que já haviam algumas pessoas a fazê-lo mas muito poucas. Éramos no máximo, dos máximos, 10 pessoas a fazê-lo. Isso agora não é nada, em comparação com os dias de hoje.

3. Gravas a opinião literária mal acabas de ler o livro?

Nem por isso, deixo sempre passar algum tempo. Prefiro não o fazer de cabeça quente e escolho “digerir” a história no seu total para que se torne numa opinião mais racional e construtiva, digamos assim. Dou espaço a mim própria para analisar o livro, os prós e contras, a estrutura e o esqueleto da história, das personagens e só depois disso, é que gravo e publico.

4. Além de booktuber, és, ainda, autora do livro “A Sonhadora”, publicado pela chancela Edições Vieira da Silva. Fala-nos um pouco desta tua faceta de escritora. Continuas a investir na escrita criativa (e quem sabe tens na gaveta algum livro para ser publicado)?

Eu escrevia muito no secundário, tinha imensas histórias na minha cabeça e escrevia-as. Mas depois, chegava ao ponto em que já não sabia o que fazer e passava para a próxima história. O que significa que tenho muitas histórias na gaveta, apenas nunca as terminei.

Cheguei a um ponto em que disse “não, eu tenho que terminar pelo menos uma história” e foi assim que “A Sonhadora” nasceu.

Depois de entrar para a universidade, a minha escrita foi direccionada para o jornalismo e foi-se apagando o gosto pela escrita criativa porque, na altura, o jornalismo literário era muito pouco falado/tratado.

Anos mais tarde, voltei a escrever mas não sei se daí sairá um livro publicado.

Sobre ter na gaveta algum livro, julgo que todas as histórias que tenho guardadas dos meus tempos de secundário, eu voltaria a pegar numa trilogia de fantasia que me deu uma enorme alegria em escrever. Mas neste momento, o meu registo é outro. Mas quem sabe, talvez edite e reescreva essa trilogia num futuro próximo.

5. Tens uma rubrica no teu canal denominada #LerAçores. Fala-nos um pouco sobre este teu espaço dedicado aos autores açorianos.

O que me inspirou a criar este projecto foi o livro "Arquipélago" de Joel Neto. Nunca me senti tão bem representada enquanto açoriana, mais especificamente terceirense, num livro.

Com tantos desafios/maratonas para ler livros nacionais, todos eles necessários - ainda existe um longo caminho para valorizarmos os nossos autores. Mas sinto que se já é difícil apreciar autores nacionais, quanto mais é descobrir autores açorianos, que é um nicho ainda mais pequeno. E temos tanto talento nas ilhas que, simplesmente passam despercebidos, e é aí que entra o #LerAçores com o objectivo de divulgar a literatura açoriana. Pretendo com esta rubrica, criar um espaço em que os autores açorianos sejam divulgados, valorizados e apreciados.

6. Qual o último livro de um(a) autor(a) açoriano(a) que leste?

Ilha-América de Almeida Maia, ao qual dei 4 estrelas. O livro traz-nos a história de Mané, um passageiro clandestino que partiu rumo à América no vão da roda de um avião. Algo que adorei foi o facto de se tratar de uma história ficcionada baseada em relatos verídicos da emigração ilegal açoriana.

Foi o meu livro de estreia com o autor e recomendo completamente este livro. Pretendo ler mais obras do autor.

7. Qual o teu sítio favorito para comprar livros?

Por norma, faço apenas uma grande compra no início do ano e depois passo o resto do ano sem comprar livros. Isto com o objectivo de ter sob controlo o número de livros por ler na estante. Daí de ser difícil escolher um sítio porque não tenho o hábito de comprar.

Mas diria que, neste momento, a minha livraria favorita é a Letras Lavadas por ser o meu ponto de referência de onde arranjar livros de autores açorianos.

8. Qual o teu local favorito da ilha Terceira?

Um dos meus sítios favoritos na ilha é a Lagoa das Patas. Um local tão calmo e bonito, onde ouves o sussurro das árvores na companhia dos patos que lá habitam. Para mim, é um sítio que me inspira.

9. Dá 3 motivos para as pessoas visitarem a tua ilha!

Existe um ditado popular que os Açores são feitos de oito ilhas e um parque de diversões – que é nada mais, nada menos, que a minha querida ilha Terceira.

1. É a única ilha, se não estou em erro, que manteve todas as suas tradições, festas e costumes. Pelo que, em qualquer altura do ano, podem apanhar algum tipo de festividade (daí sermos considerados o parque de diversões dos Açores )

2. Algar do Carvão – um antigo vulcão e tubo de lava localizado no centro da ilha. Há pouquíssimos lugares onde se pode entrar num vulcão e este é um deles.

3. Paisagens e momentos relaxantes e únicos, só possíveis nos Açores.


Espero que tenhas gostado de saber mais um pouco sobre "A Croma dos Livros". Visita as suas redes sociais: canal e instagram.

Com amor, Brenda

quinta-feira, 3 de junho de 2021

#setediasde Livros que gostava que tivessem adaptação: Seca

 

Neste 3º post do #setediasde Livros que gostava que tivessem adaptação (organizado com a @miriamthemermaid) trago-vos o livro “Seca”, escrito por Neal Shusterman e Jarrod Shusterman.

Este livro apresenta-nos uma sociedade severamente afetada pela seca em que de um dia para o outro há um "fechar da torneira" e acaba-se a água no abastecimento público.

Imagina abrir a torneira e não sair água. Desesperante, não é?

Com o desaparecimento dos pais durante esta crise, Alyssa e o irmão, junto com o vizinho Kelton, tentam lidar com esta grave mudança da forma mais humana possível.


Achei este livro o perfeito exemplo do que irá acontecer quando um dos bens mais essenciais, a água (potável), acabar.

Acho que daria uma excelente adaptação cinematográfica porque seria uma forma de tentar sensibilizar pessoas que ainda não estão muito despertas para este assunto (ainda que seja uma questão que vem sendo falada há anos, mas bem sabemos que há sempre aqueles que vão evitando falar sobre isto até que os afete diretamente).

Neste livro as pessoas ignoraram todos os avisos: quando tudo indicava que a água potável iria acabar, quando eram implementadas medidas cada vez mais severas, quando eram feitos protestos, as pessoas faziam o quê? Ficavam em casa a ver da televisão acreditando que não iria acontecer com elas, mas aconteceu.

Um conselho de amiga, se fores ler este livro, mantém uma garrafa de água (ou outra bebida) por perto, porque, se fores como eu, vais ficar com uma sede danada.

Com amor, Brenda


In english:


In this 3rd post of #setediasde "Books I'd like to become a movie adaptation" I would love to see" I bring you a photo that was actualy inspired on @miriamthemermaid (the other organizer of this "seven days of") I bring you the book “Dry”, written by Neal Shusterman and Jarrod Shusterman.

This book introduces us to a society severely affected by drought in which the tap is turned off overnight and the public water supply runs out.

Imagine opening the water tap and no water coming out. Desperate, isn't it?

With her parents disappearing during this crisis, Alyssa and her brother, along with neighbor Kelton, try to deal with this serious change in the most human way possible.


I found this book the perfect example of what will happen when one of the most essential goods, (potable) water, runs out.

I think it would make an excellent film adaptation because it would be a way of trying to raise awareness in people who are not yet awake to this subject (although it is an issue that has been talked about for years, but we know that there are always those who avoid talking about it until it directly affects them).

In this book, people ignored all warnings: when everything indicated that drinking water would run out, when increasingly severe measures were implemented, when protests were held, what did people do? They stayed at home watching television, believing it wouldn't happen to them, but it did.

A friend's advice, if you're going to read this book, keep a bottle of water (or other drink) close by, because if you're like me, you're going to get really thirsty.

With love, Brenda

quarta-feira, 2 de junho de 2021

#setediasde Livros que gostava que tivessem adaptação: O Décimo Terceiro Poder


Vocês têm algum livro que leram há muitos anos, mas que a história ainda está bem presente na vossa memória (mesmo que sem todos os detalhes) e ainda conseguem sentir o que sentiram ao ler aquele livro? Como um eco do impacte que a história teve em vocês?

Penso que quando li “O Décimo Terceiro Poder” de Madalena Santos tinha uns 15/16 anos e a Nerferloen foi uma das primeiras heroínas literárias que me fez pensar pela primeira vez sobre a igualdade de direitos e sobre a facilidade com que muita gente questiona qualquer atitude, e até mesmo a autoridade, de uma mulher quando esta está numa posição de chefia. Por isso, foi um livro que me marcou bastante na altura em que o li e além de querer relê-lo, ia adorar ver esta história, de uma autora portuguesa, adaptada no grande ecrã!

Este livro faz parte da saga “Terras da Corza” que é composta por quatro romances históricos/fantásticos (mas os restantes ainda não li porque só descobri que existiam recentemente).

Compra este livro: Wook | Bertrand

⚔️ Este é o 2º post de junho do #setediasde “Livros que gostava que tivessem adaptação cinematográfica”, um projeto organizado com a @miriamthemermaid .

Para quem quiser, deixo abaixo a sinopse do livro:
Nerferloen, a protagonista deste romance é uma jovem donzela que, por ordem do rei seu pai, assume a difícil tarefa de lutar contra os inimigos de forma a estabelecer a paz entre os povos das Terras de Corza. Liderando a luta contra os cavaleiros Intrusos de Negro, atinge os seus objectivos. Não se trata de uma Joana D’Arc, mas de uma figura assumidamente mulher que demonstra a força da sua coragem e da sua inteligência em múltiplas situações até à vitória final. Apaixona-se, casa-se e garante a sua sucessão ao ser mãe de dois filhos.

Com amor, Brenda

terça-feira, 1 de junho de 2021

#setediasde Livros que gostava que tivessem adaptação: Ilha-América


Amanhã, dia 2 de junho, comemora-se o 75º aniversário da transferência do Aeroporto de Santa Maria, de americano e militar para português e civil.

O Aeroporto Internacional de Santa Maria deixou na ilha um legado e património que não podem deixar de ser valorizados.

"Ilha-América" de Almeida Maia teve um grande significado para mim exatamente porque relembra, valoriza e imortaliza em livro uma aventura de um tempo da história mariense que moldou a sociedade e a fez evoluir no que é hoje.

Por isso, no âmbito deste 1º post de junho do #setediasde com o tema "Livros que gostava que tivessem adaptação cinematográfica" (projeto organizado com a @miriamthemermaid) publico foto do livro "Ilha-América", que tem uma história que eu adorava ver na TV (ou quem sabe na Netflix 😉 fica a dica 😉) com a antiga Torre de Controle ao fundo, que, segundo consta, será transformada num museu.

✈️

Esta é também uma sugestão de leitura para quem quer participar no #delivroparaasilhas , um projeto organizado com a @angiexreads que incentiva à leitura de livros sobre e das ilhas dos Açores e Madeira.

Com amor, Brenda

sexta-feira, 28 de maio de 2021

De Livro para as Ilhas: a criadora de conteúdo @marcador.inquieto

 A Nicole do @marcador.inquieto é uma criadora de conteúdo literário da ilha do Pico (Açores). É uma simpatia de pessoa, sempre disponível para ajudar e não hesitou quando lhe fiz esta proposta de a entrevistar! Conhece um pouco mais sobre a Nicole na entrevista que lhe fizemos.

1. Define-te em 3 palavras.

Sou ambiciosa, um pouco teimosa e muito perfeccionista.

2. Como surgiu a ideia de criar o bookstagram "Marcador Inquieto"?

Sou apaixonada por livros desde sempre, mas só quando fui estudar para Lisboa, em 2019, é que estes tornaram-se frequentemente num escape. Pela necessidade de trocar ideias, obter recomendações, partilhar pérolas, estar a par dos novos lançamentos e por aí fora, decidi criar o bookstagram. É o hobbie a que mais me dedico porque além da parte literária também alberga fotografia, uma outra área que foi crescendo em mim com o passar do tempo.

3. Sobre os teus marcadores em resina, porquê em resina? Conta-me como te ocorreu fazer marcadores tão criativos.

A ideia surgiu-me em Setembro do ano passado, e como vi o potencial por não existirem marcadores de resina a serem comercializados na altura em Portugal, decidi arriscar e começar a traçar o projecto. Precisava urgentemente de algo que me desse algum tipo de rendimento, acabava o curso de estética no final de Outubro desse ano e derivado à situação pandémica que ainda vivemos, não tinha quaisquer perspetivas de trabalho tanto em Lisboa como na minha ilha, o Pico. Por isso, decidi juntar o útil ao agradável e aproveitar a oportunidade de já estar inserida neste nicho para tentar a minha sorte. Fico muito feliz que a primeira colecção "Emotions" tenha sido um sucesso, porque agora possibilita-me criar mais colecções! Como costumam dizer, o melhor está ainda por vir e eu acredito piamente nisso. Criar marcadores é para mim muito terapêutico e faço tudo com imensa dedicação e carinho. Apesar de agora trabalhar, não quero de forma alguma travar este meu hobbie. Até parece que este projecto já me estava destinado, tendo em conta o nome que dei à minha página há cerca de um ano e meio atrás. Coincidências engraçadas.

4. Qual a tua leitura atual?

Estou a ler "O Último Fôlego" de Robert Bryndza. Nem imaginas o quanto me estou a conter para não ler esta série policial numa só rajada! É simplesmente espectacular, das melhores que já li.

5. Escreves a opinião literária mal acabas de ler o livro?

Costumava fazê-la mal terminava a leitura para não me esquecer de nenhum pormenor, mas confesso que me sentia limitada por isso. Preciso de estar num determinado mood para conseguir escrever algo que diga "é o melhor que consigo fazer" e isso nem sempre acontecia quando terminava um livro, o que me fazia adiar novas leituras até concluir o processo de escrita. Hoje em dia deixei de me cobrar, só escrevo reviews de livros que sinta que tenho mesmo de partilhar com todos. Apesar disso, nos wrap ups do mês falo sempre de uma forma resumida da minha opinião sobre todas as leituras dos últimos 31 dias e respectivas pontuações. Sei que há pessoas que não gostam de atribuir números ás histórias, mas para mim é extremamente útil por me dar a entender, sem rodeios, se vale ou não a pena comprar determinado livro.

6. Qual é o teu sítio favorito para comprar livros?

Por viver numa ilha praticamente a vida inteira, fui obrigada a virar-me para o online por não existir qualquer livraria cá. Sempre existiu alguns livros no posto dos CTT, mas nada de muito recente, o que nos incutiu o hábito de comprar fora. Há alguns meses abriu uma Note na minha zona e confesso que fiquei imensamente feliz! Ainda assim, vejo-me a recorrer muitas vezes às livrarias online por praticarem descontos mais apelativos.

7. Que livro recomendas sempre aos teus amigos?

Depende muito das preferências literárias de cada um. A nível de romance salto muito entre "Amor Cruel", "Verity", "Isto Acaba Aqui" e "Um Caso Perdido" da Colleen Hoover. Já se for thrillers qualquer um dos do Dan Brown serve e, no caso dos policiais, recaio imenso sobre o Robert Bryndza. Principalmente sobre o "Águas Profundas", o terceiro volume da série Erika Foster.

8. Qual foi o último livro escrito por um(a) autor(a) açoriano(a) que leste?

Um romance clássico, "Mau Tempo no Canal" de Vitorino Nemésio, natural da Ilha Terceira. Este livro conta a história de uma rapariga, Margarida Dulmo, que anda pelos seus 20 anos e que vive na ilha do Faial no início do século XX. Está prometida a um jovem herdeiro mas enamora-se por um rapazito de uma família rival. Tudo parece desenvolver-se como uma nova versão da história de Romeu e Julieta, mas esta faz uma inversão de marcha e prossegue de modo menos romântico e de acordo com os brandos costumes da terra açoriana. Mau Tempo no Canal é um retrato da sociedade açoriana, com a presença de todos os seus estratos sociais. *

* Contém excertos da sinopse publicada pela Leya.

9. Qual o teu sítio favorito da ilha do Pico?

Literalmente o meu quintal. Sou uma sortuda por ter uma vista tão maravilhosa sobre a montanha. Vivo isolada, rodeada de vinhas, de animais e principalmente de paz. A minha casa é sem dúvida o meu refúgio.

10. Dá 3 motivos para as pessoas visitarem a tua ilha!

Além de paisagens incríveis, temos uma gastronomia de lambuzar e um sentido hospitaleiro gigante. Quem nos visita parte sempre com o desejo de voltar e eu entendo perfeitamente. "Por isso é que eu sou das Ilhas de Bruma, onde as gaivotas vão beijar a terra e onde nas veias corre basalto negro."


Espero que tenham gostado de conhecer mais um pouco da Nicole e do trabalho que desenvolve no seu instagram.

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira para participar.

Com amor, Brenda

terça-feira, 25 de maio de 2021

De Livro para as Ilhas: Conhece a Lenda #1- O Reino da Atlântida

Este post era para ter saído ontem, Dia dos Açores, mas houve uns problemas técnicos e só está a sair hoje. Mas não faz mal, porque o Dia da RAA é como o Natal: pode ser celebrado sempre que quisermos!

Este post é um pouco diferente do habitual: é o primeiro da rubrica "Conhece a Lenda" do #delivroparaasilhas (organizado com a @angiexreads). 

Trago-vos, então, a lenda "O Reino da Atlântida" (in "Açores, Lendas e outras Histórias", recolha e arranjos de textos por Ângela Furtado-Brum).

Gostam deste tipo de conteúdo em vídeo ou escrito? Caso prefiram em post escrito a lenda em formato escrito está depois do vídeo.




"Nas grandes civilizações da antiguidade dizia-se que para além das Colunas de Hércules, hoje Estreito de Gibraltar e onde agora se estende o Atlântico, dominava o poderoso império dos Atlantas.

Esse império era constituído por dez reinos, sob a proteção de Poséidon, pelo que os Atlantas eram exemplares no seu comportamento, não se deixando corromper pelo vício e pelo luxo.

Toda a Atlântida era sonho e delícia. A Terra produzia madeiras preciosas; havia minas de metais nobres; O clima excecional favorecia uma agricultura florescente; As casas e palácios evidenciaram conforto e riqueza; havia estradas e pontes ótimas. O desafogo económico proporcionava o aparecimento de sábios e de artistas.

Todos se compraziam apenas em gozar e explorar as riquezas do seu reino, mas não deixavam de se ensaiar na arte da guerra.

Assim não foi difícil aos Atlantas defenderem o seu território dos ataques daqueles que, levados pela inveja, ansiavam conquistar a tão prodigiosa Atlântida. De tal modo se portaram na defesa da terra que o orgulho desabrochou e deu-se pela primeira vez a ambição de alargar os domínios do reino.

O poderoso exército atlanta alastrou por todo o mundo conhecido de então e dominou os povos. Inebriados pelo triunfo, deixaram-se dominar pelo orgulho e pela vaidade, caindo no luxo e na corrupção, desrespeitando os deuses.

Zeus convocou um consílio para que se aplicasse um castigo aos atlantas, agora tão depravados. Em consequência, a terra tremeu violentamente, o céu escureceu como se fosse noite, o fogo lambeu as florestas, o mar galgou a terra e engoliu aldeias e cidades.

A Atlântida e toda a sua prosperidade desapareceram para sempre na imensidão do mar, mas nove dos montes mais altos dessa linda terra ficaram a descoberto. Muitos anos mais tarde essas pequenas ilhas, restos do grande continente, foram povoadas e são hoje as ilhas dos Açores que, pelo seu clima bonançoso e bom, pela beleza da sua paisagem, lembram a próspera Atlântida."

Com amor, Brenda

domingo, 23 de maio de 2021

De Livro para as Ilhas: entrevista @emcasulo

@emcasulo é uma criadora de conteúdo natural da ilha de São Miguel (arquipélago dos Açores). Será que é desta que a Patrícia vai sair do casulo e dar-nos a conhecer tudo sobre si? Descubram na pequena entrevista que lhe fizemos. 😉


1. Define-te em 3 palavras. 

Sarcástica, bem-humorada e palhaça 🤡😂

2. Como surgiu a ideia de criar o "em casulo"?

Surgiu numa fase em que estava a viver fora da ilha e as saudades me fizeram refugiar mais nos livros. Nessa altura comecei a ir muito à biblioteca local e decidi pesquisar um pouco mais sobre a comunidade livrólica no instagram. E cá estou eu 😁

3. Qual a tua leitura atual?

"Kill Creek" de Scott Thomas e "A Felicidade das Coisas Imperfeitas" de Artur Veríssimo 😊

4. Qual o teu sítio favorito para comprar livros?

Sou muito de fases. Ou gosto muito de ir às livrarias, ou encomendo tudo pela net. Mas adoro passear na secção de livros do Continente 🤭

5. Escreves a opinião literária mal acabas de ler o livro?

Nem lá perto… Escrevo quando me apetece, às vezes nem escrevo de todo.

6. Que livro recomendas sempre aos teus amigos?

Os Filhos da Droga!

7. Qual foi o último livro escrito por um(a) autor(a) açoriano(a) que leste?

Por acaso estou a ler A Felicidade das Coisas Imperfeitas de Artur Veríssimo, um autor terceirense que descobri por acaso 😊

8. Qual o teu local favorito da ilha de São Miguel?

Sete Cidades 💖

9. Dá 3 motivos para as pessoas visitarem a tua ilha!

Natureza, a águinha quentinha das termas e as queijadas da Vila! 😂


Gostaste de saber mais um pouco sobre a Patrícia? Que livros andas a ler por aí? 

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira para participar.

Com amor, Brenda

quinta-feira, 20 de maio de 2021

De Livro para as Ilhas: entrevista à Míriam, The Mermaid

Criadora de conteúdo literário natural da ilha de Santa Maria (Açores). Reza a lenda que começou a transformar-se em sereia mal colocou os pés nas águas de São Lourenço. Conhece mais sobre este ser mitológico nesta entrevista.


1. Apresenta-te em 3 frases.

Tenho 26 anos e, apesar de atualmente morar no Algarve, sou natural da ilha de Santa Maria. A leitura já me acompanha desde criança! Foi um vício que herdei do meu pai.

2. Como surgiu a ideia de criar um bookblog?

Sempre gostei muito de blogs e tive vários sobre várias coisas. Juntei o facto de muitas vezes não ter com quem falar de um certo livro  ao gosto que sempre tive por blogs e lá fui eu! Tive vários antes de me ficar pelo “Prólogos e Epílogos”, que hoje é o “Míriam, The Mermaid”.

3. Qual a tua leitura atual?

“Siege and Storm” da Leigh Bardugo

4. Qual o teu sítio favorito para comprar livros?

Amo uma boa promoção do Continente, não vou negar! Mas normalmente até sou mais de comprar on-line ou, quando posso passar lá, vou à Bertrand.

5. Escreves a opinião literária mal acabas de ler o livro?

Muito raramente consigo fazer isso, porque quando termino a leitura tenho mil e uma coisas na cabeça. Mas vou anotando algumas coisas à medida que vou lendo.

6. Que livro recomendas sempre aos teus amigos?

A Brenda já não me pode ouvir mais: DIVINE EVIL (Maléfico em PT-PT) da Nora Roberts. 

7. Qual o teu local favorito da ilha de Santa Maria?

A Baía de São Lourenço, na freguesia de Santa Bárbara. 

8. Dá 3 motivos para as pessoas visitarem a tua ilha!

A beleza da ilha, as pessoas, os lugares... podia ficar aqui o dia todo a falar de cada lugar lindo que há na minha ilha!


Gostaram desta entrevista? Não se esqueçam de espreitar o blog da Míriam (link aqui) ou o seu instagram (@miriamthemermaid).

Esta entrevista foi feita no âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, que se encontra a decorrer até dia 31 de julho e só precisas de ler livros sobre as ilhas dos arquipélagos dos Açores e Madeira.

Com amor, Brenda

segunda-feira, 10 de maio de 2021

De Livro para as Ilhas: entrevista ao autor Almeida Maia

No âmbito do desafio "De Livro para as Ilhas", organizado com a @angiexreads, decidimos entrevistar vários autores das ilhas dos Açores e Madeira. Nesta primeira entrevista publicada, ficarão a conhecer um pouco mais sobre o famoso autor de "A Viagem de Juno" (um livro de que falo muito no meu instagram: @brendafrc): o autor açoriano Almeida Maia.

1. Defina-se em 3 palavras.

Esta é a pergunta mais difícil de todas! Diria que, antes das minhas características pessoais, vêm as condições de: filho, pai e açoriano. Só depois vem o resto.

2. Escreve apenas quando está inspirado ou tem alguma rotina de escrita?

Quando a inspiração surge, encaminho-a para os meus blocos de notas, mas prefiro não depender apenas dela para escrever. Tenho uma disciplina de escrita bem definida, embora nestes tempos pandémicos a tenha colocado um pouco de parte. A prioridade tem sido o trabalho e as filhas. Naquilo a que chamaríamos de normalidade, escrevo todos os dias, de segunda a sexta.

3. Prefere escrever no papel ou no computador?

Faço apontamentos em papel, mas prefiro escrever no computador. Para o meu ritmo de trabalho, torna-se mais consistente. Mas talvez seja por uma questão de hábito, porque até tiro algum prazer do ritual da tinta sobre o papel.

4. Policial, distopia e romance foram alguns dos géneros que já escreveu. Tem algum favorito?

Sinto que estes géneros representam uma evolução de mim próprio e das minhas leituras. Li muitos policiais durante a juventude, passei à ficção científica e, hoje, dedico-me mais à leitura do romance literário. O policial é divertido de escrever, mas o romance completa-me melhor e permite-me explorar as áreas da vida que mais questiono.

5. Enquanto leitor, qual o género que predomina na sua estante?

Comecei por ter muita banda desenhada e livros de aventura juvenis, uma acumulação que foi alimentada pela minha mãe. Depois, a coleção Vampiro e vários romances policiais, sobretudo do Rex Stout. Acumulei as histórias do H.G. Wells e de Hemingway, além dos grandes romances, claro. O romance deverá estar em predominância, mas a competir com a não-ficção. Também consumo muitos temas de História, Filosofia, Biografia e Psicologia.

6. Qual o seu sítio favorito para comprar livros?

Tento comprar o máximo possível em livrarias locais. Há um prazer incomparável em folheá-los no ato da escolha. Alguns títulos muito específicos, ou difíceis de encontrar, obtenho-os através da internet.

7. Que livro escrito por um(a) autor(a) açoriano(a) nos recomenda vivamente?

É difícil eleger apenas um, mas como sou apologista de que ler Nemésio é fundamental para se conhecer a realidade açoriana, Corsário das Ilhas talvez seja um bom começo.

8. Qual o seu lugar favorito da ilha de São Miguel? Esse sítio já o inspirou de alguma forma na sua escrita?

As lagoas do Fogo e das Sete Cidades são as paisagens que mais me emocionam em São Miguel, mas toda a costa é impressionante. Os lugares junto ao mar servem-me de inspiração para a escrita, aliás, a geografia açoriana está presente em todos os meus trabalhos.

9. Dê-nos 3 motivos para visitar a sua ilha.

Daria como principal motivo as paisagens e a possibilidade de ligação com a natureza, que tanta falta nos faz atualmente. Em segundo lugar, as pessoas e a forma calorosa de receber. Por último, mas não menos importante, a riquíssima gastronomia, sem sombra de dúvida.

10. Deixe umas últimas palavras a quem lê esta entrevista. 

Muitas vezes perguntam-me de que forma se pode apoiar os escritores e a nossa literatura. Eu costumo dizer que não é apenas comprando os seus livros, embora isso seja importante, por motivos óbvios. A divulgação é essencial: passar a palavra, classificar e comentar os títulos nos sites da especialidade, apoiar nas redes sociais, enfim. Todos os pequenos gestos contam. E isso leva-me a congratular-vos por esta iniciativa. É um contributo valiosíssimo!

Foto da Lagoa do Fogo: @natureshots.rsa

Espero que tenham gostado desta pequena entrevista a um autor açoriano que descobri há pouco tempo, mas tenho adorado cada livro! 


Com amor, Brenda