quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Moon Truths by Gabriella Ray

Truths
Sinopse (tradução livre): "Verdades da Lua: poesia para inspirar, curar e capacitar as mulheres" é uma celebração da força feminina. É uma história poderosa contada através de quarenta poemas cativantes sobre como, de tempos a tempos, as mulheres crescem e triunfam através dos desafios e adversidades que enfrentam. Este livro irá inspirar as mulheres a melhorar suas vidas, a amarem-se a si mesmas e a reivindicar todas as coisas maravilhosas que merecem. 
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à autora por me ter cedido este livro via netgalley em troca de uma opinião honesta. Este é um livro com poesia incrivelmente inspiradora. Fala sobre amor-próprio e aceitação.

É um livro bem pequenino, tem cerca de 50 páginas, pelo que nos mostra que a poesia não precisa ser em grandes quantidades, nem com linguagem complicada, para conquistar um espaço no nosso coração. Apesar disso, senti que precisava de mais poemas, mais páginas, MAIS! Espero que a Gabriella nos presenteie com mais livros com escrita deste género!

Gabriella Ray mostra-nos que podemos amar e ser amados, amar os outros e amarmos-nos a nós próprias ainda mais, ser fortes e vulneráveis ao mesmo tempo.

Partilho convosco o meu poema favorito (Shine):

It's impossible
to gaslight
a person

Whose truth
can shine
all on its own.

Ler este livro é uma viagem de emoções boas, queremos sempre mais e mais. Dei por mim a reler imensos poemas já depois de ter terminado o livro.

Moon Truths relembra-te o quão espectacular tu és e inspira-te a continuar a acreditar nisso todos os dias.


Não é um livro com vocabulário difícil, pelo que recomendo a leitura a pessoas que não se sentem tão seguras a ler em inglês. Este é um ótimo livro para começar na aventura que é ler em inglês.

Classificação: ★★★★☆

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Fora de mim | Out of My Mind de Sharon M. Draper

Se só puderem ler um livro este ano: leiam este.

Provavelmente não vai ser o melhor livro que vão ler na vossa vida, mas leiam e vão perceber porque o devem ler!

Fora de mim

Sinopse: Melody tem onze anos e uma memória fotográfica. O seu cérebro é como uma câmara de filmar que está sempre ligada. SEMPRE. Não existe forma de o parar. Ela é a rapariga mais inteligente da sua escola, mas ninguém imagina que isso possa sequer ser possível.
A maioria das pessoas, incluindo os seus professores e médicos, não acredita que Melody seja capaz de aprender, e os seus dias são passados a ouvir as mesmas canções da pré-escola, uma e outra vez. Se ao menos ela conseguisse falar, dizer às pessoas o que pensa e o que sabe. Mas não consegue. Não consegue falar. Não consegue andar. Não consegue escrever.
Estar presa dentro do seu corpo é cada vez mais difícil de suportar. Mas tudo está prestes a mudar com a descoberta de algo que a pode ajudar finalmente a comunicar com as suas próprias palavras. Só que nem todos à sua volta parecem estar prontos para a ouvir.
Um livro extraordinário e que nos faz ver o mundo com outros olhos.

Este é um livro que nos aperta o coração nas primeiras páginas.

Conta-nos a história de Melody, uma menina de 11 anos com paralisia cerebral.

Melody está aprisionada dentro do seu corpo sem conseguir falar, andar ou escrever. E para alguém com essas limitações é muito difícil mostrar efetivamente o quão inteligente é.

Até que surge um meio de poder comunicar.

Li este livro pouco depois de ler "Viver depois de ti" (resenha AQUI) e não consegui deixar de comparar ambos os livros. Por um lado havia alguém que experimentou uma vida de aventuras e mesmo conseguindo-se exprimir tomou a decisão de terminar com a sua vida. Por outro, temos uma criança que só quer ser capaz de comunicar e viver através das palavras. Vi força de vontade nos dois e se o primeiro me ensinou que temos que respeitar a opinião dos outros, o segundo ensinou-me que nós nunca, mas nunca, vamos ser capazes de entender verdadeiramente o que uma pessoa com estas condições pensa ou sente. A única coisa que podemos fazer é estar ao seu lado e lutar contra o preconceito.

Acredito que deve ser angustiante querer comunicar e não conseguir, principalmente quando existe um cérebro perfeitamente capaz de aprender e ao qual é imposto o estereótipo de "atrasado" ou "deficiente", que é o que acontece com Melody no livro. Como não é capaz de comunicar não consegue provar que é inteligente e tem que passar os seus dias a ouvir e ver a sua professora a ensinar o abecedário pela 1037463489738463948 vez (só de ler, eu já estava enervada, imagino quem ouve a mesma aula durante anos seguidos e não consegue dizer que quer aprender outras coisas!).

Que agonia! Acho que qualquer um se passava dos carretos caso tivesse que ouvir o som da letra B pela enésima vez.

Esta é uma leitura infanto-juvenil que ensina sobre a tolerância e esperança. Recomendo a leitura a pequenos e graúdos.

Classificação: ★★★★★

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Crazy Rich Asians | Kevin Kwan



Crazy
Nota: Apesar de ter lido o livro em inglês e ainda não ter tradução em Portugal, deixo-vos uma sinopse da edição do livro no Brasil.
Sinopse (BR): Best-seller internacional que inspirou uma das mais aguardadas adaptações cinematográficas do ano. Quando Rachel Chu chega à Cingapura com o namorado, o charmoso Nicholas Young, para acompanhá-lo ao casamento de seu melhor amigo, imaginava passar dias tranquilos com uma simpática família, longos passeios de carro explorando a ilha e bastante tempo ao lado do homem com quem um dia talvez fosse se casar. Só que Nick não mencionou alguns detalhes... Como o fato de sua família ter muito, muito dinheiro, que ela iria viajar mais em jatinhos particulares do que de carro e que caminhar de mãos dadas com um dos solteiros mais ricos da Ásia era como ter um alvo nas costas. Em pouco tempo, Rachel se vê transportada para um episódio de Gossip Girl, só que na Ásia e com pessoas podres de ricas, que não vão poupar a simples professora universitária das fofocas e intrigas. Isso sem falar na mãe de Nick, uma mulher com opiniões bem fortes sobre com quem seu filho deve – ou não – se casar. Um passeio pelos cenários mais exclusivos do Extremo Oriente – das luxuosas coberturas de Xangai às ilhas particulares do mar da China Meridional –, Asiáticos podres de ricos é uma visão do jet set oriental por dentro. Com seu olhar satírico, suas cenas memoráveis e seus vários momentos hiperultrafashion, Kevin Kwan traça um retrato engraçadíssimo do conflito entre os novos-ricos e as famílias tradicionais em seu romance de estreia, que já fez milhares de leitores chorarem de tanto rir no mundo todo.

Um dos livros mais famosos do momento e que neste verão teve direito a adaptação cinematográfica.

Esta é a história de uma família que é quase realeza em Singapura. Enquanto vamos conhecendo as várias linhagens da família, e respetivas perspetivas, vai desenrolando-se a história de Rachel Chu e Nick Young, um casal de professores universitários que namoram há 2 anos, e vão a Singapura  de férias para o casamento do melhor amigo de Nick. 

Assim, Rachel entra neste mundo, do qual não tinha absolutamente conhecimento nenhum, e é alvo de partidas e mau olhado por todas as interessadas no solteiro mais cobiçado de Singapura. Já não bastava isso como também a família de Nick encara Rachel como uma gold digger (a.k.a caçadora de fortunas), alguém que só pretende o dinheiro de Nick e dos Young.

Então Rachel começa a sofrer represálias por namorar com o futuro herdeiro da família Young.

Confesso que me irritou um pouco a Rachel sofrer, com tudo o que lhe faziam, e nunca dizer nada ao Nick! Deu vontade de arrancar a personagem do livro e dizer "Oh mulher, manda essas avestruzes interesseiras ir dar uma volta!", porém entendo que num mundo em que tudo é novo ela não queria que Nick percebesse que o "seu" mundo não estava a ser simpático para a sua cara-metade.

Paralelamente vamos também conhecendo a história de Astrid, prima de Nick e rainha do JetSet asiático, e do seu casamento que se está a deteriorar.

Gostei MUITO deste livro, apesar de ter levado 3 semanas a lê-lo! Não demorei a ler por o livro ser desinteressante, o problema foi mesmo ter lido numa edição em que a letra era extremamente pequena.

Ia ficando sem vista com esse tamanho de letra!

Este livro é um ícone de empoderamento cultural. Protagonizado por asiáticos, torna-se um ponto de referência para todos aqueles que se identificam com estas personagens e cultura.

Classificação: ★★★★☆

Tenho muita pena que o filme não chegue aos cinemas portugueses (pelo menos até agora não chegou). Mas televisões, comprem este filme por favor, nunca vos pedi nada!



quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O Barqueiro | Claire McFall

Barqueiro

Sinopse: Dylan é uma adolescente, vive com a mãe, nunca conheceu o pai. 
Até agora. Quando o pai entra em contacto, e a convida a visitá-lo, ela aceita sem pensar duas vezes. E, contra a vontade da mãe, parte para Aberdeen, no Norte da Escócia. Vai de comboio, através de paisagens desoladas. Ao passar num túnel, dá-se um acidente terrível. E Dylan é a única sobrevivente. Ou talvez não.

Ao emergir dos escombros encontra-se numa paisagem desolada, desértica. E Tristan, um rapaz de olhos tristes, está à sua espera. 
É ele o barqueiro, é ele quem terá a missão de a levar, através de um cenário cada vez mais assustador, para o outro lado - tal como fez milhares de vezes antes, com milhares de outras pessoas. 

Desta vez, porém, tudo é diferente. Perseguidos por fúrias à caça de almas humanas, Tristan e Dylan aproximam-se cada vez mais. 
Mas há um limite. Eles já não pertencem a este mundo. E no outro lado, há uma fronteira que ninguém consegue passar. A não ser que…

O Barqueiro, inspirado no mito grego do Barqueiro do Hades, é uma história de amor profundamente original, que desafia os limites da morte. Obra premiada na Escócia, país natal da autora, Claire McFall, tornou-se um dos maiores bestsellers contemporâneos na China, onde já vendeu mais de um milhão de exemplares - e onde permanece há anos entre os dez livros mais vendidos.

Adorei, adorei, A-DO-REI! Uma história linda. Li o livro em um dia e senti que, quando o terminei, tinha passado um século de aventuras. 

No início do livro conhecemos uma Dylan curiosa para ir conhecer o pai, que se divorciou da mãe quando ela era pequena e nunca mais manteve contacto. Dylan entra no comboio para ir ter com ele e ao passar num túnel dá-se um acidente terrível. Inicialmente ela acha que foi a única sobrevivente, todavia, depois de conhecer Tristan, um rapaz da sua idade que estava ao fundo do túnel, começa a aperceber-se que algo não está bem. E é-lhe então explicado que morreu e Tristan é o guia que a ajudará a atravessar as terras perdidas em direção ao local onde a alma dela estará a salvo para a eternidade.

À partida questionei-me se o livro iria resultar, visto que os diálogos entre Tristan e Dylan teriam que ser extremamente completos para não nos aborrecermos e acreditem quando vos digo que: não aborrecem, muito pelo contrário!

Todo o livro é uma reflexão constante sobre a vida e a morte e, claro, como eles se apaixonam a questão que fica no ar é sempre "Será que o amor deles irá superar a morte?".

O único ponto menos positivo a apontar seria talvez o relacionamento com a mãe. Não consigo entender o fosso que existe entre as duas e, sinceramente, quando Dylan descobre que está morta até nem parece dar grande relevância a nunca mais poder estar com a mãe. Posso estar enganada neste sentido, mas pelo menos foi aquilo que senti.

"O Barqueiro" tem todos os pontos que aprecio num bom livro: romance cliché, um casal invejável, magia e boa escrita. A autora agarra-nos à história como poucas conseguem.

Não posso deixar de mencionar que a edição, tanto a capa como a ilustração que se encontra no início dos capítulos, está muito bem conseguida!

Este é sem dúvida um dos melhores livros que li na minha vida. No fim há um excerto da sequela e só vos tenho a dizer que a quero ler para ontem. Quero mesmo saber como a história irá continuar! Sem dúvida que recomendo a leitura. Não se irão arrepender!

Lamento que a esta resenha seja curtinha, mas por vezes quando adoro o livro tenho uma ENORME dificuldade em falar dele, por um lado porque há tanta coisa por dizer, e não quero dar spoilers, e por outro porque fico sem palavras para descrever o quanto achei o livro incrível. 

A sério, leiam e vão perceber porque fiquei encantada.

Classificação: ★★★★★

Nota: Livro lido para a categoria "Um livro com uma capa em tons escuros" - Maratona Fall in Stories

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Só no escuro podes ver as estrelas | Cristina Boavida



estrelas

Sinopse: Há muito tempo que Sofia deixou de ter vontade de acordar. É verdade que está desempregada, que tem um namorado desinteressante e que vive com uma mãe deprimida, mas tirando estes pequenos "infortúnios", tão banais nos dias que correm, não se pode queixar da vida. Na verdade, a existência de Sofia não é muito diferente da de todos nós. Mas de uma noite para a outra, o seu mundo fica virado do avesso. E tudo começa a mudar no momento em que um estranho entra na sua vida.

Um livro nacional surpreendente e com uma das melhores protagonistas mais sinceras que tive a honra de conhecer.

Sofia é uma jovem portuguesa desempregada que existe para ir ao Centro de Emprego e fumar. Passa os dias desanimada, tem um namorado que anda no mundo porque vê os outros andar e uma mãe deprimida.

Sofia limita-se a existir e não a viver. 

Mas tudo muda quando numa aborrecida noite de férias no Alentejo vê uma estrela cadente e pede um desejo. O que não sabe é que lhe cai, literalmente, um homem do céu que lhe irá virar a vida do avesso.

Nesse momento, por obra do destino, cruzam-se duas vidas que jamais se deviam encontrar, mudando o conceito de "humanidade" para sempre.

Entre fugas com o carro do namorado Pedro, estadias em hotéis não pagas, assaltos a bancos, perseguições e extraterrestres, Sofia apercebe-se que a sua vida não é a mesma e que meter-se em sarilhos com um extraterrestre, que no fim terá que lhe apagar a memória, vale mais do que levar a vida vazia que levava.

Nada é expectável neste livro, a não ser o casal romântico, claro!

Gostei especialmente das passagens em que Sofia acaba por falar um pouco da tristeza profunda que sente recorrendo àquela filosofia barata que nos ganha o coração e nos faz identificar profundamente com o que ela sente e pensa.

Se procuram livros com histórias diferentes este é o livro ideal. Se procuram um(a) autor(a) nacional este é um livro que têm que ler obrigatoriamente!

Classificação: ★★★★★

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Viver depois de ti de Jojo Moyes

Moyes
Sinopse: 
Louisa Clark é uma jovem com uma vida banal - um namorado estável, trabalhador e uma família unida - que nunca saiu da aldeia onde sempre viveu. Quando fica desempregada, vê-se obrigada a aceitar um emprego em casa de Will Traynor, que vive preso a uma cadeira de rodas, depois de um acidente. Ele sempre tinha vivido de um modo trepidante - grandes negócios, desportos radicais, viajante incansável - agora tudo isso ficou para trás.

Will é mordaz, temperamental e autoritário, mas Lou recusa tratá-lo com complacência e em breve a felicidade e o bem-estar dele tornam-se muito mais importantes do que ela esperaria. No entanto, quando Lou descobre que Will tem planos inconfessáveis para a sua vida, ela luta para lhe mostrar que ainda assim vale a pena viver.

Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso, com sensibilidade, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.
Uma vez ouvi alguém dizer num vídeo ou num post, não me lembro, que achavam que este livro transmitia a mensagem de que as pessoas nesta condição deviam todas recorrer à eutanásia.

Quando comecei a ler o livro ia de mente aberta, mas essa expressão nunca me saiu da cabeça e o que que tenho a dizer sobre isso é: nós não sabemos o que as outras pessoas sentem. Nós não podemos dizer que o livro passa uma mensagem de que todos os que se encontram nesta condição se devem eutanasiar. Muito pelo contrário, eu acho que este livro mostra a história de uma pessoa que ama alguém e tenta mudar a sua visão da vida.

Este livro é sobre escolha. Sobre a escolha que nós queremos para nós, sobre a escolha que pensamos ser a melhor para os outros e, acima de tudo, a escolha mais difícil que se pode fazer na vida: a de morrer. Porque apesar de "morrer ser fácil", é difícil viver com dores todos os dias da nossa vida. 

Eu já tinha visto o filme (trailer) antes de ler o livro e confesso que a única coisa que me lembrava era o final e, claro, os atores que interpretavam os protagonistas (que estão na capa desta edição), por isso quando me foi apresentava a Louisa Clark eu já tinha "encaixado" a cara da atriz do filme e não comecei o livro completamente isente de spoilers.

A diferença mais discrepante foi mesmo o Will. O do filme não tem nada a ver com o do livro, e quem ler o livro entende. O Will do livro é mais sensato e pelas suas conversas percebemos outro nível de maturidade.

E até o nome dele tem significado: Will, vontade, força de vontade... E é isto que este homem é: uma pessoa cheia de ideias fixas e com vontade de levar avante pelo menos a decisão que pode tomar sozinho.

A Louisa Clark é sempre aquela estrelinha brilhante na vida de todos, não só da família de Will como da sua família.

DE-TES-TEI a irmã dela no livro! Mesmo depois de começar a ajudar a Lou notava-se que era tudo com segundas intenções (a.k.a egoísmo).

O namorado da Lou, que quase passou despercebido no filme, tem um papel considerável no livro. Gostei disso, mas o "tempo de antena" que teve no livro só me fez desgostar ainda mais da personagem. 

E esta tradução do título do livro? Deixem que vos explique, o título original é "Me before you", logo, literalmente, "eu antes de ti" ou até como é dito no brasil "Como eu era antes de você". Logo "Viver depois de ti" só pelo nome já parece um segundo livro para quem só conhece o título em inglês... Quando procurei o livro andei às voltas até descobrir que este realmente era o primeiro. E confesso que devido a esta tradução do título fiquei um pouco de pé atrás com a tradução do livro, mas rezei e confiei que o livro estivesse conforme o original.

Moyes

Achei o tema do livro muito pertinente! Este assunto foi debatido à pouco tempo em Portugal e a legalização da eutanásia foi rejeitada.

Penso que é uma decisão MUITO complicada, mas quem tem que decidir é quem está naquela posição, é quem tem que viver diariamente em determinadas condições. E penso que pelo menos deve ser dada a opção de dizer "sim", deve ser dada uma saída digna. Porque a eutanásia não se trata de matar a torto e a direito, não se trata de cometer homicídio, trata-se de dar uma escolha digna a alguém que se quiser mata-se na mesma, só que neste caso pode escolher morrer em paz e rodeado dos seus entes queridos.

A decisão não é de quem fica, é apenas e exclusivamente de quem está a sofrer e quer ter um fim de vida digno, enquanto ainda pode dizer aquilo que quer.

Chorei baba e ranho no fim do livro. Sofri durante toda a leitura pela Louisa e sofri pelo Will, mas, apesar disso, este é, sem dúvida, num livro que recomendo a toda a gente, sem exceção.

Classificação: ★★★★☆

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O Poder de Naomi Alderman

Poder

Sinopse: Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?
E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar? Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.

Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

Nem sei bem como começar esta resenha. Foi um livro tão bom que me deixou sem palavras no momento em que virei a última página.

Li este livro para o NetBookClub do mês de Setembro e para primeira participação não podia ter começado melhor.

Como puderam ver pela sinopse, neste livro temos uma distopia em que as mulheres possuem um poder que lhes dá supremacia sobre os homens.

A história é abordada pelas perspetivas de 4 personagens: Allie, Roxy, Tunde e Margot. Eventualmente é narrada por outros personagens mas estes são os principais, por assim dizer.

Allie é uma rapariga americana que vive numa família adotiva que abusa física e mentalmente dela.

Roxy é filha de um Líder de um gangue londrino.

Tunde não passava de um rapaz universitário até se descobrir o Poder. Depois disso, este rapaz Nigeriano, dedicou a sua vida a reportar notícias sobre esta transformação mundial.

Margot é uma política americana cujo Poder foi "ativado" pela sua filha Jocelyn.

Poder

Esta distopia mostra-nos como as mulheres, depois de ganharem este Poder, tratam os homens. Mostra-nos como os homens passam a temê-las e percebe-se claramente aquilo que, atualmente, uma mulher passa e sente quando um homem decide que é superior a ela.

Muitos dizem que este livro é sobre feminismo, mas é exatamente o contrário.

Este é um livro que fala sobre inversão de papéis, que aborda o "e se fossem vocês a sofrer o que nós sofremos? e se fossem vocês a sentir aquilo que nós sentimos?"

No ano passado fiz um texto sobre o feminismo, cliquem AQUI para (re)ler.

Gostei que o livro fosse contado em contagem decrescente para um qualquer evento que iria acontecer, mas não achei o final estrondoso, tipo "BUUUM", isto é, não foi tão impactante como estava à espera.

Uma coisa que A-DO-REI foi terem narrado o livro também da perspetiva de um homem, o que permitiu perceber o lado dos homens neste mundo novo.

Este livro foi escrito para chocar e, acima de tudo, para abrir os olhos a muitas pessoas. Para verem que as mulheres aqui fazem o que fazem "porque podem", tal como os homens fazem nos dias de hoje...

Apesar de ter dado 5* no goodreads, admito que a construção das personagens não foi lá muito bem feita, pelo simples facto de que se passaram 10 anos e não se vê claramente a evolução/crescimento de cada uma delas, a não ser talvez na Roxy.

E por falar na Roxy, esta foi a minha personagem favorita, em parte pela pena que tive dela no fim (por motivos que não vos vou contar ;) ).

No início é indicado que o livro é um romance histórico e ao longo deste são apresentadas algumas ilustrações e  descobertas que, supostamente, foram feitas ao longo dos anos. Adorei isto, deu outro ar ao livro e confesso que no início pensei: Mas espera aí, será que encontraram mesmo isto?

Penso que todos os homens deviam ler este livro, apesar de ter quase a certeza que muitos não vão gostar de ler o que lhes aconteceria se estivessem na nossa pele, se tivessem medo ao andar na rua à noite, se tivessem medo de um olhar errado se traduzir em violência, etc.

Penso que O Poder teve o objetivo de mostrar como as mulheres são tratadas e como uma inversão desse poder pode traduzir-se na sociedade.

Lá na live da discussão do grupo, foi também falado, por comparação, em " A História de uma Serva", cujo livro já li e tenho resenha (para ler clica AQUI). Acredito que sim, podem ser objeto de comparação em termos de serem ambos distopias e acredito que quem gostou de um destes livros irá gostar do outro. Principalmente pelas premissas que ambos os livros nos oferecem.

A organizadora do NetBookClub é a Cláudia do blog A mulher que ama livros e o livro do mês de Outubro é "Pão de Açúcar" de Afonso Cabral . Pensam juntar-se a este grupo incrível em que lemos livros e depois os discutimos todos juntos no terceiro fim de semana de cada mês?

O que acharam do que vos contei deste livro? Já leram? Acham que deve ser comparado à [A] História de uma Serva? Contem-me tudo nos comentários ;)

Classificação: ★★★★★