quinta-feira, 26 de julho de 2018

Whitney, Meu Amor de Judith Mcnaught



Mcnaught


Sinopse: Whitney Stone é uma jovem de personalidade forte. Algo que o pai, um homem frio e calculista, não tolera. Decidido a acabar de uma vez por todas com a paixão que a filha nutre pelo vizinho Paul, envia-a para Paris. Sob os cuidados e carinho dos tios, a trapalhona e reguila Whitney transforma-se numa mulher lindíssima. A sua sensualidade e carisma conquistam a sociedade parisiense e captam a atenção do poderoso Duque de Claymore. Mas o coração de Whitney há muito que está tomado por Paul. Essa é, pelo menos, a convicção da jovem. Até ao dia em que dá por si a sentir-se tentada pelo duque - uma atração que a delicia e perturba, pois é a primeira vez que percebe que o seu coração tem uma vontade muito própria. Já o duque não tem qualquer dúvida. Ele deseja Whitney. E planeia tê-la, não obstante o crescente número de obstáculos, que incluem o "pormenor" de ela estar apaixonada por outro homem, a apreensão da tia e os planos do pai ganancioso, que, para se salvar da ruína, faz um acordo secreto. A moeda de troca? A sua filha…

Whitney, Meu Amor é obra que deu início à meteórica carreira de Judith McNaught. Os leitores vão rir, chorar, desesperar e emocionar-se com este romance absolutamente formidável.


Este é o segundo livro da Dinastia Westmoreland (podem encontrar a resenha do primeiro livro AQUI), apesar de, na verdade, este livro ter sido o primeiro que a autora escreveu sobre os Westmoreland. 

E apesar de se dizer que os livros se podem ler em qualquer ordem, faz mais sentido ler em primeiro lugar o livro "Um Reino de Sonho" e depois ler este.

Este livro conta a história de Whitney Stone, uma rapariga irreverente que está perdidamente apaixonada por Paul Sevarin.

Mas Whitney é apenas uma criança de 15 anos, órfã de mãe, que ainda não foi apresentada à sociedade,cujo pai, cansado das suas rebeldias, decide mandá-la para França com os tios, Lord Gilbert e a sua mulher, para que lhe dessem a educação que ele nunca conseguira incutir nela.

Em França aprende a ser uma senhora elegante e pelo meio de toda essa aventura conhece Clayton Westmoreland, o duque de Claymore, que logo percebe que aquela é a mulher certa para ser sua esposa.

Então, Clayton, ainda sem conhecer a noiva, pede ao pai de Whitney a sua mão em casamento, mas pede segredo, para que possa cortejar a moça e convencê-la a casá-lo consigo por livre vontade.

Mas óbvio que não tem o serviço facilidado. Whitney está apaixonadíssima por Paul e para tirar os seus olhos dele será muito difícil!


O Clayton lembrou-me muito o Royce do primeiro livro e a Whitney parecia uma versão da Jenny mais teimosa e "jogadora". SIM, jogadora! Porque muitas das vezes a situação resolvia-se se ela dissesse logo o que pretendia e não andasse com rodeios e joguinhos.

O livro está cheio de peripécias engraçadas e devo admitir que se o Clayton não atinava eu já ia começar a shipar Whitney com o Stephen, o irmão dele.

O Stephen tem atitudes muito engraçadas e no fim do livro acabei por achar que ele merecia mais destaque. AAAAA, fiquei mesmo angustiada com o final dele! Mas depois fiquei SUPER feliz quando vi as notas da autora no fim explicando que escreveu um livro inteiramente dedicado ao Stephen. Já quero!

É um romance cheio de momentos engraçados. Houve personagens como o Sr. Baskerville que sempre que dizia algo sobre Whitney ficava com a impressão que o Clayton ficava possesso com ele. Fartei-me de rir à gargalhada com essas cenas caricatas.

O único ponto negativo a assinalar é a extensão do livro. Achei que depois do casamento o livro começou a ser maçador. Senti que queria acabar o livro e ainda faltava tanto... Penso que a história podia ter alguns cortes em certas partes menos necessárias.

Sim, é necessário perceber um pouco o antes e o depois do casamento, as constantes e as mudanças que o compromisso lhes trouxe, mas penso que se podia ter minimizado as reviravoltas.

Mas claro que não deixa de ser uma história magnífica que me pôs a rir e a torcer para que o Clayton e a Whitney finalmente sucumbissem ao amor que sentiam um pelo outro e se entregassem com confiança um no outro.

Judith McNaught é definitivamente das minhas escritoras favoritas de todos os tempos! Escreve cada romance histórico incrível... É de suspirar! Apesar do que disse no post sobre o primeiro livro sobre os livros poderem ser lidos em qualquer ordem, retiro o que disse! Penso que faz muito mais sentido ler "Um Reino de Sonhos" e só então depois "Whitney, Meu amor" e o último " Até te conhecer". Ainda não adquiri a última obra mas já está no 1º lugar da minha wishlist. Sei também que esta coleção continua com mais livros sobre personagens do "Whitney, meu amor" e mal posso esperar que essas obras cheguem a Portugal (a carteira é que não vai gostar muito)!

Por último, gostava de dizer que tenho um desejo incrível que estes livros se tornem séries, pois a escrita e a história são tão boas que os acho são extremamente visuais. À medida que lia o livro conseguia imaginar perfeitamente o que estava a acontecer e imaginava como é que os episódios de uma suposta série iria ficar!

Classificação: ★★★★★ (5/5)


terça-feira, 24 de julho de 2018

Glimmerglass Girl by Holly Walrath



Glimmerglass
Para comprar este livro: Finishing Line Press

Sinopse (tradução livre): Glimmerglass Girl é uma coleção de poesias e imagens sobre a condição de ser mulher e feminilidade. Esta coleção de estreia da autora Holly Lyn Walrath explora a vida, o amor, o casamento, o abuso, a autoflagelação, o corpo, a morte e o alcoolismo através das lentes do coração de uma mulher. Leva os leitores através de um mundo especulativo e fantástico de contos de fadas e unicórnios, onde a feminilidade é tão poderosa e delicada como uma borboleta de asas de vidro.

Antes de mais agradeço à editora Finishing Line Press via netgalley por me ceder uma cópia avançada deste livro em troca de uma opinião honesta. Este livro vai ser publicado no dia 3 de Agosto.

Este livro é uma compilação de poemas que pretendem descrever a mulher moderna.

Este não é daqueles livros que possa dizer que devorei. Li rápido, mas não devorei.

Considerei alguns dos poemas bonitos, mas no geral não senti muita afinidade ao que estava escrito, não me consegui conectar emocionalmente com o livro.

Esta é uma das reviews que mais me custou fazer pois resenhar poesia é muito difícil, visto que o que para mim pode ser razoável, para outra pessoa pode ser excelente.

O meu poema favorito é foi o "A Arte da Solidão". Deixo-vos de seguida um pequeno excerto desse poema.
I tell my sisters:
cultivate loneliness
like you might care for
an orchid, turning it gently towards the light,
serving it water like wine
aerated, purified, filtered.

E uma das minhas frases favoritas:

"You may learn to sleep throught the night, warmed by the tought of your own existence".

Apesar disso, um dos prós do livro é que não apresenta "frases feitas", isto é aquela frases cliché, o que normalmente acontece em livros de poesia. Muito pelo contrário, existem pelo meio dos poemas frases incríveis com muito potencial para serem divulgadas e se tornarem icónicas (e vamos admitir, que vão dar um show nas descrições das fotos do instagram.

Se recomendo este livro? Sim, mas talvez a um público mais maduro e que se possa relacionar com o que está descrito.

Talvez quando tiver outra maturidade volte a ler o livro e aí já sinta a afinidade que esperava sentir.

Por isso decidi dar uma cotação de 2,75, porque não merece nem um 2, nem um 3. Mas para todos os efeitos, vou arredondar e dar 3.

Classificação: ★☆☆ (3/5)

Agradeço também à Vanessa, do blog e canal, The Bookish Deer, por ter dado a dica dos livros "à borla" via netgalley no seu canal de youtube.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

The Distance Between us de Kasie West



Between


Adorei este livro. É super fofinho.

Esta livro conta a história de Caymen Meyers, uma rapariga com 17 anos, que ajuda na loja de bonecas de porcelana da mãe e que acha que conhece os "ricos" como conhece a palma da sua mão. Para ela os ricos só sabem gastar o seu dinheiro em coisas inúteis, nomeadamente, bonecas de porcelana (e admitemos, ainda bem que eles eram estúpidos ao ponto de comprar as bonecas se não mais ninguém comprava né? :p )

Então, quando Xander, o filho de um famoso dono de hotéis lhe entra pela loja adentro à procura de um presente para a avó, Caymen tira-lhe logo as medidas e percebe que ele não passa de mais um rico arrogante. Apesar de Xander ser rico, acaba por atrair Caymen com o seu charme e capacidade de lhe entender o que vai na cabeça (e no coração).

Caymen pensa que é uma experiência da fase de "vamos ver como a outra metade vive".

Sinceramente nunca acreditei muito na versão de que ele só a estava a usar para desanuviar, mas como a mãe dela sempre a convenceu que a única função dos ricos era partir corações a raparigas que confiavam neles, Caymen poucas hipóteses lhe dá.

Mas a companhia de Xander começa a tornar-se uma constante na sua vida e Caymen não sabe como se sentir em relação a isso. A mãe não iria aprovar esse relacionamento pelo que Caymen mantém tudo em segredo.

Mas segredos são perigosos e criam distâncias entre as pessoas...

A leitura é bastante acessível e engraçada. Penso que este livro é ideal para ler depois de uma ressaca literária porque tem uma ótima dose de humor. A Caymen é excecional a ser sarcástica, muito carismática.

O que concluí é que "a distância entre nós os dois" não se devia tanto ao facto de a Caymen ser pobre e o Xander rico e isso constituir algum tipo de barreira entre eles, mas penso que essa "distância" do título do livro está associada à distância que ela mantinha do pai, que a mãe mantinha dos seus próprios pais e que ela própria mantinha da mãe por guardar segredos.

Penso que este livro aborda diferentes "distâncias", diferentes amores e diferentes pessoas, acima de tudo, diferentes sonhos, prioridades e objetivos de vida.

Com 17 anos é normal não sabermos o que queremos e mais normal ainda é os pais quererem impôr-nos algo que acham que é o melhor para nós e tomarem decisões por nós. Óbvio que com essa idade há muitas decisões que precisam de ser tomadas por eles, mas também era preciso que esta mãe falasse abertamente com a filha e lhe dissesse "A loja de bonecas de porcelana é o meu sonho, não o teu! Descobre aquilo que gostas de fazer e foca-te nisso. "E faltou um pouco isso...
 
Classificação: ★★★★☆

Incluí este livro na categoria de "Livro indicado por alguém" para a Maratona Literária Verão 2018 Momentos de Ataraxia e para a categoria livro Silly do Book Bingo.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris



Auschwitz


Sinopse: Esta é a história assombrosa do Tatuador de Auschwitz e da mulher que conquistou o seu coração - um dos episódios mais extraordinários e inesquecíveis do Holocausto.

Em 1942, Lale Sokolov chega a Auschwitz-Birkenau. Ali é incumbido da tarefa de tatuar os prisioneiros marcados para sobreviver - gravando uma sequência de números no braço de outras vítimas como ele - com uma tinta indelével. Era assim o processo de criação daquele que veio a tornar-se um dos símbolos mais poderosos do Holocausto.

À espera na fila pela sua vez de ser tatuada, aterrorizada e a tremer, encontra-se Gita. Para Lale, um sedutor, foi amor à primeira vista. Ele está determinado não só a lutar pela sua própria sobrevivência mas também pela desta jovem.

Um romance baseado em entrevistas que Heather Morris fez ao longo de diversos anos a Lale Sokolov, vítima do Holocausto e tatuador em Auschwitz-Birkenau. Uma história de amor e sobrevivência no meio dos horrores de um campo de concentração, que agradará a um vasto universo de leitores, em especial aos que leram A Lista de Schindler e O Rapaz do Pijama às Riscas, e que nos mostra de forma pungente e emocionante como o melhor da natureza humana se revela por vezes nas mais terríveis circunstâncias.

Que. Livro. In.crí.vel!

Escrevo isto uns segundos depois de acabar o livro. Sinto que preciso de colocar no papel o que sinto sobre este livro, sobre esta história.

Escrevo isto ainda de lágrimas nos olhos.

Este é um livro que estava/está fora da minha zona de conforto (Maratona Momentos de Ataraxia), porque nunca tinha ouvido falar na autora e, acima de tudo, porque nunca tinha lido nenhum livro sobre guerras etc (sim, nem mesmo O Diário de Anne Frank), mas agora posso dizer que já percebi porque nunca antes tinha lido um livro assim: Medo. Medo de ler uma história contada por alguém real que descreva a crueldade que tantas vezes me foi transmitida nas aulas de História mas que nunca compreendi. Como poderia compreender se nunca a vivi? Se nunca tive que lutar pela liberdade que hoje tenho?

Inconscientemente nunca li nada sobre guerras porque sabia que assim que lê-se a minha fé na humanidade ia ficar no chão. E ficou...

Fico tão revoltada por ter havido um tempo em que havia humanos que tratavam tão desumanamente outros... Só porque eram de outra religião, de outra nacionalidade, diferentes em qualquer outra coisa. Fico tão revoltada por esses eventos terem ocorrido há menos de 100 anos! Como é que é possível?? COMO?

Prender pessoas, submetê-las a trabalho forçado, deixá-las com medo, desnutridas, presas, ...

E como é que é possível que isso ainda aconteça caramba? Como é que é possível ainda haver guerras e tanta crueldade num mundo tecnologicamente tão avançado mas emocionalmente retardado?

Sei que por todo este ambiente de pesadelos, falta de liberdade, morte iminente e tudo o que é descrito não devia ser permitido achar a história bonita, mas caramba, que história...

Este livro conta a história de um judeu que conseguiu sobreviver a 3 anos num campo de concentração. Foram 3 anos de muito sofrimento, insegurança e, acima de tudo, esperança que um dia conseguiria sair dali.

A Lale, como se chama o nosso protagonista, foi incumbido o serviço de tatuar todos os recém-chegados ao campo. Sendo o tetrovier, isto é, o tatuador, tinha direito a uma ração extra e a uma maior liberdade de circulação. Assim Lale conseguiu contrabandear e tentar ser uma faísca de esperança num local que precisava desesperadamente de uma luz.

No meio deste terror, Lale conheceu Gita, a rapariga que lhe roubou o coração para sempre.

Impressionante como num ambiente destes ainda houve espaço para amar, o que me faz crer que o amor é tudo na vida. O amor é aquilo que os sustentou e lhes deu esperança de que um dia iriam sair dali e viver o seu amor ao máximo, sem restrições, sem discriminações e em segurança.

Ainda me escorrem mais lágrimas (de alívio) quando penso que houve quem sobrevivesse para contar a história, que houve quem conseguisse sair e voltar a provar a liberdade que lhe foi retirada.

Esta história é um conto de pequenos atos de liberdade num campo de concentração . Esta história é sobre uma faísca de esperança numa altura em que a humanidade se envergonhou a si própria submetendo pessoas às situações mais desumanas que existem. E o ciclo perdura sem prazo para terminar...

Classificação: ★★★★★

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O Casal do Lado de Shari Lapena



Casal

Sinopse: Cynthia disse a Anne que não levasse a filha Cora, a bebé de seis meses, para sua casa na noite do jantar para que ela e o marido Marco tinham sido convidados. Não era nada de pessoal. Ela simplesmente não suportava o choro de crianças. Marco não se opõe. Afinal, eles vivem no apartamento do lado. Têm consigo o intercomunicador e irão alternadamente, de meia em meia hora, ver como está a filha. Cora dormia da última vez que Anne a tinha ido ver. Mas, ao subir as escadas da casa em silêncio, ela depara-se com a imagem que sempre a aterrorizou. A menina desapareceu. Anne nunca tivera de chamar a polícia, antes disso. Mas agora eles estão lá, e quem sabe o que irão descobrir...

Do que seremos capazes, quando levados além dos nossos limites? O Casal do Lado é um thriller que nos leva de reviravolta em reviravolta até à última página.

Confesso que no início este livro lembrou-me muito o caso da Maddie que foi raptada no Algarve há 11 anos. Pareceu-me o thriller cliché em que culpam os pais por terem deixado a bebé (recém-nascida) sozinha em casa.

Mas nada é o que parece neste livro!

No começo é logo apresentada uma mãe com depressão pós-parto, da qual o detetive tem como principal suspeita. E logo aí as coisas descambam... Relativamente à depressão dela, a autora, descreveu um tanto de conceitos errados que eu presumo que apenas se devem verificar por uma fonte pouco fidedigna. Nunca vi tanto exagero de sintomas em volta de um assunto tão sério e delicado.

Ter um bebé mudou-a não só fisicamente e psicologicamente como também a mudou em termos sociais. Não sai de casa, não convive com mais ninguém a não ser a família e tornou-se uma pessoa extremamente insegura em relação ao seu corpo e à aceitação do marido.

Então quando surge a oportunidade de irem jantar com os amigos e principalmente com Cynthia, que era amiga de Anne antes desta engravidar, todos pensam que esta é uma oportunidade de Anne sair de casa e desanuviar a cabeça.

O problema é quando a baby sitter cancela à última da hora e Marco, o marido de Anne, sugere que deixem a bebé em casa a dormir, levem o intercomunicador e se revezem a ir ver a menina de meia em meia hora.

Tudo parece dar certo, até que quando chegam a casa a bebé não está no seu berço e a porta da frente está aberta.

O que me deu mais agonias foi não haver pistas! Dava por mim a pensar: Ai meu Deus, como vão encontrar a miúda se não há pistas?

Por um lado temos o detective a querer fazer da mãe a principal suspeita e de outro vemos o sofrimento de uma mãe que apesar de ter depressão pós-parto ama a filha como nunca amou ninguém e que se esforça diariamente por ser a melhor mãe possível, apesar do seu transtorno.

Apesar de ter partilhado no stories do meu instagram que achava que a história tinha ido pelo cano abaixo, por volta da página 100, quando revelaram quem tinha raptado a menina, penso que a autora conseguiu dar ao livro uma reviravolta fenomenal. Expectável, mas ainda assim muito boa!

Esta é daquelas histórias que dão muito que falar: pais que deixam uma filha em casa a dormir enquanto vão jantar à casa dos vizinhos do lado... Algo que acaba por ser muito falado na comunidade e ao longo da história vamos aprendendo a olhar para está história de todos os ângulos.

E é óbvio que vamos desconfiar de toda a gente! Cada vez que se descobriam novas pistas eu arranjava mais um suspeito para a minha lista.

Penso que com este livro fica bem claro que apesar de conhecermos uma pessoa toda a nossa vida nunca sabemos o que lhe vai verdadeiramente na alma, não sabemos o que a move, e isso é algo que a pode tornar extremamente perigosa.

É um livro bem rápido de ler, ótimo para quem quer uma leitura fluida.

Classificação: ★★★★☆

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A História de uma Serva de Margaret Atwood



The Handmaid's Tale


Sinopse: 

Uma visão marcante da nossa sociedade radicalmente transformada por uma revolução teocrática. A História de Uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo. 

Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril. 

Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.


Neste livro é contada a história de Defred, uma mulher fértil escolhida para fins reprodutivos, e, indiretamente, a história das Servas pois todas passam pelo mesmo.

Acompanhamos então o seu percurso na 3ª casa em que é colocada. Defred reza para que o Comandante a engravide durante "A Cerimónia", em que a sua mulher também está presente, de uma maneira extremamente creepy, para cumprir o seu dever enquanto objeto do Estado.

Defred em inglês chama-se Offred. A mudança no nome deve-se ao facto de ela ser "De Fred" e em inglês "Of Fred", ou seja , pertence a um homem chamado Fred.

As Servas não podem usar o seu "nome verdadeiro", isto é, o nome que tinham antes de tudo isto acontecer ao país. As Servas são um mero instrumento de reprodução. 

As personagens são apresentadas aos bocadinhos, isto é, ela fala nas Marthas (as mulheres responsáveis pela culinária e limpeza da casa), nas Esposas (mulheres casadas com comandantes, a.k.a, alguém da Elite), etc etc por fases e no início há coisas que passam despercebidas, como o facto de, por exemplo, a cor das roupas delas importar! As Martas vestem-se de verde, as Esposas de azul, as Servas de Vermelho e por aí fora.

Além disso desde o início que falam nas "Tias" e admito que de início pensava "Mas quem raio é esta Tia?". Também dava por mim a pensar: "Mas ela está a contar o que se passou na sua vida antes de tudo, na tal escola ou já está na casa do Comandante?"

Mas depois de lhe apanhar o jeito, já conseguia perceber a que momento da "sua" vida ela se referia.

É bem claro que as pessoas não sabem nem de metade do que se está a passar no país, tanto que não é explícito quem põe abaixo o governo e a constituição. Mostra o regime em que vivem e como vão sendo arrastadas sem poder fazer nada, sem poder saber exatamente o que acontece.

Vivem no medo e na memória de dias de liberdade.

Os direitos das mulheres são completamente retirados. Não podem ler, não podem andar sozinhas, pelo que as Servas quando vão ao mercado vão sempre acompanhadas por outra Serva, não podem gerir as finanças da casa, não se podem maquilhar etc.

Já não bastaria toda esta pressão, mas para piorar tudo existem os "Olhos", pessoas entre a comunidade que tentam descobrir traidores ao regime.

Ou seja, uma Serva nem pode dizer como se sente, ou o que pensa, ou até mesmo algo além do discurso estipulado porque não sabe se a outra não é um Olho.

🌳

Eu ia ler este livro em inglês, mas graças a Deus que não li. Se a leitura já foi densa em Português imagine-se em inglês!

À parte disso a escrita é incrível! A autora faz distinção entre os diálogos que aconteceram no passado, em que Defred conta aquilo de que se lembra do passado, e os diálogos do presente, o que nos ajuda a situar bem na história.

Gostava que tivessem explorado mais o final, se bem que deixa bem clara a sua mensagem de esperança, ou que tivessem pelo menos feito uma sequela em que se descobre o que aconteceu ao Luke e à filha dela.

🌳

Acredito que cada livro tem o seu tempo e o que pode passar despercebido em 1985 pode ter um sucesso desmedido em 2016 ou 2017. É o caso deste livro que neste momento tem grande importância para a luta maior que se enfrentou , mas que agora é que começam a conseguir ouvir-se: os direitos das mulheres.

Porém confesso que acho a série muito melhor trabalhada. Tem o livro como base e criou o enredo consistente à volta disso.

O livro podia ter sido trabalhado tal como a série e é por isso que sinto que ficou áquem das expectativas.
(e atenção, eu vi a série depois de ler o livro, por isso para te achado a série melhor conseguida é porque é mesmo...)

Gostei? Gostei, mas acabei o livro com aquele pensamento que o livro foi morno, muito meeeeeeh, podia ser melhor..

Na realidade esperava outra coisa, outra escrita e esperava que tivesse aprofundado mais.
 
Classificação: ★★★☆☆


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Coleção The Giver: Leituras perfeitas para adolescentes



Giver

Esta coleção é um conjunto de histórias de povoados distópicos. Cada um desses povoados possui leis e formas de vida diferentes, de modo que cada um pensa que vive de forma a evitar conflitos e guerras. O que vamos percebendo é que nestes mundos, onde a tentativa é manter todos uniformes, o livre arbítrio deixa de existir.


Giver

No primeiro livro temos a história de Jonas que vive num povoado onde as pessoas estão satisfeitas com a sua vida e vivem sem conflitos. Jonas é um Doze (tem doze anos) e, por isso, está ansioso pela sua cerimónia de atribuição de uma Missão, a forma como cada habitante contribui para a sociedade.

Essas missões são escolhidas por um Conselho que observa cada jovem e, de entre as suas características, escolhe aquela que melhor se adequa a cada um.

Esta sociedade parece um tanto ideal, onde até os parceiros são escolhidos pelo Conselho, os filhos são gerados por Mães Biológicas, e depois atribuídos aos casais, e são tomados comprimidos "anti-sentimentos" pois acredita-se que estes estejam no núcleo de toda a desordem humana. Nenhum sentimento é permitido, nem mesmo o amor ou a compaixão.

Este rapaz especial recebe a missão de ser o recetor de memórias. E desta missão advém o título "The Giver", porque Jonas vai ser aluno do Dador, a única pessoa do povoado que contém em si as memórias do que o mundo foi: da guerra, da fome, da miséria, das cores, do amor. A primeira tarefa de Jonas é deixar de tomar os comprimidos e com isso ele começa a ver as coisas de outra perspetiva.

Começa a sentir, começa a questionar e apercebe-se de que o mundo ideal que criaram, e no qual ele vive, é o oposto de perfeito.

Basta uma pessoa não se adaptar e é dispensada, como um mero produto defeituoso.


Giver


No segundo livro, temos a história de Kira. Aparentemente a história parece completamente independente da primeira, mas não desistam desta coleção. Kira vive num povoado que não admite imperfeições, o que para ela é difícil, visto que tem um defeito numa perna que a faz coxear. Para piorar tudo, a mãe de Kira e sua única família morre deixando-a à sua sorte.

Fica sozinha, é menor e não tem idade nem um possível parceiro para casar, Kira tem que arranjar uma maneira de viver. O único que a ajuda é o seu pequeno amigo Matty.

Kira é órfã, coxa, amável, lutadora e tem umas mãos mágicas! E é graças à sua capacidade de bordar que é escolhida para reparar o Manto do Cantor, aquele que canta tudo o que aconteceu no mundo desde que este existiu.

Usando o seu dom, e fazendo amizades pelo caminho, Kira começa a descobrir os segredos desta comunidade e, enquanto eles se vão revelando, a sua principal missão é acabar o Manto do Cantor, saldando assim as suas dívidas. Para isso precisa de ir em busca do azul.


Giver


No terceiro livro, é contada a história de Matty, amigo de Kira, que viaja entre povoados pela Floresta. Ele ambiciona receber o seu Nome e até já sabe qual quer: "O Mensageiro". Matty tem, principalmente, a função de percorrer a aldeia distribuindo as mensagens do Líder e levar as mensagens pela Floresta entre os povoados.

A Floresta decide quem pode atravessá-la e dá avisos a quem não é bem-vindo e quando os aldeãos votam para encerrar as fronteiras do povoado, Matty tem a tarefa de ir buscar a filha do Visionário, um idoso cego, e trazê-la em segurança até à aldeia.

Mas a Floresta está cada vez mais densa e os jovens vão deparar-se com muitas dificuldades pelo caminho.


Giver


O quarto e último livro, junta todos os povoados. Começa com a história de Claire, que tem a Missão de Mãe Biológica. Ela pertence ao povoado de Jonas (do primeiro livro). Este livro está dividido em três partes: o antes, o durante e o depois.

O Antes conta a história de Claire, que tem um filho, e devido a complicações no parto é considerada inapta para continuar a ser Mãe Biológica. Assim é-lhe atribuída uma nova função na comunidade, como funcionária no Viveiro de Peixes. Como era uma Recipiente nunca chegou a tomar os comprimidos, por isso quando decide visitar o berçário e vê o seu filho, ou Produto como é denominado nesta comunidade, há algo que a faz nunca se esquecer desta criança.

Assim nasce o amor dentro dela.

Mas o amor não é simples e Claire vê-se diante de muitos obstáculos. E quando entra num barco movida pelo desespero acaba naufragando noutra comunidade.

Claire tem então uma tarefa muito difícil para sair da comunidade. Mas será que o amor é capaz de combater todos os obstáculos?

🌳

Esta é uma coleção que aborda várias coisas que acontecem, inconscientemente e até conscientemente, no mundo e ensina-nos a ver além, olhar para o futuro de forma mais consciente. Nestes livros mostram-nos que não existem limitações desde que estejamos dispostos a curar o mundo com a nossa alma bondosa e altruísta.

Este livro ensina-nos que apesar de por vezes nos vermos emaranhados numa floresta cheia de lutas pelo poder, ganância, egoísmo etc., nunca nos devemos deixar engolir por esse mundo e tentar sempre fazer tudo o que está ao nosso alcance para corrigir isso.

Gostei MUUITO do primeiro livro, li em 2009 e foi o meu primeiro contacto com distopias. Hoje, 9 anos depois, consegui completar a leitura desta série, o que me dá aquela sensação de missão cumprida!

Nota: Só achei que no último livro faltou explicar o que aconteceu no barco e quem eram aquelas pessoas, a que comunidade pertenciam? Achei que podia ter sido explicado o destino das pessoas que ficaram para trás na vida de Jonas, de Kira, Claire, etc.

Uma das lições mais importantes que retirei desta coleção é que as pessoas só têm o poder que lhes damos. Se reconhecermos a sua falta de poder e lhes negarmos a violência, essa criatura mesquinha que vive nelas e as domina acabará por ficar em cinzas. Se oferecermos amizade e bondade, talvez a pessoa volte a ser quem era antes de se deixar dominar por esta teia de coisas menos boas.

Para quem procura distopias incríveis e livros jovem-adulto esta coleção é a ideal. Podíamos considerar estes livros infanto-juvenis também, mas penso que para se entender o significado de algumas coisas é preciso ter-se mais alguma maturidade.

A leitura é bem leve, ótima para curar ressacas literárias. Estes livros deviam ser leitura obrigatória porque são simplesmente incríveis e educativos.