segunda-feira, 9 de abril de 2012

 
"Quem sou eu?
Às vezes sou engraçada, outras vezes sou séria; Às vezes sou menina, quase uma criança... e outras vezes sou bem mulher; Às vezes sou complicada e indecisa, outras resolvo tudo sem parar pra pensar; Às vezes gosto demais das pessoas, outras me decepciono exageradamente... As vezes quero chamar atenção, outras tenho vontade de desaparecer... Às vezes quero muita coisa... quero tudo ao... mesmo tempo. Outras vezes não quero nada; Às vezes sou impaciente com o mundo, quero que tudo se resolva rápido e do meu jeito, outras sou tranquila, o mundo pode acabar e eu nem percebo... Às vezes eu choro, fico muito triste, outras vejo graça em tudo... Às vezes escuto e falo coisas que não queria, outras tampo os ouvidos e fecho minha boca... Às vezes sinto saudades, outras penso que o que tiver que ser será... Às vezes acredito que coincidências sempre acontecem , outras vezes acredito no destino... Às vezes dou asas à imaginação e sonho mais alto que o normal... Às vezes eu sou assim...

Outras vezes também. "  (Vi na página de facebook de Frases Sentidas e gostei muito)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Desabafos

         Sabes o que adoro? Pessoal armado em esperto a dizer "não és capaz disto, não és capaz daquilo". Ultimamente tenho vivenciado momentos desses, contudo em vez dessas palavras, recebo olhares. Daqueles olhares 'fan-tás-ti-cos', aqueles que é suposto deitarem-nos abaixo, mas que são uma tamanha estúpidez que o único sentimento que despertão é a vontade de rir na cara da pessoa e, por vezes dizer: "Não consigo? Ora observa". E o mais estúpido, sim estúpido, é ver a cara da pessoa frustada por termos conseguido. 
          Ainda não sei o propósito de "derrubarem" os outros. Para subir na vida não é preciso deitar a baixo os que nos rodeiam porque, se estiveres a fazer o que é devido, constróis os pilares para a vida que ambicionas, sozinho, e sem teres de te apoiar em alguém. Para além do mais, não é normal intimidar ou desistir porque nos intimidão. Se queres ter algo, ganha-o por mérito próprio, ou então um dia poderás ter uma surpresa e ver o teu mundo, que não é bem "o teu mundo" visto que não o construíste, destruído porque te apoiaste nos alicerces dos outros.
          Faz o teu próprio caminho, sê feliz pelo que constróis e não pelo que destróis!
          Ei, mas isto é o que eu acho, podem haver por aí opiniões diferentes da minha e que façam mais sentido, sei lá... Por enquanto, isto é o que eu penso e se alguém quiser acrescentar alguma coisa está à vontade. Bom início de semana! :)

domingo, 13 de março de 2011

História do piloto e do rapaz da esplanada

"
           O sol já ia alto na ilha de Santa Maria. A esplanada do aeroporto está repleta de pessoas.
           Um rapaz está no seu lugar, mesmo no centro da esplanada. Observa a “paisagem”, olhando as raparigas com interesse, acenando aos amigos e trocando alguns sorrisos com outras pessoas que o rodeiam. Por cima deste cenário, uma voz informa que o avião “BC-1995” parte em minutos. Infelizmente, naquele voo, só vai o rapaz da esplanada, mas ele parece indiferente ao comunicado... A vozinha, repete, repete e volta a repetir o comunicado mas o rapaz continua indiferente. Por vezes mostra interesse mas essa atenção é roubada pelas raparigas que passam e o anúncio do voo parece ser rapidamente esquecido…
           O piloto do avião cansa-se de esperar e pensa seriamente em partir. O tempo urge e o rapaz continua na esplanada. Será que ele irá ficar lá para sempre a fazer olhos às raparigas que passam ou irá entrar no avião e ser o único passageiro?! A decisão depende dele...
            O piloto sou eu! O rapaz és tu! Entras no meu avião ou ficas na esplanada? " ;)
( Brenda F. RCabral)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Dentro do teu bolso
Vivo fechada numa vida,
que não era para ser minha.
Sinto-me perdida,
frustrada, sozinha!
-
Guardaste-me no bolso,
para que esperasse por ti,
passou-se imenso tempo,
e continuo aqui.
-
Brincas com quem queres,
e esperas que te continue a amar,
continuo aqui no bolso,
espero que me venhas buscar.
-
O amor tornou-me estúpida,
cega ao ponto de esperar... e esperar...
Mas não é mesmo assim o amor?
Com ou sem sentido, é inevitável lutar!
-
Por favor, tira-me do bolso,
para contigo ser feliz.
QUERO-TE comigo!!
És tudo o que sempre quis!!
--
;) BCF
--
(Brenda Cabral)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

    As minhas memórias
    Outrora, eu era uma menina de cabelos loiros e olhos azuis.
    Sempre fui tímida e simpática. Apesar dessa timidez, tinha muitos amigos.
    Lembro-me da minha primeira paixão. Ele era fisica e psicologicamente como eu.
    Recordo-me que, logo no primeiro dia, fiz amizade com ele, pois foi o único que me fez entender que a minha mãe não me tinha abandonado no mar da Vida, que só me tinha deixado no local onde aprendia a "nadar", para que, mais tarde, não me afogasse.
    Foi amor à primeira vista.
    Após esse episódio, fomos arranjando outros amigos e perdemos o contacto. Passaram-se 42 anos desde então.
    Há uma semana descobri que se tinha casado e que era engenheiro ambiental. Eu também me casei. Com o meu emprego de bióloga marinha consegui ter uma boa estabilidade financeira, o que me permitiu formar uma grande família.
    Seguimos caminhos muito diferentes, mas sei que ficaremos para sempre marcados pelas nossas conversas sobre o grande mar da Vida, onde tive de nadar muitas vezes para ter a profissão que tenho.


Autora: Brenda Cabral
Revisora: Professora Generosa Almeida

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Crónica

O banco da solidão
        Estavam os dois sentados num banco de jardim, separados por uma velha senhora.
        O rapaz era baixo e atraente. A rapariga, alta e bonita. Ambos com olhares expressivos, mas de cores distintas.
         A velha senhora levantou-se e caminhou para o táxi.
       Naquele momento, os olhares do casal cruzaram-se, espantados por só nesse momento se encontrarem. Tudo pareceu completar-se. O mundo abrandou o ritmo só para contemplar aquele momento glorioso, onde a solidão, por momentos, deixara de existir. O chilrear dos pássaros era acompanhado pela batida delirante dos corações apaixonados.
       Foi nesse momento que percebi o quanto é importante sermos solidários uns com os outros, pois com um simples olhar ou sorriso, podemos confortar alguém e até talvez encontrar uma pessoa que nos tire da solidão.   

Autora: Brenda Cabral
Revisora: Professora Generosa Almeida
- Ando sem paciência para escrever poemas. Todavia, tenho lido bastante e entre as minhas leituras encontrei este texto que achei interessante. Espero que gostem! "O Primeiro Amor

É fácil saber se um amor é o primeiro amor ou não. Se admite que possa ser o primeiro, é porque não é, o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo.


Nunca se percebe bem por que razão começa. Mas começa. E acaba sempre mal só porque acaba. Todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem, e o coração anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda em baixo.

O primeiro amor dá demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. É por isso que a alegria dói - porque parece que vai acabar de repente. E o primeiro amor dói sempre demais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor não deixa de parte um único bocadinho de nós. Nenhuma inteligência ou atenção se consegue guardar para observá-lo. Fica tudo ocupado. O primeiro amor ocupa tudo. É inobservável. É difícil sequer reflectir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada.

Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado.

É como uma criança que põe os dedos dentro de uma tomada eléctrica. É esse o choque, a surpresa «Meu Deus! Como pode ser!» do primeiro amor. Os outros amores poderão ser mais úteis, até mais bonitos, mas são como ligar electrodomésticos à corrente. Este amor mói-nos o juízo como a Moulinex mói café. Aquele amor deixa-nos cozidos por dentro e com suores frios por fora, tal e qual num micro-ondas. Mas o «Zing!» inicial, o tremor perigoso que se nos enfia por baixo das unhas e dá quatro mil voltas ao corpo, naquele micro-segundo de electricidade que nos calhou, só acontece no primeiro amor.

O primeiro beijo é sempre uma confusão. Está tudo a andar à volta e não se consegue parar. A outra pessoa assalta-nos e deixa-nos tontos, isto apesar de ser tão tímida e inepta como nós. E os nomes dos nossos primeiros amores? Os nomes doem. Parecem minúsculos milagres. Cada vez que se pronunciam, rebenta um pequeno terramoto no equador. E as mãos? Quando a mão entra na mão de quem se ama e se sente aquele exagero de volts e de pele, a única resposta sensata é o assassínio, o exílio, o suicídio. Nada fica de fora. O mundo é uma conspiração cinzenta de amores em segunda mão. Nada é puro fora daquelas mãos. O tesouro está a arder, as pessoas estão a morrer, os olhos cheios de luz estão a cegar, mas o primeiro amor é também, e sem dúvida, o primeiro amor do mundo.

O primeiro amor é aquele que não se limita a esgotar a disposição sentimental para os amores seguintes: quer esgotá-la. Depois dele, ou depois dela, os olhos e os braços e os lábios deixam de ter qualquer utilidade ou interesse. As outras pessoas - por muito bonitas e fascinantes que sejam - metem-nos nojo. Só no primeiro amor.

Não há amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, há o equivalente adulto ao primeiro amor - é o primeiro casamento; mas não é igual. O primeiro amor é uma chapada, um sacudir das raízes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e não nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as órbitas dos olhos, do impensável calor de poder-mos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde saltamos. Saltamos e caímos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer três ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na água ou no chão, como patos disparados de um obus, com penas a esvoaçar por toda a parte.

Há amores melhores, mas são amores cansados, amores que já levaram na cabeça, amores que sabem dizer «Alto-e-pára-o-baile», amores que já dão o desconto, amores que já têm medo de se magoarem, amores democráticos, que se discutem e debatem. E todos os amores dão maior prazer que o primeiro. O primeiro amor está para além das categorias normais da dor e do prazer. Não faz sentido sequer. Não tem nada a ver com a vida. Pertence a um mundo que só tem duas cores - o preto-preto feito de todos os tons pretos do planeta e o branco-branco feito de todas as cores do arco-íris, todas a correr umas para as outras.

Podem ficar com a ternura dos 40 e com a loucura dos 30 e com a frescura dos 20 - não outro amor como o doentio, fechado-no-quarto, o amor do armário, com uma nesga de porta que dá para o Paraíso, o amor delirante de ter sempre a boca cheia de coração e não conseguir dizer outra coisa com coisa, nem falar, nem pedir para sair, nem sequer confessar: «Adeus Mariana - desta vez é que me vou mesmo suicidar.» Podem ficar (e que remédio têm) com o savoir-faire e os fait-divers e o «quero com vista pró mar se ainda houver». Não há paz de alma, nem soalheira pachorra de cafunés com champagne, que valha a guerra do primeiro amor, a única em que toda a gente morre e ninguém fica para contar como foi.

Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: Não pensar, não resistir, não duvidar. Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida - e não há milagres em segunda mão. É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. Depois do primeiro amor, morre-se. Quando se renasce há uma ressaca. É um misto de «Livra! Ainda bem que já acabou!» e de «Mas o que é isto? Para onde é que foi?».

Os outros amores são maiores, são mais verdadeiros, respeitam mais as personalidades, são mais construtivos - são tudo aquilo que se quiser. Mas formam um conjunto entre eles. O segundo e o terceiro e o quarto, por muito diferentes, são mais parecidos. São amores que se conhecem uns aos outros, bebem copos juntos, telefonam-se, combinam ir à Baixa comprar cortinados. O primeiro amor não forma conjunto nenhum. Nem sequer entre os dois amantes - os primeiros, primeiríssimos amantes. Acabam tão separados os dois como o primeiro amor acaba separado dos demais. O amor foi a única coisa que os prendeu e o amor, como toda a gente sabe, não chega para quase nada. É preciso respeito e bláblá, compreensão mútua e muito bláblá, e até uma certa amizade bláblá. Para se fazer uma vida a dois que seja recompensadora e sobretudo bláblá, o amor não chega. Não se vive só dele. Não se come. Não se deixa mobilar. Bláblá e enfim.

Mas é por ser insustentável e irrepetível que o primeiro amor não se esquece. Parece impossível porque foi. Não deu nada do que se quis. Não levou a parte nenhuma. O primeiro amor deveria ser o primeiro a esquecer-se, mas toda a gente sabe, durante o primeiro amor ou depois, que é sempre o último.

Afinal nem é por ser primeiro, nem é por ser amor. A força do primeiro amor vem de queimar - do incêndio incontrolável - todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. Como se queima um campo para crescer plantas nele. Se fôssemos para todos os outros amores com o coração semelhantemente alucinado e confuso, nunca mais seríamos felizes. É essa a tristeza do primeiro amor. Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes».

É por isso que o primeiro amor fica com a metade mais selvagem e inocente de nós. Seguimos caminho, para outros amores, mais suaves e civilizados, menos exigentes e mais compreensivos. Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro. "

CARDOSO, Miguel Esteves, 2001. Os Meus Problemas. Lisboa: Asírio & Alvin (12.ª ed.)