
Nota legal: Este livro foi-me enviado pela editora via Netgalley em troca de uma resenha honesta. Todas as opiniões expressas nesta resenha são completamente minhas.
And We Call It Love (tradução: "E chamamos isto de amor") é um livro de poesia que nos traz uma história de amizade, relações tóxicas e força interior.
Claire e Zari são melhores amigas. Escrevem músicas juntas, conhecem-se melhor do que ninguém e são inseparáveis.
Claire é uma miúda com algumas dificuldades por isso o dinheiro que faz a tocar violão na rua é para preencher necessidades que existem em casa. Zari vem de uma família com dinheiro e está constantemente sobre a pressão de concretizar o que os pais sonharam para ela.
O problema é que os pais de Zari não gostam de Claire... nem o seu recente namorado, Dion.
Quando um namorado não gosta da nossa melhor amiga, isso já é sinal de que algo está mal. Das duas uma: ou realmente a nossa amizade não é a melhor, mas isso já nós sabemos - e lá está, insistimos nessa relação também tóxica-, ou isso é um alerta para prestarmos atenção ao nosso(a) parceiro(a). Mas Zari ignorou todos os sinais.
Identifiquei-me muito com este livro porque já fui a Zari em algumas situações e já fui uma Claire tentando resgatar uma amiga dessa situação. Sei o quão difícil é vermos que as pessoas nos afastam e não sabemos bem porquê, mas é preciso ter muita paciência e ser sempre um apoio para aquela amizade, mesmo que não concordemos com o rumo que a pessoa está a tomar.
"É difícil para uma árvore sobreviver sem o seu sistema de suporte"
Nós vamos achar que a pessoa sabe bem em que situação está e não sai porque não quer, mas as coisas são muito mais complicadas do que parecem. Para quem está na situação é muito difícil sentir que pode sair, há sempre o medo das consequências de terminar a relação. O que o Dion fez foi tirar o sistema de apoio à Zari e os pais, querendo ou não, também contribuíram para isso. Começou com pequenas coisas que lhe deitaram abaixo a auto-estima e depois voltou a inflá-la com as típicas palavras "amo-te", "preciso de ti" e ela até acha que o problema de ver algo de errado com o comportamento dele é puramente culpa dela.
Aprendi com o Dion que normalmente os abusadores são meninos insatisfeitos consigo próprios e que têm que ser o centro do universo a todo o momento e quando encontram o seu alvo não vão descansar enquanto não vergam a pessoa à sua vontade.
Com este livro pensamos muito sobre quantas vezes não toleramos algumas atitudes como as Dion, quantas vezes não nos culpamos por algo que o outro tenha feito porque "foi consequência das nossas ações", quantas vezes nos apagamos para o outro brilhar porque se brilharmos vamos ter repercussões, seja físicas ou psicológicas? E não falo só relativamente a relação amorosa, falo também de amizades e família. Temos de parar de nos anular por outras pessoas. Temos de parar de romantizar aquilo que é tóxico.
O livro está tão bem construído que os poemas parecem prosa e a história das duas amigas é contada de uma forma tão fluída que nos perdemos no tempo. Adorei o facto de o narrador ir variando, permitindo-nos ver a situação das duas perspectivas: a da vítima e a da amiga que se sente sem poder de ajudar a outra.
Por isso, recomendo vivamente a leitura deste livro, porque ele conta-nos uma história pela qual já podemos ter passado em algum momento da nossa vida, ou então que vimos alguém passar e mostra-nos que é preciso agir, nem que seja pela pequena grande ação de estar ali pelo outro.
Para quem está iniciando as leituras em inglês este livro é uma boa aposta, visto que a sua linguagem é bastante simples e sem grandes floreados, a autora diz o que tem a dizer e a mensagem é bem clara.
Gostaria de agradecer à autora Amanda Vink, à editora West 44 Books e ao Netgalley pela oportunidade de ler este livro. Um dos melhores que li até agora em 2019!
Classificação: ★★★★★











